Clube Botafogo e tiro esportivo: uma relação em prol do entretenimento familiar
Clube tem tradição na prática e inova com uma nova modalidade disponível
Foto: Isadora Brehmer / JP
Há cerca de 25 anos, começava uma história que hoje é sinônimo de sucesso em relação ao tiro esportivo. No início dos anos 2000, um grupo começou a se reunir nas dependências do Clube Botafogo, no Wunderwald, para praticar o tiro ao prato, dando início a uma tradição que transformou o clube em uma referência regional no esporte.
“No início, éramos cerca de dois ou três amigos unidos no interesse comum do tiro ao prato. Algumas vezes íamos praticar em Blumenau, mas queríamos também poder praticar aqui e o único clube que tinha um espaço maior era o Botafogo. Outros clubes nem tinham espaço suficiente”, conta Ronaldo Fugihara, praticante do tiro esportivo e um dos precursores da prática no Clube Botafogo.
Quando os atiradores começaram a praticar no espaço do clube, ainda não havia a pedana para a prática, apenas um espaço com um barranco, de onde era feito o tiro. “Tínhamos uma máquina manual que atirava os pratos, ou seja, era preciso que uma pessoa fosse até a máquina, colocasse o prato e ativasse o lançamento do prato. Usávamos píres da Porcelana Schmidt, que seriam destinados ao descarte e que eram doados e depois vendidos a nós. Atirávamos como recreação, mas começou a aparecer mais gente para observar e cresceu o número de interessados e de associados”, relembra Fugihara.
A partir de então começaram as mudanças na estrutura física do espaço, com a construção de uma pedana de tiro, no início sem uma cobertura. Ronaldo possuía uma máquina de lançar pratos para o tiro, que não era oficial mas que poderia ser instalada e usada para a prática. Depois, por meio de uma doação da Secretaria de esportes do estado, intermediada pelo então secretário da pasta, Gilmar Knaesel, foi adquirida a primeira máquina oficial para lançamento de pratos (da marca Venzon). A evolução continuou e, depois foi possível aprimorar o local para a prática com a compra de novas máquinas e aprimoramento da estrutura.
“Até que fizemos uma vaquinha e compramos uma máquina automática, para a qual só é necessário colocar os pratos e ela os lança automaticamente, acionada por um botão”, complementa.
Em 2008 foi construída a segunda pedana de tiro ao prato para os JASC, que começaram, mas foram interrompidos e cancelados devido às tragédias climáticas naquele período.
Em 2009 foi realizada uma etapa do campeonato estadual de tiro ao prato no Botafogo, em suas duas pedanas.
Para esta competição, normalmente seriam necessárias quatro pedanas, mas foi aberta uma exceção e a etapa pôde ser realizada em Pomerode, com duas pedanas.
“Quando a competição terminou, a avaliação foi de que as provas foram excelentes e todos gostaram. Famílias vieram de várias cidades e também aproveitaram o que a cidade tinha a oferecer. Foi um sucesso, mas foi a única vez em que uma etapa do Campeonato Catarinense foi realizada aqui”, afirma Ronaldo.
“Eu comecei no ano de 2006 e foi quando começamos a participar do Campeonato Catarinense. Antes disso, em 2002, começaram as nossas participações nos Jogos Abertos e só não estivemos neles em 2003. A partir de 2004 a base da equipe que representou Pomerode no tiro ao prato sempre foi do Botafogo”, afirma Jean Carlo Jaensch, membro do grupo de atiradores do Clube Botafogo.
Jaensch também comenta sobre o cuidado especial que o Clube adota em relação ao cumprimento de todas as normas exigidas para a prática do tiro esportivo, bem como do credenciamento dos atiradores, que exige ficha limpa. “A participação nos campeonatos e torneios é um incentivo importante para quem pratica o tiro esportivo, que motiva a vir treinar e que atrai novos praticantes”, pondera Jaensch.
“Nos últimos anos, têm sido uma tarefa difícil manter o número de atiradores na equipe do Campeonato Catarinense, por uma série de motivos. Precisaríamos de mais incentivo financeiro para essa permanência nas disputas, porque é uma forma de valorizar este esporte e a participação de Pomerode,que mesmo sendo um município menor, consegue ter uma equipe, que já conquistou resultados bem expressivos em sua existência, tanto no Campeonato Catarinense quanto nos Jogos Abertos”, completa Fugihara.
Representando Pomerode nos JASC, atiradores foram ao Pódio várias vezes:
– Em 2010 Lauro dos Reis foi ouro individual por Pomerode;
– Em 2012 Pomerode foi bronze por equipe, com atiradores do Botafogo;
– Em 2014 Ivair José Dalcanalli foi ouro individual e Pomerode foi prata por equipe, com atiradores do Botafogo;
– Em 2019 Pomerode foi sede dos JASC e com atiradores do Botafogo foi novamente bronze por equipe.
