Correr é preciso, mesmo sob suor e sangue
Em matéria de Corrida de Aventura, a nossa cidade está bem servida de atletas. Entre elas, figura a futura médica ortopedista Isabella Sandrini Pizzolatti, de 25 anos, que é uma apaixonada por esportes desde a sua adolescência.
Em matéria de Corrida de Aventura, a nossa cidade está bem servida de atletas. Entre elas, figura a futura médica ortopedista Isabella Sandrini Pizzolatti, de 25 anos, que é uma apaixonada por esportes desde a sua adolescência. “Eu participo de provas de rua desde os meus 16 anos. A primeira foi a Corrida Rústica de Pomerode, depois passei para Corridas de Trilha e Meia Maratona. Eu amo praticar esportes, mas nunca soube nem encostar numa bola e era sempre a última a ser escolhida nos times do colégio (risos). Por isso, migrei para modalidades individuais e me ‘encontrei’, como artes marciais e esportes mais radicais, entre eles, skate, surf e escalada”.
No entanto, a corrida sempre teve um lugar especial na sua rotina e no seu coração. “Correr é minha terapia! Não me importa tempos ou colocações, isso é só consequência. Eu tenho paixão pela modalidade, já faz parte de mim, eliminando todos os meus sentimentos ruins, estresses do dia a dia. É um momento só meu, eu e o asfalto, sem pensar em mais nada além dos quilômetros”, declara a pomerodense, que treina todos os dias da semana.
Essa paixão pelo esporte em si vem de família, uma vez que seus pais, profissionais da saúde, incorporam essa rotina nas suas vidas. “Meu pai é viciado em futebol e não abandona as partidas, nem mesmo quando trabalha madrugadas adentro. Além disso, ele também foi conquistado pela corrida e participou, esse ano, de uma prova. Outra coisa que gostamos bastante é de andar de bicicleta. É algo que a família toda faz junta”, reitera Isabella.
Só que nem tudo são flores na vida de um desportista. Tanto que, um episódio, ocorrido em outubro, vai ficar marcado, para sempre, na memória da pomerodense. O relato, que motivou a elaboração desta matéria, é impressionante e mostra a força de vontade e a coragem da futura ortopedista.
“Era uma prova de corrida de trilha em revezamento, o Mountain Do (a minha preferida). Minha equipe era composta por quatro meninas, então, ficamos com dois trechos cada uma. No meu primeiro, que tinha muitos morros, eu caí no quilômetro cinco, mais ou menos, e bati a cabeça numa pedra. Levantei com muito sangue e nem pensei, só continuei a correr. Não fazia sentido parar, pois a minha equipe dependia de mim também. Um corredor parou para me ajudar e disse que o corte era grande, tanto que me deu a sua faixa da cabeça dele para estancar o sangue. Neste momento, eu só calculava quantas horas eu tinha para terminar a corrida e poder ir para algum hospital, uma vez que o corte precisaria ser suturado em, no máximo, seis horas.
Terminei o trecho e fui pra ambulância. Lá eles limparam o ferimento e disseram que eu precisaria ir para o hospital naquele momento, pois não teria mais condições de continuar a prova. Escapei da ambulância e me dirigi a uma farmácia, onde tomei uma dipirona e comprei uma caixa de ‘band-aid’s’ de super heróis, afinal, sou uma nerd assumida (risos). E assim, decidi correr o último trecho e, só depois, ir para o hospital. Como não tínhamos gelo, compramos um bife congelado para eu colocar na cabeça (risos).
Corri mais 12 quilômetros só de subidas e, ao final, chegamos na quinta colocação geral. Eu gostaria de ter conseguido o pódio para a equipe mas, infelizmente, não deu. Todavia, valeu muito a experiência”.
Para 2018, Isabella já está programando participar de outros eventos, inclusive, internacionais. “Ano que vem, quero fazer a Meia Maratona de Buenos Aires e o Mountain Do Deserto do Atacama. E, dependendo da minha vida profissional, pretendo começar o rumo para minha Maratona completa e primeiro Triathlon”, pondera, acrescentando que, para quem quiser entrar nesse mundo, força de vontade é fundamental. “As primeiras corridas são bem difíceis, mas é preciso ter um pouco de paciência. Mas, quando se começa a gostar, é um caminho sem volta”, finaliza.