Cultura

Grupo Folclórico Alpen Bach mantém viva a tradição germânica com novas gerações

Criado em 2000, o grupo reúne crianças, jovens e adultos apaixonados pela dança e pela cultura alemã

18 de outubro de 2025

Foto: João Petrazzini / JP

O Grupo Folclórico Alpen Bach, de Pomerode, segue firme em sua missão de preservar a cultura germânica através da dança. Criado em julho de 2000, inicialmente apenas com a categoria infantil, o grupo se consolidou e hoje também conta com a categoria juvenil/adulta, criada em 2009, durante a 26ª Festa Pomerana.

Com coreografias que têm origem na Bavária, Tirol e Pomerânia, o Alpen Bach se diferencia pelo uso do tradicional sapateado tirolês, conhecido como Schuhplattler, que se tornou uma marca registrada das apresentações.

“Paixão pela dança”

Para a presidente do grupo, Marli Hafemann Meier, o lema “Paixão pela Dança” resume o espírito do Alpen Bach. “É esse sentimento que nos move, que mantém os ensaios acontecendo, que dá força para preparar figurinos e apresentações e, principalmente, para transmitir às novas gerações a alegria de dançar”, destacou.

A coordenadora Camile Lümke, que ingressou ainda criança no grupo, hoje atua tanto como dançarina quanto na orientação das crianças. “Eu cresci dentro do Alpen Bach. Entrei com seis anos e agora, aos 22, sigo no adulto, mas também coordeno o infantil. É uma forma de devolver ao grupo tudo o que aprendi aqui”, explicou. Ela lembra que a energia das crianças contagia e exige criatividade. “Eles têm o momento da bagunça, mas quando percebem que é hora de levar a sério, entendem e executam direitinho as coreografias. É um orgulho ver a evolução deles.”

As novas gerações

Entre os pequenos integrantes, a vontade de estar no grupo é movida pelo desejo de viver a cultura. A jovem Maria Vitória Dallmann, por exemplo, contou que se inspirou em familiares para participar. “Eu gosto muito da cultura e achei legal transmitir isso para outras pessoas. Minha prima também dança, no Edelweiss, então já havia uma ligação na família.”

Já Bettina Borges Hoffmann e Cristal Maria Rosa, que entraram juntas há um ano e meio no grupo, reforçam o entusiasmo. “Eu gosto muito. Os ensaios são legais e a gente aprende bastante”, destaca Bettina. Para ambas, a música preferida é a coreografia América, uma das mais animadas e recentes no repertório infantil.

Os trajes típicos, confeccionados artesanalmente por costureiras locais, seguem modelos trazidos pelos imigrantes há mais de 180 anos, reforçando a autenticidade. Para os integrantes, vestir-se com as roupastradicionais é mais do que parte da dança, é um elo com a história dos antepassados.

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Categoria mirim do Grupo Folclórico Alpen Bach. (Foto: João Petrazzini / JP)

 

Projeção além de Pomerode

Ao longo dos anos, o Grupo Alpen Bach conquistou espaço em eventos dentro e fora da região. Patrick Geriel Alves e Jenifer Gabriela Sabin, integrantes da categoria juvenil/adulta, destacaram a emoção de representar Pomerode em outras cidades e estados, levando consigo o nome da “cidade mais alemã do Brasil”.

A presidente reforça que a presença em diferentes lugares é uma forma de valorizar a cultura local e, ao mesmo tempo, abrir horizontes para os dançarinos. “Cada apresentação é uma troca. Mostramos nossa tradição e também aprendemos muito com outras culturas.”

Festa, arrecadação e trabalho voluntário

Além das apresentações culturais, o Grupo Folclórico Alpen Bach mantém sua sustentabilidade por meio de ações comunitárias. Todos os anos, em julho, promove uma festa que se tornou tradição, reunindo integrantes, familiares e comunidade em torno da cultura germânica.

Em 2025, o evento ganhou ainda mais destaque ao ser realizado em formato de baile comemorativo pelos 25 anos do grupo. Nessas ocasiões, além da confraternização, há arrecadação de recursos, seja por meio de rifas, que costumam oferecer dezenas de prêmios, seja com parte da receita de apresentações e contribuições espontâneas.

Todo o trabalho, desde a organização até a execução, é feito de forma voluntária pelos integrantes, movidos pelo lema que guia o Alpen Bach: “Paixão pela Dança”.

Olhar para o futuro

Com ensaios realizados quinzenalmente no Clube Alto Rio do Testo, o Alpen Bach segue se reinventando sem perder a essência. A coordenadora lembra que, sempre que as crianças dominam bem o repertório, novas coreografias são introduzidas, resgatando danças tradicionais já existentes e renovando o repertório. “A tradição se mantém justamente porque é sempre trazida de volta, mesmo quando a gente apresenta algo novo”, observa Camile.

Mais de duas décadas após sua fundação, o Alpen Bach mostra que a paixão pela dança não conhece idade e que a preservação do folclore depende da união entre gerações.

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