De colecionador na infância a empreendedor no universo das miniaturas
César Falcão criou o Garagem Vintage, empreendimento de personalização de miniaturas de carros, dos mais diversos modelos
Foto: Isadora Brehmer / JP
O que para muitos pode parecer apenas um hobby ou passatempo, para César Falcão se transformou em uma atividade que mistura memória afetiva, conhecimento técnico e empreendedorismo. Em Pomerode, ele encontrou o cenário ideal para dar vida a um negócio que transforma miniaturas automotivas em verdadeiras obras detalhadas, carregadas de história, identidade e precisão.
Segundo César, a relação com os carrinhos começou ainda na infância, quando o universo automotivo passou a fazer parte do cotidiano de forma quase natural. Os presentes recebidos dos pais ajudaram a construir, pouco a pouco, um interesse que se tornaria duradouro.
“Tudo começou quando eu era criança. Eu já tinha muitas miniaturas, de Mercedes, de carros esportivos como Porsche, Mustang, com modelos bem diferenciados mesmo. Eu sempre ganhava miniaturas dos meus pais, então foi uma paixão que foi incentivada no início, porque eu ganhava, mas acabei gostando muito. Com o tempo, isso foi crescendo, e eu comecei também a colecionar revistas do mundo automotivo. Eu tinha revistas de 1969, por exemplo, mesmo sendo de 1980. Então eu mergulhei nesse universo, buscando entender mais sobre carros, modelos, lançamentos, história automotiva”, relembra.
Esse interesse não ficou restrito à curiosidade. Ao longo dos anos, César aprofundou o conhecimento e construiu uma trajetória profissional ligada diretamente ao setor automotivo, experiência que hoje se reflete no nível de detalhamento de seu trabalho.
Ele atuou em diferentes frentes, passando por fábricas e concessionárias, além de vivenciar treinamentos técnicos que ampliaram sua percepção sobre engenharia, desempenho e características dos veículos.
“Eu tive uma fase em que me afastei um pouco das miniaturas por conta do trabalho, porque a rotina era intensa. Mas, ao mesmo tempo, eu nunca me distanciei do universo automotivo. Trabalhei em fábrica, na Renault, na área de qualidade, trabalhei em concessionárias da Volkswagen, Chevrolet, participei de treinamentos em autódromos. Tudo isso foi me dando uma base muito forte. Então, mesmo longe da coleção, eu continuava aprendendo sobre carros, sobre funcionamento, sobre detalhes que hoje eu aplico diretamente nas miniaturas”, explica.
Com o passar do tempo, o ritmo profissional acabou afastando César temporariamente do hobby. No entanto, a paixão nunca deixou de existir e houve um momento em que voltou com intensidade e se tornou parte fundamental da vida do morador de Pomerode.

Foto: Isadora Brehmer / JP
“Teve uma lacuna, um período em que eu parei de colecionar por causa do trabalho, da empresa, da correria do dia a dia. Mas depois eu comecei a sentir vontade de voltar. No final de 2025, comecei a postar algumas miniaturas no Instagram, sem compromisso, só para compartilhar mesmo. E aí eu percebi que as pessoas começaram a se interessar, perguntar, querer comprar. Foi quando eu pensei: vou anunciar para ver o que acontece. Confesso que foi com dor no coração, porque é uma coleção, tem apego, mas ao mesmo tempo eu entendi que aquilo podia virar algo maior. E aí virou comércio”, conta.
A partir desse ponto, o que era apenas uma retomada de hobby passou a se transformar em um negócio estruturado. Nascia, então, a “Garagem Vintage”, marca criada com o apoio direto da esposa, que também participa ativamente do processo.
O nome e a identidade visual foram pensados para refletir exatamente a proposta do trabalho: resgatar clássicos e contar histórias por meio de peças em escala reduzida.
“A marca surgiu dentro de casa mesmo. Minha esposa me ajudou a desenvolver a logomarca, pensar no conceito, no visual. A gente criou o nome Garagem Vintage e o slogan ‘Pequenos clássicos e grandes histórias’, que traduz muito bem o que a gente faz. Porque não é só vender miniatura, é trabalhar cada peça como se fosse um projeto, um resgate de história. E agora a gente também está trazendo o nome Miniaturas Pomerode junto, para valorizar a cidade, porque a gente gosta muito daqui, construiu a vida aqui”, destaca.
