Exportadoras do Vale do Itajaí já sentem queda nos pedidos dos EUA, aponta pesquisa da FIESC
FIESC alerta para risco de desemprego e endividamento, cobrando ações do governo para mitigar impactos
Foto: Portonave/Divulgação
Na manhã desta quinta-feira, 1º de agosto, a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) divulgou uma pesquisa apontando os impactos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras.
As indústrias exportadoras do Vale do Itajaí já sentem os efeitos das tarifas, mesmo antes da medida entrar em vigor.
Dados da FIESC revelam que 69,23% das empresas da região tiveram redução no volume de pedidos de clientes norte-americanos. A pesquisa ainda aponta que, se as tarifas forem mantidas, 72,1% das indústrias locais podem demitir funcionários nos próximos seis meses.
O anúncio das tarifas, feito em junho, gerou insegurança no mercado. Além da queda nos pedidos, 53,84% das empresas suspenderam embarques, 38,46% enfrentam pressão para reduzir preços, e 17,7% já adotaram férias coletivas.
“O cenário é preocupante, mas há um movimento positivo: 61,4% das empresas estão prospectando novos mercados para reduzir dependência dos EUA”, destaca Pablo Bittencourt, economista-chefe da FIESC.
Previsões para os próximos meses
A manutenção das tarifas pode agravar a situação financeira das empresas, especialmente as de pequeno e médio porte. Segundo a pesquisa:
-
93,8% das exportadoras projetam queda no faturamento, com 51,2% estimando perdas acima de 30%.
-
72,1% preveem demissões, sendo que 29,5% podem cortar mais de 30% dos empregos.
“Esses números exigem ações urgentes para preservar empregos e a economia local”, afirma Mario Cezar de Aguiar, presidente da FIESC.
Produtos mais afetados
Os setores de madeira e móveis, que representam 44% das exportações do Vale do Itajaí para os EUA, estão entre os mais impactados. Competidores como China (25%) e Vietnã (37%) dominam partes significativas do mercado norte-americano, aumentando a pressão sobre as empresas catarinenses.
Enquanto aguardam definições sobre possíveis isenções, as indústrias do Vale do Itajaí aceleram a diversificação de mercados. “A lista de exceções é complexa. Cada empresa deve analisar seu caso específico”, explica Maria Teresa Bustamante, da Câmara de Comércio Exterior da FIESC.