Esporte

Karatê em Pomerode: princípios que vão além do tatame

Disciplina, respeito e superação guiam jovens de Pomerode que encontraram no karatê não apenas um esporte, mas um caminho de crescimento pessoal

2 de novembro de 2025

Foto: Isadora Brehmer / JP

A disciplina, o respeito e a superação são valores que acompanham três jovens de Pomerode dentro e fora do tatame. Felipe Eduardo Schork, Miguel Frahm Machado e Mirela Eduarda Schork são atletas da Associação Pomerodense de Karatê e vêm acumulando conquistas que os colocam entre os nomes promissores da modalidade em competições estaduais e nacionais.

O início no karatê

O mais velho do trio, Felipe, hoje com 18 anos, começou no esporte ainda criança, em um projeto escolar na Vidal Ferreira. “Comecei com 6 anos, incentivado a praticar um esporte, e logo depois passei a treinar no centro de treinamento. Desde então, o karatê faz parte da minha vida”, conta.

Miguel Frahm Machado, de 13 anos, iniciou aos 5, também incentivado pela família. “Minha mãe me colocou para fazer esporte e eu escolhi o karatê. Desde então, nunca parei”, relembra.

Já Mirela Eduarda, irmã de Felipe, seguiu os passos do irmão mais velho. “Eu via o Felipe treinando e ficava ansiosa para começar. Ele sempre foi o meu espelho, eu dizia que queria ser como ele quando crescesse”, comenta.

Foto: Isadora Brehmer / JP

Primeiras conquistas

Assim como no caminho de qualquer atleta, os primeiros resultados demoraram a aparecer. Felipe recorda que competiu durante quase um ano até conquistar sua primeira medalha de bronze em um campeonato estadual.

“Depois disso, ainda demorou bastante até vir a segunda e a terceira. Foi um processo de persistência”, relembra.
Miguel, por outro lado, subiu ao pódio logo em sua estreia, também com uma medalha de bronze. Mirela destaca que, mesmo com as dificuldades iniciais, cada conquista serviu como motivação para continuar.

Categorias e resultados

Atualmente, os três competem em diferentes categorias:

• Felipe disputa no Júnior, Sub-21 e Sênior até 75kg;
• Miguel está no Sub-14 até 55kg;
• Mirela atua no Cadete até 54kg.

Os resultados obtidos em 2023 e 2024 colocaram os atletas em destaque no cenário nacional. Para Felipe, chegar a esse nível é motivo de orgulho. “É muito gratificante, porque a gente se prepara o ano inteiro para essas competições.

Quando conseguimos bons resultados, é a prova de que os treinos estão dando certo”, afirma.
Miguel reforça: “Mostra que podemos ir cada vez mais longe. É legal saber que toda a dedicação está valendo a pena”.

Mirela completa: “O karatê me ensinou disciplina e a controlar minhas emoções. Se eu perco, aprendo com o erro e sigo em frente. Isso faz diferença não só no esporte, mas na vida”.

Rotina intensa de treinos

A preparação é exigente. Felipe treina de três a quatro vezes por semana no centro de treinamento e complementa a rotina com academia duas vezes por semana. Miguel segue ritmo semelhante, e Mirela também dedica boa parte de seu tempo ao tatame. Quando há campeonatos próximos, os treinos se intensificam e, muitas vezes, incluem os finais de semana.

Mais que um esporte: uma forma de vida

O karatê, segundo os três atletas, vai além da prática esportiva. Felipe destaca a oportunidade de viajar e conhecer novas culturas e pessoas. Miguel valoriza a disciplina e os novos aprendizados, enquanto Mirela reforça a importância do respeito e do equilíbrio emocional.

O professor Erick Loth, que acompanha o desenvolvimento dos jovens desde a infância, também destaca a transformação proporcionada pelo esporte. “Nós vimos esses três crescerem dentro do tatame. Pegamos o Felipe com 6 anos, a Mirela ainda pequena, e o Miguel pouco depois. Hoje, olhamos para eles e percebemos não só a evolução técnica, mas a seriedade e a maturidade com que encaram o karatê. É um orgulho perceber que aquilo que começou como uma atividade escolar se tornou parte fundamental da vida deles”, afirma.

Segundo Erick, a trajetória de Felipe, Miguel e Mirela é exemplo de como o esporte pode abrir caminhos. “O karatê dá disciplina, concentração e ensina a lidar com vitórias e derrotas. São aprendizados que não ficam só no tatame: eles levam isso para a escola, para as relações pessoais e para a vida. É gratificante ver jovens de uma cidade pequena como Pomerode competindo em nível nacional e mostrando que o esforço sempre traz resultados”, ressalta.

A força de Pomerode no karatê

A Associação Pomerodense de Karatê foi fundada em 1992 pelo Sensei Siegfried Goldacker e, atualmente, reúne entre 70 e 80 praticantes de diferentes idades, entre iniciantes e atletas de competição. “Muitos treinam por lazer e saúde, mas para quem decide seguir no competitivo, o karatê acaba virando uma filosofia de vida. Esses atletas aprendem a respeitar o próximo, a controlar as emoções e a superar seus próprios limites. É isso que buscamos passar em cada treino”, explica Erick.

Apesar de Pomerode ser uma cidade pequena do interior catarinense, os resultados mostram que a dedicação de atletas e professores tem colocado o município em evidência nacional. “Conquistar medalhas em campeonatos não é fácil, principalmente quando competimos com atletas de grandes centros. Mas ver Felipe, Miguel e Mirela conquistando espaço mostra que temos, sim, condições de chegar longe. O karatê ensina que não importa de onde você vem, mas sim até onde está disposto a ir”, acrescenta o professor.

Além dos resultados esportivos, a associação tem como objetivo aproximar a comunidade e transmitir valores fundamentais para crianças, jovens e adultos. “Deixo aqui o convite a todos os pomerodenses: venham conhecer o nosso espaço, participar de uma aula experimental e entender como o karatê pode transformar vidas. Tenho certeza de que fará bem para qualquer pessoa, seja criança, jovem ou adulto. O tatame está aberto para todos”, finaliza Erick Loth.

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