Espetáculo de teatro de bonecos chega a Pomerode e revela tradição centenária do Kasperl
“Kasperl e o pão que o diabo amassou”, da Cia. Alma Livre, será apresentado no Clube Pomerode e integra circulação por 12 cidades catarinenses
Foto: Divulgação
A tradição do teatro de bonecos de origem alemã ganhará espaço em Pomerode neste fim de semana com a apresentação do espetáculo “Kasperl e o pão que o diabo amassou”, da Cia. Alma Livre, de Jaraguá do Sul. A montagem será encenada no sábado, 6 de junho, às 15h, no Clube Pomerode, como parte de uma circulação que percorre 12 cidades de Santa Catarina.
O espetáculo carrega uma longa trajetória de pesquisa, criação e resgate cultural. Inspirada na tradição do Kasperltheater — teatro popular de bonecos bastante difundido entre os imigrantes alemães — a montagem começou a ser desenvolvida há mais de uma década e reúne elementos históricos, artesanais e contemporâneos.
A origem do projeto está ligada à trajetória da atriz, diretora e bonequeira Mery Petty, coordenadora da Cia. Alma Livre. Ainda criança, ela foi impactada pelas apresentações da bonequeira Móin-Móin, nome artístico da imigrante alemã Margarethe Schlünzen, considerada uma das principais referências do teatro de bonecos em Santa Catarina.

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“Recordo especialmente dos bonecos, do som do violino e do ursinho usado para convidar as crianças para as apresentações. Na época, eu nem sabia que era ela quem manipulava os bonecos. Só fui descobrir isso já adulta”, relembra Mery.
O contato com a história de Móin-Móin motivou a artista a aprofundar suas pesquisas sobre o teatro de Kasperl. Um dos marcos desse processo foi o acesso a um livro de 1944, escrito por Gustav Resatz, considerado uma referência para a linguagem. A obra, originalmente em alemão, serviu de base para a construção dos personagens e da dramaturgia.
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Ao longo dos anos, a companhia desenvolveu uma coleção de 17 bonecos confeccionados em papel machê, cada um com características próprias. Cerca de dez deles integram a versão atual do espetáculo, que passou por adaptações para dialogar com questões contemporâneas.
Embora mantenha suas raízes em narrativas populares e elementos do imaginário medieval, “Kasperl e o pão que o diabo amassou” incorpora reflexões sobre temas como fome, desigualdade e solidariedade. Na trama, o personagem Kasperl assume um papel ativo na resolução dos conflitos, buscando alternativas que beneficiem toda a comunidade.

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Processo artesanal
Os bastidores da montagem também evidenciam o trabalho artesanal característico do teatro de bonecos. A estrutura da empanada — palco tradicional utilizado nesse tipo de encenação — foi construída pela própria equipe. Cortinas, estandartes, cenários e adereços foram desenvolvidos especialmente para compor ambientes como a casa da avó e um castelo presente na história.
Segundo Mery Petty, detalhes que parecem simples exigem planejamento e execução cuidadosa. Além disso, diferentes profissionais participaram da criação da cenografia, dos figurinos, dos adereços e da trilha sonora.
A sonoplastia também foi construída de forma colaborativa. Sons e efeitos foram produzidos com materiais reciclados e incorporados à narrativa, contribuindo para o ritmo e a dinâmica da encenação.

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Circulação pelo Estado
A realização do espetáculo foi viabilizada por meio do Programa de Incentivo à Cultura (PIC), do Governo de Santa Catarina, com aprovação da Fundação Catarinense de Cultura e incentivo das empresas Grupo Tigre, Urbano Alimentos e Grupo Kyly.
A circulação prevê 15 apresentações até agosto, passando por cidades como Joinville, Rio do Sul, Blumenau, Florianópolis, Chapecó, Criciúma, Lages e Pomerode.

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Sobre a companhia
Com sede em Jaraguá do Sul, a Cia. Alma Livre atua na pesquisa e difusão do teatro de formas animadas, com foco no teatro popular de bonecos. Liderado por Mery Petty e formado também pelos artistas Nicoli Pereira e Vinícius da Cunha, o grupo acumula sete espetáculos em repertório e diversas temporadas de circulação por Santa Catarina.