Mais de três décadas de dança, tradição e união em Pomerode: conheça o Grupo Edelweiss
Grupo Folclórico Edelweiss tem como principal objetivo contribuir com a preservação da cultura local, herdada dos imigrantes
Foto: Divulgação / Grupo Edelweiss
Manter viva a cultura dos antepassados, transmitir valores e encantar plateias. Esses têm sido, desde 1986, os pilares do Grupo Folclórico Edelweiss, de Pomerode. Surgido a partir da vontade de um grupo de descendentes de imigrantes alemães em preservar tradições através da dança, o Edelweiss se consolidou como um dos símbolos da cidade.
A data oficial de fundação remonta a 22 de fevereiro de 1986. Foi neste dia que um grupo de jovens pomerodenses começou a se reunir para ensaiar as primeiras coreografias. “Naquele momento, nosso desejo era simples, mas muito significativo: queríamos contribuir para a preservação da cultura e das tradições germânicas, levando a alegria das danças típicas para os palcos e para a comunidade”, relembra a diretoria atual do grupo, citando nomes que marcaram o início dessa trajetória. Entre eles, estão Edson Klebber, Daniel Dallmann, Ildomar Ittner, Mariana Franz, Wilson Kohls, Mariana Krahn e Adriana Ahrendt.
O nome escolhido para o grupo também não foi por acaso. “Edelweiss é uma flor encantadora, que floresce nas regiões mais altas dos Alpes, próxima às geleiras. Para os povos germânicos, ela simboliza amor eterno e amizade, mas também a alegria das festas de verão. Era a representação perfeita do que queríamos levar ao público: tradição, beleza e união. Por isso, ela segue estampada em nossos trajes e acessórios até hoje”, explicam os integrantes.
A dança como elo da comunidade
Com quase 40 anos de atuação, o Edelweiss já participou de inúmeros eventos culturais dentro e fora de Pomerode. O grupo se tornou referência não apenas pela técnica e beleza das apresentações, mas também pelo impacto cultural que promove.
“A dança folclórica foi uma das peças fundamentais para o desenvolvimento daquilo que Pomerode é hoje. Ao longo dos anos, conseguimos reunir e engajar pessoas, entregando experiências únicas aos visitantes e fortalecendo nossa identidade cultural. A cada apresentação, sentimos a alegria estampada no público e ouvimos comentários de como nossas danças despertam boas lembranças. É um sentimento que nos motiva a continuar”, afirmam os dançarinos.
Trajes, músicas e tradições
Os trajes típicos usados nas apresentações são fiéis às origens. Inspirados nas roupas de festa usadas por camponeses da Baviera e do Tirol, eles trazem o Lederhose (calça de couro) para os rapazes e saias coloridas com coletes adornados para as moças. “Vestir o traje é mais do que um figurino. É carregar nas cores e nos detalhes a história de gerações que vieram antes de nós”, destacam.

Foto: Divulgação / Grupo Edelweiss
Manter a tradição exige disciplina. Os ensaios acontecem em finais de semana alternados, geralmente aos sábados ou domingos à tarde, respeitando o calendário de compromissos do grupo. “É um momento de concentração, mas também de integração. Ensaiar é se preparar para o palco, mas é também reforçar os laços de amizade que nos unem”, relatam.
As viagens também ocupam lugar especial na memória dos integrantes. “Os momentos mais marcantes são aqueles em que nos deslocamos para cidades mais distantes. Cada viagem é uma nova experiência: rimos juntos, aprendemos e criamos memórias que permanecem por muito tempo. Esses momentos fortalecem ainda mais a união entre todos”, recordam.
Apoio da comunidade e das famílias
O grupo faz questão de destacar o papel essencial das famílias e da comunidade em sua manutenção. “Nossos familiares são nossos maiores fãs, estão sempre presentes, incentivando e compreendendo quando precisamos abrir mão de momentos pessoais por conta dos compromissos do grupo. Sem esse apoio, seria impossível manter o trabalho”, ressaltam.
A comunidade também é peça-chave. “É por ela que existimos. É a comunidade que nos prestigia, que nos convida para eventos, que nos dá espaço para ensaiar e que incentiva os jovens a participar. O grupo é amador, os integrantes dedicam seu tempo livre à dança, e o apoio da comunidade faz toda a diferença.”
Se manter atrativo para novas gerações tem sido um desafio. “Depois da pandemia, percebemos que os jovens têm hoje muitas opções de entretenimento, muitas vezes sem sair de casa. Isso nos desafia a mostrar que a dança folclórica é divertida, é integração e é pertencimento. Usamos as redes sociais para mostrar os bastidores, os momentos de alegria e de união. Também temos na Festa Pomerana uma vitrine importante para atrair novos integrantes”, relatam.
Olhando para o futuro, o Edelweiss segue fiel à missão estabelecida pelos fundadores. “Nosso compromisso é com a preservação da cultura germânica. Queremos que as próximas gerações tenham orgulho de levar adiante essa tradição. Trabalhamos junto de outros grupos folclóricos, entidades culturais e artistas da cidade, buscando reconhecimento contínuo, inclusive perante o poder público, para que essa história nunca se perca.”