Esporte

Entre manobras, um estilo de vida

Skate busca o seu valor, após o grande destaque nas Olimpíadas de Tóquio.

15 de agosto de 2021

Uma modalidade, por muitas vezes, colocada pela sociedade em um lugar de pouco destaque. Mas que mostrou seu valor nas Olimpíadas de Tóquio, trazendo para o Brasil três orgulhosas medalhas de prata. O Skate, nas últimas semanas, se colocou, novamente, em um patamar de destaque e provou que, com respeito e dedicação, pode ser praticado de maneira democrática.

Em Pomerode, a modalidade ganhou seu primeiro destaque em dezembro de 2002, quando a Pista de Skate, localizada nos fundos do Parque de Eventos, foi inaugurada. Desde então, os amantes deste esporte podem fazer suas manobras e, inclusive, participar de campeonatos.

Um deste praticantes iniciou muito cedo. Édrian Félix dos Santos, de 30 anos, mais conhecido como Toledo, começou a andar de skate em 2004, influenciado por um amigo, e nunca mais parou. “Foi paixão à primeira vista. Quando vim pra cá, naquele ano, comecei a praticar, mais como um hobby, mas logo participei de uma competição, ali mesmo na pista, onde fiquei em 4º lugar, na categoria iniciante”, relata.

 

Toledo pratica o Skate desde 2004  |  Foto: Bob Gonçalves / Jornal de Pomerode


 

Desde então, Toledo vem acompanhando a evolução da modalidade em nossa cidade, apesar de ela ainda sofrer certo preconceito. “Ao longo dos anos, no entanto, isso vem mudando. Até porque, agora sendo uma modalidade olímpica, acredito que vamos conseguir quebrar esse tabu. Temos que começar a ver o Skate com bons olhos, pois, para as crianças, a prática favorece o aprendizado motor e desenvolvimento da coordenação. Já para os adultos, há uma melhora no condicionamento físico, consequentemente, na qualidade de vida. O destaque durante as Olimpíadas foi muito positiva, para quem prática o esporte, porque acredito que teremos mais iniciativas, a partir de agora”.

Mesmo com boas perspectivas, Santos enfatiza que o Skate poderia ter mais apoio, principalmente, do Poder Público. “Há muitos praticantes em nossa cidade, mas ainda falta incentivo à modalidade. Seria muito interessante termos novos locais para a prática, com planejamento e projetos que viabilizem facilitar o acesso a todos”.

 

Pomerflip

Diante deste desafio, os praticantes não ficaram de braços cruzados. Tanto que, em agosto de 2019, o grupo de amigos organizou o 1º Pomerflip, com a participação de 50 skatistas, divididos em três categorias. E como não poderia deixar de ser, o evento foi um sucesso. “Nós pensamos no evento como forma de incentivo para as novas gerações, porque, desde 2006, não houve outra competição deste tipo em nossa cidade. Inclusive, aproveitamos essa ideia para arrecadar alimentos e contribuir com a sociedade, de alguma forma. Infelizmente, por conta da pandemia, não conseguimos mais fazer novos eventos. Mas esperançosos que tudo isso passe e possamos voltar a realizar o Pomerflip, brevemente”.

 

Alimentos arrecadados pelos organizadores do 1º Pomerflip  | Foto: Arquivo JP


 

Na ocasião, 300 pessoas passaram pelo local, ao longo do dia, sendo arrecadados 371kg de alimentos, que foram divididos entre 11 famílias carentes da nossa cidade.

Por conta deste tipo de atitude, Toledo destaca que o Skate é muito mais do que um esporte, e sim, um estilo de vida. “Ver todo fim de semana a pista, cheia de vida, nos motiva a continuar lutando pela modalidade. Eu incentivo entre todos a prática, porque se trata de um esporte onde você testa seu limites. Além de ser muito democrático, colocando num mesmo espaço, crianças, adolescentes, adultos, e por aí vai. Afinal, como diria o saudoso Chorão, ‘descer de corrimão não é pra qualquer um, não; Skate não é crime, manobra de ação’”, finaliza.

 

Pista de Skate voltou a receber uma competição, em 2019  | Foto: Arquivo JP


 

Skate nas Olimpíadas 2020

Modalidade estreante em Tóquio, o Skate deu ao Brasil três medalhas e, com certeza, contribui para que o País batesse o recorde de conquistas nas Olimpíadas.

Inclusive, a primeira medalha brasileira veio justamente desta modalidade, com Kelvin Hoefler, no Skate Street, somando 36,15 pontos. O ouro foi do japonês Yuto Horigomi (com 37,18 pontos) e o bronze ficou com o americano Jagger Eaton somando 35,35. 

O brasileiro chegou a liderar boa parte da final, mas acabou sendo ultrapassado pelo representante do Japão durante a prova das manobras individuais. Em alguns momentos, inclusive, ele estava fora da zona de medalhas, mas se recuperou de forma espetacular e fazendo a melhor nota na última manobra, garantiu a medalha. O outro brasileiro na competição, Felipe Gustavo, o Bochecha, acabou eliminado na fase inicial.

 

Kelvin Hoefler  |  Foto: Rodolfo Vilela


 

Ainda no Skate Street, a maranhense Rayssa Leal, a Fadinha, de apenas 13 anos, também conquistou a prata e o coração de grande parte dos brasileiros. A premiação fez dela a medalhista mais jovem, na história da participação brasileira nos Jogos.

Natural de Imperatriz (MA), a atleta marcou 14,64 na somatória, e só foi superada pela dona da casa Nishiya Momiji (15.26), também de 13 anos. Outra japonesa, Funa Nakayama, de 16 anos, levou o bronze (14.49).

Fadinha encantou nas manobras e na descontração: sorridente ele chegou a dançar algumas vezes, sem se deixar abater pela pressão da decisão por medalha. A estratégia que lhe garantiu a segunda medalha do Brasil.

 

Rayssa Leal  |  Foto: Wander Roberto / COB


 

E para finalizar, tivemos um catarinense entre os melhores, desta vez, no Skate Park. O “manezinho” Pedro Barros garantiu a segunda posição da prova com a nota de 86,14 pontos, que alcançou logo em sua primeira tentativa. A medalha dourada ficou com o australiano Keegan Palmer, que fez uma volta espetacular e obteve a nota de 95,83 em sua última oportunidade. Com 84,13, o americano Cory Juneau faturou o bronze e fechou o pódio.

Além de Pedro Barros, o Brasil foi representado na grande decisão por Luiz Francisco, que terminou em quarto, com 83,14 pontos, e por Pedro Quintas, o oitavo, com 38,47.

 

Pedro Barros  |  Foto: Mike Blake


 

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