Esporte

Erick Loth: a filosofia e a força do karatê em Pomerode

Na entrevista, ele detalha a missão de moldar a inteligência emocional de jovens promessas, analisa o alto nível do cenário competitivo em Santa Catarina e explica como a Associação Pomerodense de Karatê continua focada em forjar cidadãos

26 de agosto de 2026

Foto: Arquivo pessoal

Com uma trajetória que começou aos oito anos nos tatames locais, o professor de Educação Física revela como a disciplina das artes marciais se tornou a sua principal bússola.

Na entrevista, ele detalha a missão de moldar a inteligência emocional de jovens promessas, analisa o alto nível do cenário competitivo em Santa Catarina e explica como a Associação Pomerodense de Karatê continua focada em forjar cidadãos exemplares para muito além do esporte no Vale do Itajaí.

Como surgiu o seu interesse pelo karatê e como foi o início no esporte?

Comecei a praticar aos oito anos de idade. Eu sempre fui uma criança bem agitada e gostava muito de assistir a seriados japoneses e filmes de artes marciais da época, como os do Van Damme e do Bruce Lee. Fiquei pedindo ao meu pai, até que ele me matriculou na academia do Sensei Zigfried, em Pomerode, que até hoje é o presidente da Associação Pomerodense de Karatê e com quem trabalho atualmente.

Como aconteceu a sua transição de praticante para atleta e, posteriormente, professor?

Fui evoluindo nas faixas e peguei gosto pelas competições. Fui campeão estadual, regional e cheguei ao campeonato brasileiro. Na época do vestibular, vi na Educação Física um caminho legal. Foi complicado conciliar a parte competitiva com os estudos, exigiu muita disciplina e cheguei a abrir mão de algumas competições. Quando me formei em Florianópolis, tive a primeira oportunidade de auxiliar uma turma. Ao voltar para Pomerode, o Sensei Zigfried abriu as portas para eu trabalhar na Associação, ajudando a formar a nova safra de atletas.

O que o karatê e o esporte em si significam para a sua vida?

O karatê me ajudou muito na questão da disciplina, do foco, do comprometimento e do respeito à hierarquia. O ambiente do esporte molda a sua mentalidade: para vencer, você precisa treinar, suar e se esforçar. Na vida, seja no âmbito profissional ou acadêmico, você precisa passar por essa parte do trabalho duro primeiro para alcançar seus objetivos. Como meu pai sempre dizia: primeiro o trabalho, depois a recompensa.

Qual é a sua responsabilidade na formação mental de crianças e jovens, sabendo dos desafios atuais da juventude?

Eu começo a trabalhar com crianças a partir dos seis anos e cresço com elas, agindo quase como um irmão mais velho. Foco muito no desenvolvimento da inteligência emocional, pois hoje os jovens sofrem bastante com ansiedade e bullying. Trago minha vivência para mostrar que as dificuldades não são o fim do mundo. O karatê é uma luta, mas nosso objetivo é formar pessoas de bem, centradas e cidadãos exemplares para a sociedade. A competição esportiva é apenas o segundo momento, reservado àqueles que demonstram interesse e potencial.

Como o senhor avalia o atual cenário competitivo do karatê em Pomerode, frente a outras grandes potências do estado?

A Associação Pomerodense de Karatê existe desde 1992 e o cenário evoluiu muito. Santa Catarina é um dos estados mais fortes do Brasil no karatê, o que nos obriga a manter um nível muito alto desde a base, competindo com polos fortes como Joinville e Blumenau. Nos últimos anos, ganhamos medalhas na Olesc, Joguinhos Abertos, Campeonato Brasileiro e, recentemente, nossa equipe foi campeã geral na Taça Santa Catarina. Temos um apoio fundamental da Prefeitura e da Secretaria de Esportes que viabiliza nossas viagens e resultados.

É um desafio manter esses atletas competindo quando chegam à vida adulta, considerando a questão financeira?

O esporte funciona em ciclos. O Bolsa Atleta ajuda muito a segurar o jovem na faixa dos 15 aos 18 anos. No entanto, quando chega a época da faculdade ou a pressão para trabalhar, muitos acabam largando, porque a vida de atleta amador não paga o suficiente para viver do esporte. Mas nós vemos isso de forma positiva: se o aluno saiu do tatame para fazer uma faculdade ou trabalhar e se tornou um bom cidadão, nosso principal objetivo de formação foi alcançado com sucesso.

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