Incluir por meio do esporte
Jogos Paradesportivos Escolares de Pomerode reúnem mais de 100 atletas, em um dia muito especial de competições.
A superação dos limites foi a pauta esportiva da quinta-feira, dia 19 de abril, quando o Pavilhão de Eventos da Festa Pomerana foi palco de uma “competição” muito especial. Estamos falando dos Jogos Paradesportivos Escolares de Pomerode (Parajep), que chegou à sua 7ª edição em 2018. Muito mais do que ganhar ou perder, o intuito do evento é mostrar que as essas pessoas, muitas vezes, ainda excluídas da sociedade, têm o seu valor.
Foi um dia inteiro de muitas emoções, com a participação de mais de 100 atletas, de 20 instituições de ensino da região, vindos de cidades como Blumenau, Brusque, Timbó, Jaraguá do Sul e, claro, Pomerode. Ao paratletas competiram em cinco modalidades: 100m Rasos, 400m Rasos, Salto em Distância, Arremesso da Pelota e Tênis de Mesa. As categorias contempladas foram Deficiente Intelectual, Deficiente Físico e Portadores da Síndrome de Down.
Para a coordenadora do paradesporto pomerodense, professora Ilsani K. Baptista, este evento escolar é muito importante e tem vários objetivos. “O principal é a integração entre os atletas. Na escola tradicional, a inclusão existe, mas este é o ‘mundo’ deles. Outro ponto é a preparação para competições e, também para a fase adulta. Aqui,eles têm a oportunidade de desenvolver o seu potencial, o que, também, é uma ferramenta de inclusão”, destaca.
A professora acrescenta o vínculo que os profissionais do paradesporto regional possuem, trocando ideias e realizando competições. “O Parajep é o primeiro evento do ano e, ao longo de 2018, as outras cidades também organizarão festivais como esse. E o nosso objetivo, sempre, é melhorar e convidar mais cidades, para que façam parte das disputas”, conclui.
Ao final dos Jogos Paradesportivos Escolares de Pomerode, todos os participantes foram agraciados com uma medalha de participação.
A história do Paradesporto
O movimento esportivo teve início na cidade de Aylesbury, Inglaterra. A pedido do governo inglês, o neurologista Ludwig Guttmann, que fugira da perseguição aos judeus na Alemanha nazista, criou o Centro Nacional de Lesionados Medulares no Hospital de Stoke Mandeville, destinado a tratar homens e mulheres do exército inglês feridos na Segunda Guerra Mundial. Embora já se promovessem atividades esportivas para portadores de deficiência, principalmente na Inglaterra, Estados Unidos e Alemanha, foi em 1948 que este conceito ganhou caráter oficial, com a realização dos Jogos de Stoke Mandeville.
O próprio Dr. Guttmann organizou o evento, que contou com a participação de 16 atletas veteranos de guerra. A realização dos jogos coincidiu com a disputa, em Londres, da XIV Olimpíada, demonstrando o desejo de seu idealizador de que, um dia, os portadores de deficiência tivessem a sua Olímpiada. Os métodos de Guttmann foram se expandindo pelo planeta. Médicos do mundo inteiro começaram a adotar a prática sistemática do esporte como parte essencial da reabilitação médica e social dos pacientes. Graças a essa notoriedade, em 1952, um grupo de veteranos de guerra holandeses participou da competição, que ganhou o caráter de Jogos Internacionais de Stoke Mandeville.
O sonho olímpico de Guttmann viria a se concretizar no ano de 1960, em Roma. Antonio Maglio, diretor do Centro de Lesionados Medulares de Ostia, na Itália, propôs que os Jogos Internacionais de Stoke Mandeville se realizassem, naquele ano, na capital italiana, imediatamente após a XVI Olímpiada e nas mesmas instalações. Os Jogos Paraolímpicos, com a denominação de Olimpíadas dos Portadores de Deficiência, reuniu400 esportistas em cadeira de rodas, de 23 países. A competição teve todo o apoio das autoridades italianas e a própria primeira-dama, Carla Grinchi, abriu os Jogos no Estádio Olímpico de Roma. O Papa João XVIII recebeu os participantes em audiência privada e elogiou o trabalho de Guttmann, comparando-o ao criador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna: “O senhor é o Coubertin dos portadores de deficiência”, disse. Em 1976, na cidade canadense de Toronto, outros grupos de portadores de deficiência aderiram. Nesse mesmo ano, a Suécia sediou, pela primeira vez, as Paralimpíadas de Inverno. Fonte: PortoWeb