Com quatro ouros, Brasil começa os Jogos Parasul-Americanos em grande estilo no ciclismo
Estrela do atletismo paralímpico, Jerusa Geber subiu ao pódio no ciclismo de estrada, modalidade que passou a disputar no fim de 2024; país somou quatro ouros e três pratas na estreia
Foto: Alessandra Cabral
O Brasil começou em grande estilo sua participação nos Jogos Parasul-Americanos, disputados em Valledupar, na Colômbia. Nesta quinta-feira, dia 03 de julho, a delegação brasileira conquistou sete medalhas no ciclismo de estrada, sendo quatro de ouro e três de prata nas provas de contrarrelógio, modalidade em que vence o atleta que completa o percurso no menor tempo.
Entre os destaques da estreia está Jerusa Geber, um dos maiores nomes do atletismo paralímpico brasileiro. Competindo no ciclismo desde o fim de 2024, a acreana garantiu a medalha de prata na classe B, destinada a atletas com deficiência visual.
Jerusa Geber brilha também no ciclismo
Aos 44 anos, Jerusa Geber construiu uma carreira histórica no atletismo. Ela é tetracampeã mundial dos 100 metros, prova da qual também é recordista mundial, além de ter sido a primeira atleta cega a correr a distância em menos de 12 segundos. Nos Jogos Paralímpicos de Paris, conquistou duas medalhas de ouro, nos 100 e nos 200 metros.
Agora, a atleta também coleciona resultados expressivos no ciclismo. Ao lado da pilota Marcella Toldi, Jerusa completou o contrarrelógio em 27min55s23, ficando atrás apenas da brasileira Viviane Soares, que venceu a disputa com 26min46s41. A argentina Maria Jose Quiroga terminou na terceira colocação, com 29min13s73.
Após a prova, Jerusa comemorou o resultado.
“Estou muito feliz com este resultado. O ciclismo é uma paixão para mim. Estou gostando muito e pretendo ficar nele por bastante tempo. Até onde der, quero seguir no esporte dando trabalho para minhas adversárias”, afirmou à comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).
Viviane Soares conquista ouro
A medalha de ouro ficou com Viviane Soares, de 30 anos, que competiu ao lado da pilota Lara Marinho. Assim como Jerusa, ela também divide a carreira entre o atletismo e o ciclismo.
Bronze nos 100 metros da classe T12 (baixa visão) no Campeonato Mundial de Atletismo de 2019, Viviane chegou a planejar a aposentadoria em 2025, mas mudou de rumo após conhecer o ciclismo.
“Muitas pessoas me ajudaram e me apoiaram nos momentos mais difíceis, quando pensei em parar. Foi uma prova maravilhosa. Eu sabia que tinha chances de pódio, mas não sabia qual medalha seria. Entrei para dar tudo de mim e mais um pouco para conseguir este ouro. Foi duro, cansei bastante, mas deu tudo certo no final”, declarou ao CPB.
Brasil conquista mais cinco medalhas
Além das medalhas na classe B, o Brasil subiu ao pódio em outras categorias do ciclismo de estrada.
Na classe C5, o paulista Lauro Chaman conquistou o ouro entre os homens, com o tempo de 34min30s81, superando os colombianos Diego Dueñas e Juan Gómez. No feminino, a mineira Fabiana Ventura ficou com a prata ao completar a prova em 32min08s15, atrás da colombiana Paula Ossa e à frente da panamenha Laydis Veja.
Na classe C2, o mineiro Roberto Neto também garantiu ouro ao registrar 26min00s68, deixando para trás o colombiano Esneider Muñoz e o chileno Manuel Opazo. Entre as mulheres, Sabrina Custódia conquistou a prata com o tempo de 15min40s07, ficando atrás da colombiana Daniela Munévar, enquanto a argentina Maria Sergo levou o bronze.
Já na classe H3, destinada a atletas que utilizam handbikes, o mineiro Eduardo Pimenta assegurou mais um ouro para o Brasil ao concluir a prova em 28min41s49. O argentino Oscar Biga terminou em segundo lugar, seguido pelo chileno Sebastian Morales.
Brasil mira Los Angeles 2028
A delegação brasileira participa dos Jogos Parasul-Americanos com 237 atletas em 13 modalidades, além de atletas-guia, pilotos do ciclismo, goleiros do futebol de cegos e calheiros da bocha.
A competição segue até 15 de julho, embora a cerimônia oficial de abertura esteja marcada apenas para domingo, dia 05 de julho. Os porta-bandeiras do Brasil serão a halterofilista Mariana D’Andrea, bicampeã paralímpica, e o mesatenista Iranildo Espíndola.
Os Jogos Parasul-Americanos representam o primeiro evento multiesportivo do ciclo paralímpico rumo aos Jogos de Los Angeles 2028. A equipe brasileira conta com 50 medalhistas em Campeonatos Mundiais e 48 atletas que já conquistaram medalhas em Paralimpíadas.
Esta é a segunda edição dos Jogos Parasul-Americanos. A primeira foi realizada em Santiago, no Chile, em 2014, quando o Brasil terminou na segunda colocação do quadro geral de medalhas, atrás da Argentina. O evento previsto para 2018, em Buenos Aires, acabou cancelado por questões financeiras.
Fonte: Agência Brasil