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Com base na fé, a gratidão pela recuperação

Diácono Ilario Weber, que já atuou em Pomerode, fala sobre a luta contra um tumor no cérebro e a gratidão por ter contado com as orações e com a ajuda de muitas pessoas

26 de abril de 2025

Foto: Isadora Brehmer / JP

Uma vida dedicada à fé e a servir a comunidade. O diácono Ilario Weber, que recentemente passou por uma das maiores provações de sua vida, enfrentando um tumor no cérebro, recebeu a retribuição da comunidade por meio de doações e orações.

O Diácono da igreja católica, que já atendeu em Pomerode e também atuava em Blumenau descobriu a doença em 2024 e celebra, neste ano, a recuperação após uma fase complicada do tratamento.

A relação de Ilario com igreja começou ainda na primeira infância, já que foi batizado poucos dias após seu nascimento. “Assim, veio uma educação muito boa de fé, respeito, tudo devido aos meus pais. Sou muito grato a eles, que me proporcionaram esta educação, e pude viver a fé, em comunidade, desde criança. Ainda na infância, comecei a ajudar na comunidade São José, que pertencia a Pomerode”, relembra.

Depois, Ilario passou a fazer parte do grupo da diretoria da comunidade, passando depois a contribuir na organização dos eventos, foi tesoureiro da comunidade por sete anos, e também foi catequista para os jovens crismandos, em preparação para a Crisma.

“Em 23 de agosto de 1986, eu e mais outras três pessoas de Pomerode fomos enviados em nossas missões. Eu recebi o envio para ser Ministro dos Doentes e dos Exequias, bem como Ministro Extraordinário do Sagrado Caminho. Em janeiro de 1990 eu recebi o envio para ser Ministro de Batismo e Casamento, e antes disso também fui enviado para ser Ministro da Palavra. O início da minha trajetória foi assim, sempre com uma vida engajada, a serviço da comunidade”, afirma.

A partir de novembro do ano 1990, Ilario passou a estar cada vez mais engajado a serviço da comunidade, como Ministro da Palavra, Batismo e Matrimônio, embora admita que, até então não tinha pensado em ser diácono, algum dia.

“Em um domingo, uma leitura dizia ‘eu e minha casa servimos ao Senhor’ (Josué 24:15), e isso chegou ao meu coração, porque se aplicava completamente à minha realidade, era algo que estava em mim. Depois, eu recebi o convite para cursar a escola diaconal e estudei Teologia em Florianópolis, por quatro anos. Até que, em 19 de março de 2000, Dom Orlando Brandes me ordenou como Diácono permanentemente”, relembra.

Desde então, Ilario tem servido à igreja católica, inclusive ajudando na Paróquia São Ludgero e na Capela Santo Antônio, em Pomerode. Ao longo de sua caminhada junto à igreja, servindo à comunidade, o Diácono já realizou 2.120 batizados, desde quando era Ministro, e 766 casamentos.

Para ele, há um trecho da Bíblia que descreve bem o seu sentimento com relação à atuação na igreja e que resume de onde vem a sua motivação para seguir servindo, conforme o lema adotado por si.

“Tem uma palavra, de Atos dos Apóstolos (At. 20:35), que diz assim: há mais felicidade em dar, do que em receber. E eu me sinto muito feliz em poder me doar em prol da minha comunidade, porque o diácono, o padre ou o pastor estão à disposição para servir e para evangelizar, para serem servos de Cristo e anunciar a sua Palavra”, frisa.

O Diácono também destaca três coisas que são indispensáveis para o cristão, a fim de que tenha Deus mais próximo em sua vida: a oração, a Palavra de Deus e a Santa Ceia, a Eucaristia.

A descoberta e a superação da doença

Mesmo em atividade constante na igreja, seguindo uma vida normal, Ilario tinha conhecimento há alguns anos da existência de uma mancha no cérebro e passava por exames de ressonância magnética há cada dois ou três anos. No entanto, os especialistas afirmavam que ela não crescia, portanto, não era necessário adotar nenhum outro tratamento. O único efeito sentido por Ilario era um zumbido persistente no ouvido.

A situação permaneceu desta forma até que, em uma consulta com um especialista, ele solicitou uma nova ressonância e, ao retornar com o exame antigo e o novo, o médico percebeu que havia acontecido um aumento expressivo na mancha que estava no cérebro. Por isso, ele foi aconselhado a procurar um neurologista.

“Agendei uma consulta com o neurologista, em 2023, que afirmou que eu deveria voltar em fevereiro ou março do ano seguinte, para decidir o que seria feito e a ideia era fazer uma cirurgia para ver exatamente qual era a situação da mancha. No entanto, antes disso, eu tive dengue, o que provocou um inchaço no cérebro e espalhou o tumor, que se infiltrou no cérebro. Tanto que não foi possível tirar com cirurgia”, conta.

