Grupo Folclórico Alpino Germânico celebra 57 anos preservando tradição germânica em Santa Catarina
Fundado em 29 de setembro de 1968 em Blumenau, o Grupo Folclórico Alpino Germânico é pioneiro no estado de Santa Catarina na etnia germânica e mantém viva a cultura bávara e tirolesa por meio da dança
Foto: Jornal de Pomerode
O Grupo Folclórico Alpino Germânico consolidou-se como referência na preservação e divulgação do folclore germânico no sul do Brasil. Fundado em 29 de setembro de 1968 pelo austríaco Francisco Zmazek, o grupo é reconhecido como pioneiro em Santa Catarina na prática do Schuhplattler — sapateado típico dos Alpes germânicos.
Em setembro de 2025, o grupo completou 57 anos de atividades, celebrados em um evento festivo que reafirmou a vitalidade do Grupo Folclórico Alpino Germânico na terceira década do século XXI e a manutenção da “simplicidade e alegria presentes no folclore alpino”.
Fundação e visão de Francisco Zmazek (1968–1969)
O Grupo Folclórico Alpino Germânico surgiu da iniciativa de Francisco e Linda Zmazek, que idealizaram um grupo voltado à preservação autêntica das danças germânicas. A formalização ocorreu em 29 de setembro de 1968, na localidade de Testo Salto, em Blumenau, com um núcleo inicial de dez integrantes além do casal fundador.
Durante oito meses, os dançarinos ensaiaram coreografias tradicionais. Linda Zmazek ficou responsável pela confecção dos primeiros trajes e pelas coreografias, enquanto Francisco dedicou-se ao sapateado, base do estilo alpino. A primeira apresentação pública do grupo ocorreu em 5 de maio de 1969, durante a Festa dos Cantores, em Blumenau.
Com o passar dos anos, o grupo recebeu um convite do então prefeito Eugênio Zimmer para instalar-se em Pomerode, garantindo apoio para a continuidade das atividades. Assim, em 1983 o Grupo Folclórico Alpino Germânico transferiu-se para a cidade, onde mantém sua sede até hoje.
Identidade cultural e autenticidade alpina
O grupo mantém um repertório centrado nas tradições da Bavária e do Tirol, com atenção à autenticidade das coreografias. O traje oficial é uma réplica do Miesbacher Tracht, que inclui o tradicional Lederhosen masculino, reforçando a ligação direta com a herança cultural alpina.

Foto: Jornal de Pomerode
A filosofia da instituição valoriza a dança como expressão cultural. Com simplicidade e alegria, os integrantes carregam o lema “Dançar é viver”, que tem contribuído para a continuidade do grupo ao longo de mais de cinco décadas.
Repertório e evolução musical
O principal elemento do repertório é o Schuhplattler, sapateado masculino característico dos Alpes bávaros e austríacos, equilibrado pela leveza do Dirndldrahn, o giro feminino. Inicialmente, as danças eram acompanhadas por violão e acordeão, mas ao longo do tempo o grupo incorporou o bandoneon, instrumento associado à herança pomerana, criando uma síntese cultural que conecta o folclore alpino à identidade local de Pomerode.
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Essa adaptação musical reforça a relevância regional do grupo sem comprometer a autenticidade do estilo alpino original.
Comemoração de 57 anos: 1ª Hamburgada
O aniversário de 57 anos foi celebrado no sábado, dia 27 de setembro de 2025, no Clube Desportivo Testo Central Alto, com o formato da 1ª Hamburgada, reunindo apresentações folclóricas, música ao vivo e gastronomia.
O evento contou com hambúrgueres tradicionais e vegetarianos, além de batatas fritas, e reuniu grupos convidados de Pomerode, Blumenau, Timbó e São Bento do Sul, evidenciando o papel do Grupo Folclórico Alpino Germânico como referência na difusão da cultura germânica em Santa Catarina.
Eternos Alpinos: quando a tradição vira laço de amizade
Além das apresentações oficiais e da continuidade do trabalho cultural, o Grupo Folclórico Alpino Germânico mantém viva uma rede de amizades formada por ex-integrantes que seguem conectados pela história e pela experiência compartilhada na dança.
O grupo paralelo, conhecido como “Eternos Alpinos”, reúne ex-membros de diferentes gerações que, mesmo após deixarem o palco, permanecem ligados à instituição. O reencontro entre antigos dançarinos ocorre em eventos sociais, apresentações especiais e celebrações que reforçam o vínculo humano criado pela convivência dentro do grupo.

Foto: Jornal de Pomerode
Essas reuniões preservam a memória coletiva do grupo e simbolizam a força de uma tradição que ultrapassa o tempo. O movimento dos “Eternos Alpinos” demonstra que a experiência folclórica não se limita às coreografias, mas também representa a construção de vínculos duradouros entre pessoas unidas pela valorização da cultura germânica.
A iniciativa tem servido como um espaço de memória afetiva, reforçando o legado dos fundadores e celebrando o sentimento de pertencimento que o Grupo Folclórico Alpino Germânico despertou ao longo de quase seis décadas de história.
Estrutura, continuidade e legado
A gestão do Grupo Folclórico Alpino Germânico está sob direção de André Cristiano Siewert, que alia trabalho voluntário à organização de eventos que garantem sustentabilidade cultural e financeira. A participação do grupo em programas de incentivo e sua inclusão em portais culturais regionais evidenciam um processo de profissionalização da gestão.
Atualmente, as danças e coreografias estão sob coordenação de Carla Andréia Maske e Lucas André Krahn, que buscam constante aprimoramento e originalidade nas apresentações.
O legado do grupo ultrapassa as apresentações artísticas. O exemplo do Alpino Germânico inspirou a criação de novos grupos e consolidou a tradição da dança germânica em Santa Catarina, mantendo uma base de autenticidade alpina que serve de referência para toda a região.
57 anos de cultura viva
O Grupo Folclórico Alpino Germânico celebra 57 anos preservando e difundindo a tradição germânica em Santa Catarina. Fundado por Francisco Zmazek em 1968, o grupo estabeleceu padrões de autenticidade cultural que incluem dança, trajes e repertório musical.
A combinação entre fidelidade histórica, adaptação cultural e gestão organizada garante que o Alpino Germânico siga ativo, promovendo a cultura germânica e mantendo viva a alegria do folclore alpino para futuras gerações.