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Da desconfiança ao reconhecimento: a jornada de Tiago Schofer na capoeira

Ao longo dos anos, sua trajetória foi sendo construída com disciplina e propósito. Em 2016, recebeu do Mestre Bacico, que é um dos nomes mais respeitados da capoeira no Sul do Brasil, uma homenagem em reconhecimento ao seu trabalho de disseminação da modalidade.

31 de maio de 2026

Foto: Arquivo Pessoal

Em Pomerode, a história de Tiago Schofer, conhecido na capoeira como Professor Nanico, é marcada por persistência, fé e transformação. O que começou em 2006, a partir de um simples convite de um amigo para assistir a um treino, se tornou uma jornada de mais de 20 anos dedicada à prática e ao ensino da capoeira.

Naquela época, a realidade era diferente, conta o professor. A capoeira ainda não era amplamente reconhecida como esporte ou profissão. Para muitos, tratava-se apenas de uma brincadeira de adolescentes, visão que, inclusive, gerava dúvidas até mesmo dentro das famílias dos praticantes. Ainda assim, Tiago seguiu firme, acreditando no potencial transformador da arte.

Ao longo dos anos, sua trajetória foi sendo construída com disciplina e propósito. Em 2016, recebeu do Mestre Bacico, que é um dos nomes mais respeitados da capoeira no Sul do Brasil, uma homenagem em reconhecimento ao seu trabalho de disseminação da modalidade. Já em 2024, alcançou um dos marcos mais importantes de sua caminhada: a graduação como Professor de capoeira, resultado de anos de prática intensa e estudo.

Foto: Arquivo Pessoal

O ano de 2026, segundo ele, tem sido especialmente simbólico. Tiago foi homenageado com a comenda Guido Belz, concedida pela Câmara Municipal de Pomerode, e vive também outro momento marcante: levará seu primeiro aluno à graduação de formado em capoeira, um passo significativo dentro do sistema da modalidade e que representa a continuidade de seu trabalho.

O professor também fez questão de registrar um agradecimento especial ao vereador Deoclides Corrêa, responsável pela indicação da homenagem recebida no município. Para Tiago, o reconhecimento reforça a importância da capoeira como instrumento de transformação social.

Entre o atleta e o educador

Embora tenha construído sua base como atleta, hoje Tiago se dedica principalmente ao ensino. Ainda assim, ele reforça que o capoeirista nunca para de treinar. “Estamos sempre dando aulas e jogando na roda, que é o momento mais importante de toda prática”, destaca.
Atualmente, seu trabalho se estende por diferentes espaços da cidade: projetos em escolas, creches, atividades na praça e aulas em academia. Um movimento que demonstra não apenas o crescimento da capoeira, mas também o impacto social que ela pode gerar.

Foto: Arquivo Pessoal

O reconhecimento, segundo ele, é consequência natural de um trabalho construído com o tempo. “Sempre acreditei que viriam os resultados. O reconhecimento me pegou de surpresa por ser neste momento, mas foi na hora certa, pois estamos trabalhando muito e colhendo bons frutos”, afirma.

Desafios e propósito

Ao falar sobre dificuldades, Tiago adota uma visão equilibrada. Para ele, desafios fazem parte de qualquer trajetória. “Há momentos bons e momentos difíceis. Momentos de aproveitar e momentos de desistir ou encontrar novas formas. Penso sempre que o desafio nunca será maior que o desafiado”, reflete.

Mais do que conquistas individuais, sua caminhada é guiada por um propósito maior, resumido em uma única palavra: transformação.

É essa ideia que também define sua mensagem para a comunidade. “Que possamos sempre acreditar que vai dar certo, trabalhar muito e plantar boas sementes para as próximas gerações”, diz.

A história de Tiago Schofer é, acima de tudo, um exemplo de como a capoeira ultrapassa o movimento e se torna ferramenta de mudança, dentro e fora da roda.

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