Em busca de alternativas para o seu caso, a filha do Diácono, Cristiane Weber, procurou outros neurologistas na região, para ter diferentes opiniões sobre a situação, até que a família encontrou a neurocirurgiã Danielle de Lara.

“Em março de 2024, já durante o acompanhamento com a Dra. Danielle e enquanto meu pai e minha mãe estavam com dengue, ele passou realmente mal. Em uma manhã, o pai foi levar a minha mãe ao posto de saúde do bairro, para repetir um exame para medir a quantidade de plaquetas, e lá ele passou mal. Durante o atendimento, o médico notou que a boca do meu pai estava para o lado e então surgiu a suspeita de que poderia ser um AVC, por isso foi encaminhado com urgência para o Hospital Santa Isabel. Fizeram tomografia e outros exames, descartando a hipótese do AVC, mas o internaram pois era um efeito do tumor do cérebro”, relata Cristiane.

Ilario e a esposa, Olga. (Foto: Isadora Brehmer / JP)

 

Ao ser internado, a médica que acompanhava o seu caso, Dra. Danielle, o examinou e afirmou que os sintomas sentidos eram pelo inchaço no cérebro, que pressionou o tumor que existia no órgão. Por quase uma semana, Ilario permaneceu internado e depois ganhou alta, com remédios receitados para diminuir o inchaço no cérebro.

“No retorno à consulta com ela, fui internado, mas não era possível remover o tumor com uma cirurgia, pois haveria muitas sequelas. Isso porque, no meu caso, diferente de outros tumores que normalmente são em formato de caroço, estava em uma forma gelatinosa, por isso se espalhou mais pelo cérebro”, afirma Ilario.

Para obter o diagnóstico, seria necessário fazer uma biópsia, a fim de identificar se era um tumor maligno ou benigno. Ilario possui plano de saúde, Unimed, no entanto, o procedimento que seria disponibilizado com o plano exigia que uma parte do crânio fosse quebrada, para se ter acesso ao cérebro. Outro fator complicador, era que não haveria como saber, com exatidão, o que era o tumor e o que era o cérebro, trazendo a necessidade de retirada de uma parte do órgão, que causaria sequelas severas.

“Então, a neurocirurgiã sugeriu uma outra alternativa, que iniciava com uma medicação, adquirida de forma particular, com o valor de R$ 10 mil. Depois, seria usado um aparelho navegador, que seria implantado por meio de um furo do tamanho que existe em uma tampa de caneta. Este navegador percorre o cérebro, como estivesse mapeando, e recolhendo o que ele identifica como câncer, para ser retirado e usado para a biópsia. Mas este procedimento tinha um valor muito elevado, que foi obtido por meio de uma vaquinha”, relembra Ilario.

Além disso, veio outro gasto expressivo, agora com a radioterapia, necessária para o tratamento. A família optou por uma nova tecnologia, que causaria menos sequelas, como por exemplo evitaria a perda de memória, mas que precisaria ser custeada de forma particular. Para isso, a família promoveu uma feijoada, que também contou com grande adesão da comunidade.

Foram realizadas 30 sessões de radioterapia, feitas diariamente, mas que promoveram um bom resultado, com diminuição do tumor. Agora, até o mês de outubro, Ilario está em outra fase do tratamento, a quimioterapia, coberta pelo plano de saúde.

O Diácono afirma que, por mais que tenham sido meses difíceis, de muita fé, vontade de viver e superação, também refletiu sobre o que poderia aprender.

“Em praticamente um ano de enfrentamento à doença, eu aprendi muito, a ser mais humilde, mais humano, e a colocar minha vida verdadeiramente nas mãos de Deus, para que fosse feita à vontade Dele. Talvez Deus quis me mostrar que era o momento de diminuir o ritmo, rezar mais, ter mais calma. Foi um ano também de crescimento para mim”, reflete.

Ilario manifestou com emoção toda a sua gratidão até o momento, a Deus, à sua família e também a todos que, de alguma forma, ajudaram quando precisou de mãos amigas.

“Sei que Deus colocou Sua mão e tocou o coração das pessoas, por isso agradeço, em primeiro lugar, a Deus, pois cada instante, cada minuto da nossa vida é um presente de Deus. Sou muito grato, também, à minha família, que sempre esteve ao meu lado, em especial à minha esposa, com quem celebro 50 anos de casamento e que tem sido uma guerreira ao meu lado. Por fim, agradeço a todos que ajudaram, mesmo aos que eu não conheço, pois é graças a todas estas pessoas e a Deus que posso estar aqui, agora, de pé, celebrando os meus 25 anos de ordenação. Não tenho palavras, senão a gratidão, por ter tido tantas pessoas ao meu lado”, finaliza.

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