Duas histórias, um legado: educadoras de Pomerode encerram ciclo com gratidão e inspiração
Confira os relatos de Lorizete Pegorini e Aneli Klotz Rothbarth, que se aposentaram recentemente
Foto: Arquivo Pessoal
Após décadas dedicadas à formação de gerações, as professoras Lorizete Pegorini e Aneli Klotz Rothbarth encerram oficialmente suas trajetórias na rede municipal de ensino de Pomerode. Com histórias marcadas por entrega, superação, amor à profissão e vínculos profundos com a comunidade escolar, ambas se aposentam deixando um legado que vai muito além da sala de aula.
Lorizete Pegorini: a escola como extensão do coração
Com 33 anos de atuação na educação, sendo 20 deles dedicados exclusivamente à Escola Básica Municipal Dr. Amadeu da Luz, Lorizete construiu uma trajetória marcada pela inovação, acolhimento e cuidado com cada detalhe da rotina escolar. Sua história começou ainda jovem, em Salto Veloso, quando substituía professores de licença, inclusive em escolas multisseriadas, e passou por Blumenau, onde atuou como professora de informática, antes de se estabelecer em Pomerode.

Foto: Arquivo Pessoal
“Minha motivação nasceu na infância. Lembro com carinho do dia em que, na 2ª série, ganhei um prêmio por não ter faltado nenhum dia. Aquilo me marcou profundamente. Eu queria ser como os professores que admirava tanto. E com o tempo, a vida foi me levando para a educação, de forma natural e apaixonada”, conta.
Entre os muitos desafios enfrentados ao longo da carreira, Lorizete cita a adaptação às mudanças tecnológicas, a pandemia e, especialmente, o início difícil na Escola Amadeu da Luz:
“Quinze dias depois da minha chegada, a escola foi assaltada. Levaram tudo. Foi um momento impactante. Vi colegas chorando, a comunidade em choque. Mas também vi a força que temos quando nos unimos. Ali entendi que a escola era mais que um prédio: era uma grande família”.
Momentos marcantes não faltam. Lorizete recorda com emoção os projetos que desenvolveu, como a Rádio A Voz do Amadeu, as campanhas sustentáveis e os vídeos sobre os 150 anos da escola — além da série “Coisas que Pomerode Fala”, que ultrapassou 77 mil visualizações.
“Mas o que mais me tocou foi o envolvimento das pessoas. A APP, os alunos, a direção. Todos abraçavam as ideias com entusiasmo. Para mim, a escola sempre foi como minha casa, e cada projeto era cuidado com o coração. Educar é um ato de entrega. Aprendi sobre paciência, respeito às diferenças e o poder das pequenas atitudes. Mesmo nos bastidores, com zelo e cuidado, é possível transformar realidades.”
Sobre o momento da despedida, ela fala com emoção: “É uma mistura de gratidão e saudade. Fui uma das primeiras a chegar e, muitas vezes, a última a sair. A Escola Amadeu da Luz foi meu segundo lar. Saio com o coração cheio por ter vivido tudo isso intensamente. Façam tudo com vontade, propósito e amor. A educação exige entrega, mas também nos devolve sentido e realização. Chegar ao fim do dia com a certeza de que se deu o melhor — essa é a maior recompensa.”
Aneli Klotz Rothbarth: uma vida inteira dedicada ao Almirante Barroso
Para Aneli Klotz Rothbarth, a paixão pela educação nasceu muito cedo, nas brincadeiras de infância com bonecas e no fascínio pelos livros.

Foto: Arquivo Pessoal
“Meus pais sempre diziam que eu ficava do lado do meu irmão fazendo tarefa, querendo entender tudo. Quando brincava com amigas, era sempre de escolinha. Ser professora era um sonho antigo, que se tornou realidade.”
Sua trajetória começou oficialmente em 1990, como substituta na Escola Almirante Barroso, onde anos depois viria a assumir a direção. Passou por outras instituições como CEIM Rosa Borck, CEIM Damaris Frahm e CEIM Nora Krueger Dallmann, atuou na Secretaria de Educação entre 2001 e 2006 e retornou à direção da Almirante Barroso em dois períodos: 2009 a 2016 e 2021 até julho de 2025, quando encerrou oficialmente sua carreira.
“Eu vivia a escola. O primeiro dia de aula é inesquecível e precisa sempre ser planejado com muito cuidado. Também nunca vou esquecer as festas escolares, as formaturas dos 9º anos, os conselhos de classe e até os ensaios da fanfarra. Cada momento teve um significado especial”, relembra.
Entre as lições deixadas pela carreira, Aneli destaca valores que a guiaram por mais de três décadas: “Paciência, saber ouvir, tratar todos com respeito, encorajar as pessoas e sempre colocar meus planos nas mãos de Deus. Aprendi que, quando a gente trabalha com propósito, tudo flui melhor. Espero ter contribuído para que cada um encontrasse um caminho mais tranquilo, mais calmo. Hoje tudo é tão corrido. Eu sempre procurei respeitar o tempo de cada um.”
O momento da despedida foi duplamente emocionante. “Fui surpreendida em duas ocasiões: uma na festa escolar em junho e outra na Festa Julina. Minhas pernas tremeram, chorei muito. Eu digo que saí do Almirante, mas o Almirante não saiu de mim.
A educação está em mim. Estou me adaptando a essa nova etapa. Já estou matriculada em especializações que queria fazer há tempos, sou voluntária na Rede Feminina e participo ativamente da minha igreja.”
Para os que estão começando na carreira, Aneli deixa um conselho cheio de esperança:
“Amem a profissão. Trabalhar na educação não é fácil, mas é recompensador. Estudem sempre, sintam realização no que fazem. Que cada professor e professora seja uma bênção na vida de seus alunos. Juntos, com dedicação, podemos alcançar a excelência.”