Foguete da SpaceX vai atingir a Lua na madrugada desta quarta-feira; impacto deve criar cratera de 27 metros
Estágio superior de um Falcon 9, que permaneceu mais de 18 meses em órbita após missão lunar, entrou em rota de colisão devido à ação da gravidade e da atividade solar
Foto: Marcelo Zurita / Olhar Digital
Um estágio superior de um foguete Falcon 9, da SpaceX, deve colidir com a superfície da Lua na madrugada desta quarta-feira (5). O impacto está previsto para ocorrer por volta das 3h35 (horário de Brasília) e deve formar uma cratera de aproximadamente 27 metros de diâmetro, oferecendo aos cientistas uma oportunidade para estudar os efeitos de colisões na superfície lunar.
O equipamento permaneceu por mais de 18 meses em órbita após participar de uma missão lunar lançada em janeiro de 2025. Embora o impacto não tenha sido planejado, mudanças graduais em sua trajetória acabaram colocando o objeto em rota de colisão com o satélite natural da Terra.

Crédito: arXiv (2026). DOI: 10.48550/arxiv.2607.14625
Como o foguete acabou indo parar na Lua?
O Falcon 9 foi lançado transportando duas sondas privadas: a Blue Ghost, da Firefly Aerospace, e a Resilience, desenvolvida pela empresa japonesa ispace.
A missão teve resultados diferentes para as duas espaçonaves. A Blue Ghost conseguiu pousar com sucesso e completar sua missão, enquanto a Resilience não obteve êxito na tentativa de aterrissagem.
Já o estágio superior do foguete seguiu um destino incomum. Em lançamentos desse tipo, a SpaceX normalmente realiza uma reentrada controlada na atmosfera terrestre para descartar esse componente. No entanto, nesta missão, praticamente todo o combustível foi consumido para transportar as sondas até a região da Lua, impossibilitando essa manobra.
Com cerca de 4 mil quilos, o estágio permaneceu em uma órbita elevada que cruzava a região lunar, até que fatores naturais alteraram seu percurso.
Gravidade e atividade solar mudaram a trajetória
Segundo Julianna Scheiman, diretora de programas de ciência da NASA e das cápsulas Dragon na SpaceX, uma combinação entre a atividade solar e as forças gravitacionais foi responsável por modificar lentamente a órbita do objeto, colocando-o em rota de colisão com a Lua.

Crédito: Geovandro Nobre
O caso chama a atenção da comunidade científica por evidenciar um desafio crescente da exploração espacial: o destino de equipamentos que continuam vagando pelo espaço após o encerramento de suas missões.
Entre os principais dados sobre o impacto estão:
- O estágio superior pesa cerca de 4 mil quilos;
- A colisão deve formar uma cratera de aproximadamente 27 metros;
- O evento permitirá estudar como impactos alteram a superfície lunar;
- As informações poderão contribuir para o planejamento de futuras missões tripuladas e possíveis bases na Lua.
Impacto pode ajudar pesquisas sobre futuras missões lunares
Apesar da importância científica, a colisão dificilmente poderá ser observada pela maioria das pessoas na Terra, pois ocorrerá no lado iluminado da Lua.

Crédito: Douglas Matos – iStockPhoto
Ainda assim, astrônomos equipados com telescópios de grande porte poderão tentar registrar a pluma de material e poeira lançada pelo impacto, o que poderá fornecer dados valiosos para pesquisas sobre a superfície lunar e os riscos que futuros equipamentos e estruturas poderão enfrentar durante missões de longa duração.
Fonte: Olhar Digital