FIV e FeLV: entenda as doenças que ameaçam a saúde dos gatos e saiba como prevenir
Conhecidas como AIDS felina e leucemia felina, as doenças virais não têm cura, mas podem ser prevenidas com testes, vacinação e cuidados adequados
Foto: Imagem Ilustrativa / Envato Elements
Os gatos conquistaram espaço definitivo nos lares brasileiros e, junto com o carinho dos tutores, cresce também a preocupação com a saúde e o bem-estar desses animais. Entre as enfermidades que mais preocupam médicos-veterinários estão a Imunodeficiência Viral Felina (FIV) e a Leucemia Viral Felina (FeLV), duas doenças infectocontagiosas que podem comprometer seriamente a qualidade de vida dos felinos.
Embora sejam doenças graves e ainda sem cura, especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a principal forma de proteção.
O que são FIV e FeLV?
A FIV, conhecida popularmente como “AIDS felina”, é causada por um vírus da família dos lentivírus, a mesma do HIV humano. A doença afeta diretamente o sistema imunológico do gato, tornando-o mais vulnerável a infecções, inflamações e outras enfermidades.
Já a FeLV, ou Leucemia Viral Felina, é provocada por um retrovírus e considerada ainda mais agressiva. A doença pode causar imunossupressão, anemias severas, tumores, linfomas e reduzir significativamente a expectativa de vida do animal.

Foto: Imagem Ilustrativa / Envato Elements
Apesar das semelhanças, ambas são doenças exclusivas dos gatos e não são transmitidas para seres humanos nem para outras espécies.
Como ocorre a transmissão?
A principal forma de transmissão da FIV acontece quando a saliva de um gato infectado entra em contato com a corrente sanguínea de um animal saudável, geralmente por meio de mordidas durante brigas. O vírus também pode ser transmitido por arranhões, acasalamento, parto e amamentação.
No caso da FeLV, a transmissão ocorre com maior facilidade. O contato com saliva, urina, fezes e secreções de gatos infectados pode espalhar o vírus. Compartilhamento de comedouros, bebedouros, caixas de areia, lambeduras e limpeza mútua entre os animais também representam risco.
A transmissão da FeLV pode ocorrer ainda da mãe para os filhotes durante a gestação ou pela amamentação.
Quais são os sintomas?
Os sinais clínicos podem variar de acordo com cada animal.
Na FIV, alguns gatos podem permanecer anos sem apresentar sintomas. No entanto, por conta da queda da imunidade, tornam-se mais suscetíveis a doenças respiratórias, problemas bucais como gengivite e estomatite, além de alterações de pele e infecções recorrentes.
>>> Siga o canal do Jornal de Pomerode no WhatsApp
Com a progressão da doença, também aumenta o risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer e transtornos neurológicos.
Já os principais sintomas da FeLV incluem:
- Febre;
- Apatia;
- Perda de peso;
- Falta de apetite;
- Anemia;
- Diarreia;
- Fraqueza;
- Linfonodos aumentados;
- Infecções frequentes na pele, vias respiratórias e bexiga;
- Gengivas e mucosas pálidas;
- Estomatite.
Como muitos desses sinais podem estar relacionados a outras doenças, a avaliação veterinária é fundamental.
Diagnóstico é essencial
O diagnóstico das duas doenças é feito por meio de exames laboratoriais, principalmente os testes ELISA e PCR.
O exame ELISA é realizado a partir de uma amostra de sangue e consegue detectar anticorpos da FIV e antígenos da FeLV. Já o PCR é utilizado para confirmação dos resultados e avaliação mais detalhada da infecção.

Foto: Imagem Ilustrativa / Envato Elements
Veterinários recomendam que todo gato recém-adotado, que será introduzido em um ambiente com outros felinos ou que apresente sintomas compatíveis seja submetido à testagem.
Existe tratamento?
Atualmente, não há cura para a FIV nem para a FeLV.
O tratamento é voltado ao controle dos sintomas, fortalecimento do sistema imunológico e prevenção de doenças secundárias. Com diagnóstico precoce e acompanhamento veterinário adequado, muitos gatos positivos conseguem viver por vários anos com qualidade de vida.
Como prevenir?
A prevenção continua sendo a medida mais eficaz contra as duas doenças.
Entre os principais cuidados recomendados estão:
- Manter os gatos sem acesso à rua;
- Evitar contato com animais desconhecidos;
- Realizar testes antes da adoção ou introdução de novos gatos no ambiente;
- Castrar os animais, reduzindo fugas e brigas;
- Garantir alimentação de qualidade;
- Manter consultas veterinárias periódicas;
- Oferecer um ambiente seguro e com baixo nível de estresse.
No caso da FeLV, existe vacina preventiva indicada para gatos que testam negativo para a doença. Antes da aplicação, é indispensável realizar o teste para confirmar que o animal não é portador do vírus.
Há vacinas que protegem exclusivamente contra a FeLV e outras que incluem proteção contra diferentes enfermidades felinas. Embora nenhuma vacina ofereça proteção total, a imunização, associada às demais medidas preventivas, reduz significativamente o risco de infecção.
Informação e prevenção salvam vidas
Médicos-veterinários reforçam que a conscientização dos tutores é uma das principais ferramentas no combate à FIV e à FeLV. O diagnóstico precoce, a vacinação quando indicada e os cuidados preventivos permitem que muitos gatos tenham uma vida longa e saudável.
Mais do que oferecer carinho e alimentação, cuidar de um gato também significa protegê-lo de doenças silenciosas que podem comprometer sua saúde. E, quando o assunto é FIV e FeLV, prevenir continua sendo o melhor caminho.