Cultura

Doppelkopf: um jogo para gerar momentos de diversão e manter amizades

Jogo de origem alemã foi trazido pelos imigrantes e é mantido por moradores de Pomerode

29 de junho de 2024

Foto: Isadora Brehmer / JP

Um jogo trazido pelos imigrantes pomeranos, que ainda é um passatempo para quem o conhece e tem a habilidade para compreendê-lo.

No alemão, o jogo de cartas é chamado de “Doppelkopf” e não há uma tradução adequada para a palavra. Ele é jogado com o baralho tradicional, utilizando as cartas de número 10, os Valetes, as Damas e os Ases. Ao longo das partidas, os jogadores se expressam sempre em alemão, já que um jogo de origem germânica.

Em Pomerode, um dos grupos que ainda domina o Doppelkopf é formado pelos amigos Ivo Hansen, Arnoldo Manske, Egon Guenther, Elio Just e Nelson Just. Segundo os amigos, o jogo é uma forma de se divertirem e aproveitaram um tempo de confraternização.

“Nós nos reunimos às segundas-feiras, à noite, no Clube Germano Tiedt para jogarmos o Doppelkopf. É jogo muito gostoso, que aprendemos ainda na juventude”, contam.

Em outras oportunidades, os amigos também se reúnem na residência de alguém, geralmente na varanda, aproveitando também o ar livre. Para mostrar à nossa equipe um pouco de como o jogo funciona, o grupo se reuniu para uma tarde de jogos na Casa da Oma Hansen, da família de Ivo.

Enquanto a “jogatina” acontece, os amigos tem a companhia de Renate Hansen, esposa de Ivo, que completa a tarde de lazer com um delicioso café.

O Doppelkopf, segundo os jogadores, é difícil de ser compreendido e por vezes demorado de ser aprendido. O objetivo no Doppelkopf é formar jogos mais fortes, com as cartas disponíveis, citadas acima. Quem forma o jogo mais forte, soma mais pontos. Para quem assiste uma partida de Doppelkopf, pode se assustar, pois é comum os jogadores baterem na mesa, em uma jogada, mas apenas com o intuito de fazer barulho e tornar tudo ainda mais divertido.

Antes da partida começar, as cartas são distribuídas aos jogadores participantes. Então, um a um, eles jogam uma de suas cartas na mesa e o intuito é formar jogos, até que alguém lance a carta mais forte do que as demais e conquiste o “jogo”. Por exemplo, um jogo pode ser duas damas e dois 10.

Foto: Isadora Brehmer / JP

 

Dependendo da combinação disponível na mesa, a carta mais forte muda, e os jogadores se alternam em jogar cartas que recebem para sua mão, a fim de fazer um jogo mais forte ou tornar o jogo do adversário mais fraco. Ainda, algumas vezes, jogam três contra um, ou dois contra dois, que é o mais comum.

Um exemplo de jogo forte, segundo os amigos, é unir Valetes e Ases na mesa, por exemplo. “Dizemos que o objetivo principal do jogo é se divertir, é ter uma brincadeira, ficar em movimento e nos reunirmos para o lazer saudável. É um jogo muito gostoso, aprendido com a família ou amigos da região, ainda na infância”, contam.

Ou seja, por mais que exista um objetivo de obter as maiores pontuações com as cartas mais fortes, o maior intuito de jogarem juntos é cultivar a amizade e a tradição, aprendida com familiares ou com amigos que já sabiam como ele funcionava.

“Nós nos conhecemos durante a vida toda, não por causa do jogo, mas sim por morarmos na mesma região. Por ser um local menos povoado, é difícil não conhecer a maioria. No entanto, já não são muitas as pessoas que ainda sabem como jogar o Doppelkopf. Antigamente eram mais pessoas que dominavam o jogo, era a diversão de domingos á tarde. Os mais velhos saíam de casa após o meio dia, se reuniam e começavam a jogar durante a tarde”, relatam os jogadores, que tinham pais e avôs que costumavam jogar o Doppelkopf e ter estas reuniões, muitas vezes nas varandas das casas.

E para quem gosta de um bom jogo de cartas e se interessou, fica um alerta: aprender é uma tarefa complicada. Segundo os jogadores, é necessário muito tempo e atenção para aprender e, quando mais velho, mais difícil fica.

No entanto, segundo Egon, um dos jogadores, um exemplo bonito e “fora da curva” é um de seus netos, que tem 12 anos e já é um bom jogador de Doppelkopf.

A Casa Oma Hansen, onde o grupo se reuniu para sentar na varanda e jogar o Doppelkopf, é uma casa típica das primeiras gerações a se estabelecerem na região. As primeiras casas eram bem rústicas, feitas de “pau a pique” (Hütten) com troncos de palmito e telhados de folhas, tudo em meio à mata virgem. A segunda casa, já com tábuas serradas e telhado de madeira (schindeln) demonstrava prosperidade.

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