País

Contas de luz terão aumento de até 5,76% no Sul do Brasil

Reajuste cobre alta de custos com subsídios, restos a pagar, programas sociais e fim de aportes da Eletrobras

21 de julho de 2025

Foto: Ilustrativa / Celesc

A conta de energia dos brasileiros vai ficar mais cara. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, na última semana, o novo orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que passa de R$ 37,2 bilhões para R$ 49,2 bilhões em 2025. Isso representa um aumento de 32,4% em relação ao valor autorizado no ano passado.

O impacto nas tarifas será sentido de forma diferente conforme a região do país. Nas regiões Norte e Nordeste, o aumento estimado é de 3,85%. Já no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o reajuste pode chegar a 5,76%. Segundo a Aneel, esses percentuais já começaram a ser aplicados nos reajustes feitos ao longo do primeiro semestre, mas ainda precisarão de ajustes para alcançar os valores definidos com a nova previsão orçamentária.

Do total aprovado, R$ 41,4 bilhões serão cobrados diretamente dos consumidores por meio das contas de luz, na chamada CDE-Uso. Outros R$ 5,4 bilhões, da cota CDE-GD, serão utilizados para bancar os descontos concedidos a quem gera a própria energia com painéis solares ou outros sistemas de minigeração. Esse valor será pago até o fim de 2025 apenas pelos consumidores do mercado cativo.

Diversos fatores contribuíram para o aumento do orçamento da CDE. Um deles é a elevação dos incentivos a fontes renováveis no mercado livre, que passaram de R$ 12 bilhões para mais de R$ 15 bilhões. Outro ponto é o crescimento da geração distribuída, cujo subsídio vai custar quase R$ 2 bilhões a mais do que no ano anterior.

Também foram incluídos restos a pagar de 2024. Só o déficit herdado do programa Luz Para Todos soma R$ 612 milhões, valor que representa compromissos ainda não quitados. Para este ano, o mesmo programa exigirá um reforço de R$ 1,4 bilhão.

A Tarifa Social de Energia Elétrica, voltada a famílias de baixa renda, também teve aumento. O orçamento do benefício subiu R$ 1,6 bilhão após a edição da Medida Provisória nº 1.300/2025, que assegura gratuidade no consumo dos primeiros 80 kWh por mês para os beneficiários do programa.

Outro fator que pressionou os custos foi o aumento de R$ 1,8 bilhão na Conta de Consumo de Combustíveis, usada para custear o uso de óleo diesel e outros combustíveis fósseis na geração de energia em áreas isoladas. Segundo a Aneel, boa parte desse aumento está relacionada à flexibilização dos gastos operacionais da concessionária Amazonas Energia.

Por fim, os consumidores também deixarão de contar com os aportes da Eletrobras, utilizados até 2024 para amortizar contas como a Conta-Covid e a Conta Escassez Hídrica. Esses valores, previstos até 2027, foram antecipados com base na Medida Provisória nº 1.212/2024 e não estarão mais disponíveis a partir deste ano.

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