Vale do Itajaí

Fim do Vale Europeu? Projeto na Alesc propõe mudar nome da região

Proposta apresentada pelo deputado Marquito revoga lei de 2024 que oficializou a denominação “Vale Europeu”

1 de julho de 2026

Foto: Vale Europeu Catarinense

A denominação “Vale Europeu”, utilizada oficialmente para identificar a região metropolitana que reúne municípios como Blumenau, Pomerode, Gaspar, Indaial, Timbó e Brusque, pode estar com os dias contados. Um projeto de lei complementar apresentado pelo deputado estadual Marquito (PSOL), de Florianópolis, propõe revogar a legislação aprovada em 2024 que instituiu oficialmente o nome.

A proposta já começou a tramitar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Segundo a justificativa do parlamentar, a atual denominação privilegiaria apenas parte da formação histórica da região, deixando de reconhecer a participação e a presença dos povos indígenas.

A iniciativa, no entanto, encontrou resistência entre parlamentares do Vale do Itajaí.

Membro da CCJ e integrante da Bancada do Vale do Itajaí, o deputado estadual Napoleão Bernardes (PSD) afirmou que atuará para manter a atual nomenclatura. Para ele, o termo “Vale Europeu” representa uma identidade histórica, cultural e turística construída ao longo das décadas pelos municípios que integram a região.

“O respeito às diferentes visões faz parte da democracia, e tenho respeito pelo deputado Marquito. Mas, na minha avaliação, a denominação ‘Vale Europeu’ não exclui ninguém. Ela reconhece características históricas e culturais que ajudaram a construir a identidade da nossa região”, afirmou.

Segundo Napoleão, fazem parte do Vale Europeu municípios como Blumenau, Pomerode, Gaspar, Indaial, Timbó, Apiúna, Ascurra, Rodeio, Brusque, Guabiruba e Doutor Pedrinho, entre outras cidades marcadas pela influência de descendentes de alemães, italianos, austríacos e poloneses. De acordo com o deputado, essa herança permanece presente na arquitetura, gastronomia, tradições e festas típicas da região.

Vale do Itajaí continua reconhecido

O parlamentar também rebate um dos principais argumentos apresentados na justificativa do projeto. Segundo ele, a legislação estadual não substituiu a identidade do Vale do Itajaí, mas organizou o território em diferentes regiões metropolitanas.

“A lei preserva o Vale do Itajaí como a grande macrorregião do Estado e estabelece três regiões metropolitanas em seu território: o Vale Europeu, o Alto Vale do Itajaí e a Foz do Rio Itajaí. Ou seja, o Vale do Itajaí continua existindo e sendo reconhecido. O Vale Europeu, portanto, é apenas uma das regiões que o integram”, destacou.

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Napoleão acrescenta que reconhecer a herança europeia não impede a valorização dos povos originários.

“O próprio nome ‘Itajaí’, que identifica toda a macrorregião, tem origem indígena, derivada do tupi-guarani. Isso demonstra que é perfeitamente possível reconhecer e valorizar, ao mesmo tempo, tanto a presença dos povos indígenas quanto a contribuição dos imigrantes que ajudaram a formar nossa região.”

Marca consolidada para o turismo

Outro argumento apresentado pelo deputado é o reconhecimento da expressão “Vale Europeu” como uma marca consolidada para a promoção turística de Santa Catarina.

Segundo ele, eventos tradicionais da região reforçam essa identidade cultural, como a Oktoberfest, em Blumenau, a Fenarreco, em Brusque, e a Festa do Imigrante, em Timbó, além de outras celebrações que preservam a história da imigração europeia.

Napoleão afirmou que defenderá a manutenção da atual denominação durante a tramitação da proposta na CCJ.

“Entendo que o nome ‘Vale Europeu’ representa uma identidade construída ao longo das décadas e reconhecida pela própria população. Vou atuar para que essa denominação seja preservada, sempre com respeito às diferentes opiniões e valorizando toda a riqueza histórica e cultural que forma a nossa região.”

Caso avance nas comissões da Alesc, o projeto seguirá para votação em plenário.

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