Cuidando do presente, de olho no futuro
A Fesporte entende a importância das atividades, mas também, que primar pela saúde é manter-se em casa.
Como todos sabemos, o coronavírus fez com que, praticamente, todos os setores de nossas vidas, ficassem paralisados por algum tempo, em virtude da grande disseminação da doença que é vista pelo planeta. E o esporte não foge à regra, tanto que, todos os eventos esportivos, pelo mundo, foram paralisados ou cancelados.
Em Santa Catarina, o impacto foi igualmente forte nesta área. Tanto que, por meio do Decreto 509, em seu artigo 4º, ficaram suspensos, por tempo indeterminado, os eventos do calendário esportivo.
A Fesporte entende a importância das atividades para os atletas, mas entende, também, que, diante da grave situação que vem se instalando em todo o mundo, primar pela saúde é manter-se em casa, para evitar a propagação da doença. Por isso, todos os servidores da entidade, desde então, estão atuando em suas casas para atender a todas as necessidades. E como órgão de gestão esportiva, é preciso olhar, acima de tudo, para o bem-estar de todos, cumprindo as determinações da Secretaria de Saúde e do Governo Estadual.
Para falar um pouco sobre essa determinação e sobre o futuro esportivo de Santa Catarina, em 2020, o Jornal de Pomerode conversou com o presidente da Fesporte, Rui Godinho.

Rui Godinho, presidente da Fesporte (Foto: Arquivo Pessoal)
JORNAL DE POMERODE – COMO SERÁ O IMPACTO NO ESPORTE CATARINENSE, COM A SUSPENSÃO DOS EVENTOS ESPORTIVOS GERENCIADOS PELA FESPORTE?
RUI GODINHO – Estamos pensando em várias formas de como reenquadrar este calendário esportivo, com a situação da Covid-19. Independentemente do tempo em que essa situação permanecer, já estamos estudando de como iremos fazer, caso o Governador Carlos Moisés libere a realização destas competições. O prejuízo para a comunidade esportiva, caso elas não sejam realizadas, é imenso. Muitos atletas e técnicos precisam destes eventos para se manter no decorrer do ano, com o Bolsa-Atleta, por exemplo. E o não recebimento deste, ainda piora a situação econômica. A Fesporte, por exemplo, atende cerca de 300 mil pessoas. Digamos que, cada uma dessas pessoas gaste R$ 500,00, por ano, para poder participar de eventos da Fesporte – com a compra de tênis, vestuário, suplementos alimentares, academia, personal trainer, por exemplo. Só com isso, teríamos uma movimentação de R$ 150 milhões, por ano. E o orçamento da entidade é de, apenas, 1/5 disso. Portanto, a parada tem um prejuízo muito grande, na parte social, esportiva e econômica.
JP – QUAIS AS MODALIDADES OU COMPETIÇÕES QUE MAIS PODEM SER PREJUDICADAS COM ESTA PARADA?
RG – Todas as modalidades sairão prejudicadas. Na verdade, hoje nós já temos vários profissionais ligados ao esporte, professores de academias, personal trainers, pessoas que trabalham com o esporte, que estão em casa sem receber. Muitos estão começando a ficar apavorados, porque eles contavam com esse salário. É uma gama muito grande de profissionais que precisam que o esporte volte, com força. Claro, a prioridade é a saúde e todos anseiam por isso, mas essas pessoas estão aguardando, ansiosamente, para que isso seja superado, o quanto antes, para que possamos reestabelecer a vida normal.
JP – A FESPORTE JÁ TEM TRAÇADA ALGUMA ESTRATÉGIA PARA TENTAR MINIMIZAR ESSE IMPACTO OU PREFERE AGUARDAR OS DESDOBRAMENTOS DA DISSEMINAÇÃO DO CORONAVÍRUS EM SANTA CATARINA?
RG – Os servidores da Fesporte estão trabalhando em home office, de forma incessante, para que as coisas não parem. Estamos empenhados, pensando em vários cenários que possam se apresentar no futuro. Se essa suspensão for por 30, 60, 90 ou 120 dias, nós temos projetos, pois assim que for liberado pelo governador ou pelo secretário de Saúde, que já tenhamos a estratégia montada para poder concluir e apresentar o calendário para o restante de 2020.
JP – DE UM MODO PESSOAL, O QUE DE POSITIVO PODEREMOS TIRAR DE TODA ESSA SITUAÇÃO?
RG – Eu vejo que o futuro foi adiantado, tivemos um salto muito grande com essa pandemia, em que as pessoas vão, cada vez mais, trabalhar em suas casas, tanto para a iniciativa privada, quanto à pública. Outro aspecto positivo é que as pessoas irão trabalhar cada dia mais interligadas, tanto nas mídias digitais, quanto na informatização. Só que, também, vamos nos aproximar daqueles que são muito importantes. Vai estar todo mundo trabalhando nas suas casas, próximo à sua família, estando ligados naquilo que, realmente, é importante. Durante muito tempo, ficamos pouco dentro de casa e muito nas mídias sociais, até mesmo, falando com pessoas desconhecidas. Hoje, teremos a possibilidade de mudar essa situação e estarmos mais tempo com a nossa família.
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