Escola José Bonifácio celebra 85 anos com resgate da história e reencontro de gerações
A história da escola remonta a tempos ainda mais antigos: sua origem está ligada à antiga escola alemã Schulgemeinde Pomeroda, Stadplatz, fundada por volta de 1910
Foto: Isadora Brehmer/JP
No mês de julho, a Escola de Educação Básica José Bonifácio, carinhosamente conhecida como JB, celebra seus 85 anos de história em Pomerode. A comemoração, porém, vai muito além de uma simples data no calendário. Envolve memórias vivas, reencontros emocionantes e um profundo resgate da trajetória de uma das instituições de ensino mais tradicionais do município.
A história da escola remonta a tempos ainda mais antigos: sua origem está ligada à antiga escola alemã Schulgemeinde Pomeroda, Stadplatz, fundada por volta de 1910, por iniciativa do Pastor Burger e membros da Paróquia Evangélica de Rio do Testo. Em 1924, a administração passou para a Prefeitura de Blumenau, e com o processo de nacionalização do ensino, foi assumida pelo Estado de Santa Catarina em 1936.

Foto: Isadora Brehmer/JP
A atual sede da escola foi inaugurada oficialmente em 27 de julho de 1940, com a presença do então Interventor Federal, Dr. Nereu Ramos, em um terreno doado por Frederico Weege. A partir dali, nascia o Grupo Escolar José Bonifácio, que cresceu, se transformou e se adaptou ao longo das décadas.
Hoje, com 23 turmas de Ensino Médio e 635 alunos, a escola segue como referência em educação na região. O diretor Eduardo Voigt explica que as comemorações dos 85 anos foram pensadas para valorizar quem fez parte dessa caminhada:
“Nossa proposta é trazer para a escola, nesse primeiro momento, ex-alunos que passaram por aqui, que se formaram, e também ex-professores e professores inativos. É uma forma de valorizar todos esses profissionais que passaram por aqui, e de trazer aos ex-alunos a lembrança desse tempo que viveram na escola. O foco é o resgate. Quando os alunos estão aqui, eles querem que o tempo passe logo. Mas depois que se formam, vem a saudade. Isso que faz falta pra eles. E é isso que queremos reacender.”
O reencontro com a história e com colegas marcou profundamente o professor aposentado Uwe Hass, que atuou na escola por mais de três décadas:
“Entrei na escola em 1990 e me aposentei no fim de 2022. Sempre tive as portas abertas aqui. Quando volto, sou recebido com carinho. É muito bom ver que o José Bonifácio está firme, indo bem, com uma gestão muito legal. A escola mudou, claro. Os anos 90 foram uma coisa, os anos 2000 outra, e hoje é diferente. Mas ela está viva. Voltar para cá sempre é bom. Se não fosse, eu não voltaria.”

As comemorações se estenderão ao longo do segundo semestre, com eventos ainda por vir. A escola participará do desfile de 7 de Setembro com pelotões de ex-alunos e ex-professores. Outras atividades ainda estão sendo planejadas como parte da gincana comemorativa, incluindo exposições temáticas e homenagens.
Entre os que voltaram para rever a escola, Locadi Zeplin Voigt, ex-aluna, se emocionou ao lembrar dos tempos em que estudava ali, nos anos 1950:
“Naquela época, a gente vinha descalço, a pé, uns três quilômetros. O uniforme era blusa branca e saia escura de prega. A merenda vinha em caneco, sem colher, mas a gente comia com gosto. Aprendi muito aqui: responsabilidade, respeito, a ler e escrever em português e alemão. Isso tudo me acompanha até hoje. É um louvor estar viva para ver essa comemoração.”
A memória também foi reavivada por Conrado Heinert, de 86 anos, que estudou na escola entre 1946 e 1947, e retornou ao local após décadas:
“Vinha para a escola de bicicleta e, às vezes, a pé. Estudávamos português e alemão. Fiquei muito feliz por voltar à escola depois de tanto tempo.”
O sentimento de pertencimento passa de geração em geração: o filho de Conrado, Nalcio Heinert, também estudou na escola e relembra com carinho os tempos de estudante, quando entrou em 1973 e cursou até a 8ª série.
Ao longo dos 85 anos, a Escola José Bonifácio deixou de ser apenas uma instituição de ensino para se tornar parte da história pessoal de milhares de pomerodenses. Eduardo Voigt resume com emoção o verdadeiro espírito da comemoração:
“A escola está viva porque foi construída por muitas mãos. Cada aluno, cada professor, cada família fez parte dessa trajetória. Os 85 anos não são apenas números. São histórias, são vidas entrelaçadas por um mesmo espaço.”
E assim, o JB segue, com o olhar voltado para o futuro, mas com raízes fincadas em uma história rica e afetiva — celebrada com gratidão, orgulho e muita emoção.
