Especiais

Envelhecer em Pomerode: comunidade, vínculos e os desafios da longevidade

Cidade Mais Alemã do Brasil aposta em convivência, saúde e apoio social para garantir dignidade à população idosa

18 de outubro de 2025

Atividades no CRAS valorizam a experiência de vida, por meio de atividades culturais, recreativas e educativas. (Foto: Eliane Cristina / JP)

A longevidade é um dos maiores triunfos da civilização moderna, mas também um dos grandes desafios da sociedade. Em Pomerode, onde a cultura alemã se mistura ao ritmo tranquilo do interior, a população idosa ocupa cada vez mais espaço no cenário social e demográfico.

Envelhecer com dignidade, saúde e pertencimento é a meta que une famílias, poder público e comunidade na chamada “Cidade Mais Alemã do Brasil”.

Um cenário de longevidade em crescimento

Santa Catarina vive um processo acelerado de envelhecimento. Entre 2012 e 2022, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais passou de 11% para 14,5%, segundo o IBGE. A estimativa é que, até 2034, um em cada cinco catarinenses esteja na terceira idade. O estado já figura entre os cinco mais envelhecidos do Brasil e tem a segunda maior expectativa de vida aos 60 anos.

Esse movimento, conhecido como “onda de prata”, reflete a queda na taxa de natalidade e o aumento da longevidade. Para os municípios, significa planejar saúde, lazer, infraestrutura e convivência para garantir qualidade de vida às novas gerações de idosos.

Pomerode em números

Pomerode tem 34.263 habitantes, de acordo com o Censo de 2022. Entre eles, 3.657 têm 65 anos ou mais. A idade mediana é de 37 anos, e o índice de envelhecimento é de 61,27%, abaixo da média nacional de 80%. Dados da Secretaria de Saúde, atualizados até agosto de 2025, ampliam esse retrato: o município possui 6.511 moradores com 60 anos ou mais, sendo 2.921 homens e 3.590 mulheres. Do total, há números que chamam a atenção e ligam um alerta, 1.208 são diabéticos e 3.700 convivem com hipertensão.

>>> Siga o canal do Jornal de Pomerode no WhatsApp

O crescimento populacional, aliado ao aumento de idosos, mostra o duplo desafio da cidade: oferecer serviços para famílias jovens e, ao mesmo tempo, se preparar para a demanda crescente da terceira idade.

CRAS também oferece atenção especial aos idosos. (Foto: Eliane Cristina / JP)

 

Clube Sênior: 30 anos de convivência e amizade

Fundado em 1992 pelo voluntário Bernardo Francener, o Clube Sênior é hoje uma das maiores associações do gênero em Santa Catarina, com cerca de 400 associados. Ao longo de três décadas, tornou-se referência em encontros mensais, festas comemorativas e eventos culturais, como a Festa do Colono.

Mais do que lazer, o clube representa vínculos de amizade e pertencimento. Para muitos associados, cada encontro é a chance de socializar, dançar e celebrar tradições. Um exemplo de como a própria comunidade se organiza para criar sua rede de apoio.

CRAS e a valorização de memórias

O poder público também atua com iniciativas de integração. Em 2025, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) retomou o grupo de idosos do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), que havia ficado parado por falta de equipe.

Os encontros, realizados quinzenalmente, atendem idosos em vulnerabilidade social ou isolamento. Neste ano, o grupo desenvolve o projeto Livro de Memórias, em que os participantes registram histórias de vida, fotografias e lembranças. A ideia é lançar uma coletânea até dezembro.

“O grupo tem uma importância especial porque atinge justamente os idosos que muitas vezes não frequentam a cultura ou o esporte, e que vivem em situação de isolamento”, explica Vanila Maria Paes Tillmann, coordenadora do CRAS.

Esporte e lazer em todos os bairros

A Secretaria de Eventos, Esporte e Lazer (Seel) mantém atividades voltadas à terceira idade. O calendário inclui tardes dançantes, o Mês do Idoso em outubro e os Jogos Municipais da Pessoa Idosa.

Além disso, há aulas de ginástica, hidroginástica e vôlei adaptado em bairros, centros comunitários e ginásios. A descentralização garante acesso à prática de atividades físicas e fortalece a socialização.

Foto: Eliane Cristina / JP

 

Ginástica é uma das atividades oferecidas ao público da terceira idade. (Foto: Eliane Cristina / JP)

 

Saúde e bem-estar como prioridade

A saúde é um ponto sensível no envelhecimento. Em Santa Catarina, as principais causas de internação de pessoas acima de 60 anos são doenças respiratórias e circulatórias. Em Pomerode, há médicos geriatras e profissionais com formação em geriatria, mas o número ainda é restrito diante da demanda que tende a crescer.

De janeiro a julho deste ano, a equipe multiprofissional da Atenção Primária (eMulti) realizou 368 atividades coletivas, como grupos terapêuticos, práticas corporais, socialização, saúde mental, ações educativas e atividades de reabilitação. Nessas ações, foram registradas 1.516 participações de pessoas idosas. Além disso, 22 passaram por avaliação multidimensional, recebendo orientações e encaminhamentos.

São ações que representam um esforço de promoção da saúde, socialização e prevenção. Somam-se a elas as campanhas do Ministério da Saúde, como vacinação e cuidados contra doenças crônicas.

Pomerode como destino da longevidade

Envelhecer em Pomerode é, em grande parte, uma experiência marcada pelo senso de comunidade, pela tranquilidade e pela preservação cultural. Mas exige também atenção em saúde, planejamento urbano e inclusão social.

A cidade avança com iniciativas comunitárias, serviços municipais e políticas de lazer. O desafio agora é consolidar essa rede e ampliar o acesso a serviços de saúde especializados, para que todos os idosos possam viver com dignidade.

O que diferencia Pomerode é a soma de fatores: tradição cultural, qualidade de vida, segurança, lazer e serviços de apoio. Para quem já vive aqui, é a certeza de que envelhecer pode ser um processo digno e feliz. Para quem pensa em visitar ou até se mudar para o Vale do Itajaí, a cidade surge como opção cada vez mais atrativa para viver bem em todas as idades.

Notícias relacionadas