Morando atualmente em Pomerode, após sair de Curitiba e passar por Jaraguá do Sul, César encontrou na cidade não apenas um lugar para viver, mas também para empreender. A rotina em home office permite integrar trabalho, família e negócio no mesmo ambiente.
“Hoje a nossa vida está muito integrada. Eu trabalho aqui com as miniaturas, ela atende como psicóloga, também em casa, e a gente vai se ajudando. Muitas vezes ela vem aqui, mexe nas peças, ajuda a pintar, organizar. Ela mesma diz que isso acaba sendo terapêutico, esse processo manual. E realmente é, porque exige concentração, paciência, cuidado. É um trabalho que envolve muito detalhe”, relata.
E são justamente os detalhes que fazem toda a diferença no resultado final. Cada miniatura passa por um processo cuidadoso de customização, que vai muito além de simples ajustes estéticos.
Atenção aos detalhes é diferencial
O trabalho envolve técnicas específicas, muitas delas adaptadas do próprio setor automotivo, para garantir fidelidade e realismo.
“A gente utiliza tinta automotiva, caneta específica, pincel fino e até palito de dente, que dá uma precisão enorme. É um trabalho muito minucioso. Às vezes a miniatura vem sem detalhe nenhum, e a gente precisa construir tudo: pintar dobradiça, lanterna, painel, retrovisor, acabamento interno. O objetivo é trazer o máximo de realismo possível, fazer com que a peça se aproxime ao máximo de um carro de verdade. É um cuidado que exige tempo, mas que muda completamente o resultado”, explica.
Dentro desse processo, César também faz questão de destacar uma diferença conceitual importante: nem toda intervenção em uma miniatura é igual. Existe uma distinção clara entre customização e personalização.
“Customizar é quando você trabalha a miniatura para deixá-la o mais fiel possível ao modelo original. Você pesquisa, entende como era o carro real, quais eram os detalhes, e tenta reproduzir isso. Já a personalização é quando você vai além disso, quando você cria algo único, muda estrutura, inventa, traz um conceito diferente. Aí entra mais a criatividade. Mas tudo tem limite, claro, porque dependendo do material da miniatura, você pode acabar danificando a peça”, pontua.
Esse olhar técnico e cuidadoso também se estende à escolha e ao tratamento dos modelos. Muitas miniaturas disponíveis no mercado não são licenciadas oficialmente e chegam com menos qualidade ou fidelidade, o que abre espaço para intervenção.

Foto: Isadora Brehmer / JP
“Existem modelos que não são licenciados, que vêm mais simples, sem marca, sem detalhes mais refinados. E é justamente aí que entra o nosso trabalho. A gente pega essas peças e começa a trabalhar em cima delas, pintando, ajustando, colocando elementos que deveriam existir no modelo real. Às vezes é uma maçaneta cromada, um detalhe de seta, uma roda mais adequada. Tudo isso vai valorizando a miniatura e deixando ela com uma aparência muito mais realista”, afirma.
Além da venda de peças prontas, César também atende encomendas personalizadas, desenvolvendo projetos sob medida para clientes que buscam exclusividade ou têm uma ligação afetiva com determinado modelo.
Alguns desses trabalhos já tiveram destinos especiais, como uma miniatura de BMW entregue ao prefeito do município, escolhida a partir de diferentes opções apresentadas.
O cuidado em cada etapa, aliado ao conhecimento acumulado ao longo dos anos, faz com que cada miniatura carregue mais do que estética: carrega história.
Seja pela fidelidade ao modelo original, pela personalização criativa ou pelo resgate de clássicos que marcaram época, o trabalho desenvolvido em Pomerode mostra que, mesmo em escala reduzida, é possível alcançar um nível de riqueza e significado que ultrapassa o tamanho das peças.
Para quem deseja conhecer mais do trabalho de César com o Garagem Vintage pode seguir o perfil no Instagram (@vintage_garagem).