Esporte

Desde cedo, um apaixonado por duas rodas

A paixão pelas duas rodas de Nikolas Spredemann começou muito cedo, muito pela vivência da família dentro deste meio.

23 de junho de 2019

Três provas em 2019, três pódios e uma evolução nos resultados: de um quinto, para um segundo, para depois, o primeiro. Esta é a trajetória de Nikolas Spredemann, 13 anos, em sua temporada de estreia no Campeonato Catarinense de Downhill, categoria Infanto Juvenil. A paixão pelas duas rodas começou muito cedo, muito pela vivência da família dentro deste meio, uma vez que seu pai, Charles Spredemann Júnior, é proprietário de uma loja especializada e já participou de diversas competições, inclusive, fora do Brasil.

“Quando eu tinha cinco anos, fomos assistir um campeonato, em Balneário Camboriú, quando eu pedi para o meu pai comprar um capacete para mim. A partir daquele momento, comecei a gostar do esporte”, declara o menino, que passou a assistir vídeos de Downhill no Youtube, o que aumentou, ainda mais, a sua paixão.

 

Foto: Divulgação

Tanto que ele sempre andou na pista localizada atrás do Parque de Eventos, com uma bicicleta Rígida. No entanto, em 2018, a sua confirmação foi o “divisor de águas” na questão das competições. “Sempre tive vontade de comprar uma bike Full e quando fui confirmado, o dinheiro que ganhei quase dava para comprá-la. Aí meu pai meu ajudou, adquiri a bicicleta e comecei a treinar, visando a competição deste ano”, enfatiza.

Apesar de a família vivenciar esta questão 24h por dia, Júnior relata que nunca houve uma pressão para que seu filho seguisse pelo mesmo caminho. “Em casa, todos ‘respiramos’ a bike, inclusive, minha esposa e meu filho mais novo, Johannes, que, com quatro anos, ganhou o seu primeiro troféu. A família inteira sempre esteve envolvida, por isso, o caminho seguido pelo Nikolas foi muito natural. Tanto que ele compete por um esporte diferente do meu, mas dentro da modalidade”.

O jovem diz que ficou muito nervoso em sua estreia, na cidade de Ibirama, mas fez uma boa competição, tanto que conseguiu terminar na quinta colocação. “Já na etapa de Pomerode, eu estava mais nervoso ainda, pelo fato de ser no ‘quintal de casa’, o que dá mais pressão. Com isso, eu desci bem, mas caí e fiquei na segunda colocação”. Só que, na etapa de Botuverá, tudo deu certo, mas foi por pouco. “No treino livre, levei mais um tombo e acabei machucando as costas. Por isso, decidimos, eu e meu pai, que conseguiu consertar a bicicleta a tempo, andar de boa no Qualify e dar tudo de mim na final. E foi o que aconteceu. Desci bem e o resultado foi o título da etapa”, diz Nikolas, com orgulho.

Apesar de todos os percalços, o piloto pomerodense pretende continuar competindo, com grande expectativa para o restante da temporada. “Lá em cima, no grid de largada, procuro ficar tranquilo e fazer o meu melhor. Não penso em nada, apenas em tentar fazer uma prova perfeita. Eu não tenho medo de cair, pois o equipamento me dá a confiança necessária”, enfatiza.

 

Uma família unida pela bike. Foto: Divulgação

O pai também compartilha da mesma opinião, apesar do eventual risco que este esporte pode apresentar. “Lógico que ficamos apreensivos e com a expectativa de que ele consiga o resultado. Mas, principalmente, queremos que não se machuque, por isso, confiamos no equipamento e na segurança da bike”, comenta, ressaltando o apoio incondicional da família. “Nestas horas, temos que nos dividir em muitos, pois tenho que ser pai, mecânico, patrocinador, técnico, incentivador. Em qualquer esporte, o apoio familiar é que faz a diferença”.

Júnior completa dizendo que o esporte molda o caráter da pessoa e que isso está ajudando, e muito, o seu filho. “Eu vejo que o Nikolas, às vezes, fica muito nervoso com situações do cotidiano, e o Downhill o ajuda nessa parte, como, por exemplo, a lidar com o medo e ter a responsabilidade com horários, equipamentos e tomada de decisões. Até porque, uma escolha errada, pode custar a corrida dele”.

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