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Da infância ao reconhecimento: uma relação de amor com a arte

No mês em que se celebra o Dia do Desenhista, conheça os desafios de quem já atuou na profissão

4 de maio de 2025

Fotos: Arquivo pessoal

A arte sempre esteve presente na vida de Rafael Klabunde, 33 anos, pastor. Desde a infância, ele demonstrava talento e gosto por atividades manuais, principalmente o desenho. No entanto, após o período escolar, afastou-se dessa paixão por um tempo. Foi apenas em 2018 que decidiu retomar o desenho, buscando aprender mais técnicas e transformar essa prática em um hobby.

Na escola, Rafael já percebia sua aptidão para o desenho, o que o incentivava a praticar cada vez mais, tanto nas atividades escolares quanto em casa. Contudo, a ideia de tornar o desenho uma fonte de renda surgiu apenas em 2020, durante a pandemia.

Com uma pausa temporária no ministério pastoral, ele se dedicou a um trabalho na área de prevenção às drogas e grupos de apoio, o que lhe proporcionou mais tempo para desenhar e pintar. O que começou como um passatempo logo se tornou uma fonte de renda extra, quando amigos e conhecidos passaram a encomendar suas obras. Com a exposição nas redes sociais, os pedidos cresceram, abrangendo também clientes desconhecidos.

Técnicas e inspirações

Na infância, Rafael tinha preferência por desenhos em preto e branco, utilizando lápis e explorando luz e sombra para criar efeitos realistas. Quando retomou a prática em 2018, investiu em um curso online de desenho digital, onde teve seu primeiro contato com cores e caricaturas. Foi nesse período que surgiu sua paixão pela aquarela, técnica que hoje define grande parte de seu trabalho. Atualmente, ele se dedica principalmente a retratos de pessoas e animais, além de produzir caricaturas e ilustrações para histórias em quadrinhos.

Rotina e desafios

Apesar de continuar aceitando encomendas, Rafael tem sido mais seletivo, priorizando trabalhos que estejam alinhados ao seu estilo artístico. Como precisa conciliar o tempo entre a arte e o ministério pastoral, leva mais dias para finalizar cada peça.

“Normalmente levo em torno de 6 horas para fazer uma pintura em aquarela de duas pessoas (um casal por exemplo) – esse tempo é considerando todo o processo de preparo do material e ambiente, dialogo com o cliente sobre como posicionar o desenho na folha de pintura, fazer alguns testes de cores e assim por diante, até chegar à finalização da pintura. Mas esse tempo de 6 horas também é bem relativo – a qualidade da foto de referência ou até mesmo o tamanho da folha em que a arte será feita acabam afetando todo esse processo”, comenta.

Entre os desafios da profissão artística, Rafael destaca três pontos principais: o primeiro é atingir um nível de qualidade que desperte o interesse do público.

“Até chegar a esse ponto, uma boa quantidade de horas de estudo e dedicação é necessário. O segundo desafio é conseguir precificar a arte – por mais que você chegue num nível bom de finalização, isso não significa que as pessoas vão estar dispostas a pagar o que a sua arte vale. Muitas pessoas não compreendem o tamanho do investimento (não apenas financeiro, mas de dedicação e de tempo) por detrás de uma arte. E o terceiro desafio é conseguir uma boa quantidade de clientes e encomendas para sobreviver apenas desse trabalho – esse é um desejo que muitos artistas tem e, por mais que não seja meu objetivo, certamente foi perceptível que não é um caminho fácil de ser alcançado”, pondera

A magia do desenho

Para Rafael, desenhar é uma experiência imersiva, onde ele se desconecta do mundo e se entrega ao processo criativo. Ele se encanta ao ver as cores se mesclando na aquarela, criando composições únicas.

“Mas, mais do que isso, o que mais me emociona é perceber que minhas obras têm um significado especial para meus clientes. Muitas de minhas pinturas representam momentos marcantes, e perceber que aquilo não era apenas um enfeite para a casa, mas era a lembrança de um momento especial como um casamento, uma viagem em família ou o nascimento de um filho; ou ainda que aquela arte remete a uma pessoa amada e importante”, finaliza.

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