Modalidade que exige disciplina e reúne famílias
O atirador Jean Carlo Jaensch reforça que o tiro esportivo exige de seus praticantes a autodisciplina, para treinar e se concentrar em cada tiro disparado, além de unir as famílias de uma forma saudável.
“O tiro esportivo reúne as pessoas, gera uma interação muito positiva, porque todo mundo que tem o CR, que é a autorização para atirar, são pessoas de boa índole, que se reúnem no clube, em famílias, promove união e momentos de integração de forma saudável”, frisa.
A união se reflete na atual estrutura do Clube, que conta com diversos espaços para a prática do tiro esportivo, construídos por meio dos esforços dos próprios sócios e amigos, que ajudam como podem.
“O tiro esportivo exige muita disciplina, com sua documentação, na sua organização de ideias, no seu controle de pensamento, porque quando você vai atirar, você está concentrado no alvo, e é algo que ajuda a aliviar o estresse. Ao se preparar para atirar, você não pensa em mais nada, apenas no que fazer naquele milésimo de segundo. E quando termina, sua cabeça está leve, limpa. A mente fica descansada”, completa Jaensch.
Além disso, em cada espaço destinado à prática do tiro esportivo, há as regras expostas para todos os praticantes, que são extremamente rígidas, assim como o controle delas no dia a dia e em competições, a fim de que continue sendo uma prática extremamente segura.
Após mais um período, foi construída a pedana atual e os atiradores fizeram uma nova vaquinha, com mais contribuintes, e compraram a segunda máquina, que foi doada ao Clube Botafogo.
Em 2012, José Irlandi Felippi, praticante de tiro ao prato em Blumenau e Pomerode, começou em Jaraguá do Sul, a fabricação de máquinas automáticas para lançamento de pratos e participou do consórcio com mais oito atiradores do Botafogo para aquisição de uma dessas máquinas que posteriormente foi vendida ao clube e que está em pleno funcionamento.
Em 2017 Felippi começou a fabricação de máquinas para lançamento de hélices e, desde então, ajudou a montar mais de 30 clubes com pedana de hélice no Brasil e ajudou o Botafogo na implantação da modalidade fazendo preço e condição especial nas máquinas e insumos.
Tiro esportivo na modalidade hélice (FAN32)
No mês de maio, o Clube Botafogo também inaugurou a sua pedana de tiro em hélice, uma modalidade diferente de tiro esportivo, ainda mais desafiadora. Esta modalidade, segundo a Confederação Brasileira de Caça e Tiro, é praticada em uma cancha especialmente desenhada, e consiste em abater o alvo branco que está na hélice, de modo que caia no interior da cancha.
As máquinas que lançam as hélices são elétricas e o atirador não sabe de qual das cinco casas (máquinas) irá sair a hélice a ser atirada. Ao atirar contra a hélice, o alvo branco (denominado testemunho) se separa do suporte alaranjado que o faz voar, para então ser um ponto válido, desde que o testemunho caia dentro das demarcações da pedana. O tiro à hélice, denominado FAN32, é uma evolução do antigo tiro ao pombo, proibido no Brasil desde 2017.
O Clube Botafogo construiu a pedana para a modalidade, seguindo os padrões exigidos pela Confederação Brasileira de Caça e Tiro (CBCT) e já obteve a homologação para funcionamento do local. A construção contou com recursos do Botafogo e foi concretizada graças à união de associados como Jaime Verediana, Elemar Baumann, Ivair José Dalcanalli, Antônio Ramos e à colaboração de parceiros que doaram materiais, máquinas e até mão de obra.

Máquina do Tiro esportivo na modalidade hélice (FAN32). (Foto: Isadora Brehmer / JP)
“Na hélice, são cinco máquinas a 27 metros do atirador. Cada máquina está distante uma da outra a cinco metros e ela solta uma hélice de forma aleatória em uma das máquinas. O atirador não sabe se vai para a esquerda, para a direita, para a frente ou para cima. E se ela sair na aceleração máxima, pode chegar a 100 km por hora na saída”, explica Jaime Verediana, atirador e diretor de tiro envolvido na construção da nova pedana.
As máquinas que o Clube Botafogo tem são as mais utilizadas também na Europa, com capacidade para 600 hélices, o que ajuda a dinamizar uma competição, já que diminui os intervalos para abastecimento das máquinas.
O Clube Botafogo investiu aproximadamente, R$ 400 mil reais nos últimos dois ou três anos, a fim de melhorar as suas estruturas de tiro esportivo. “Este é um Clube privilegiado, por estar em uma cidade turística, que atrai muito as pessoas, e tem uma tradição longa no tiro esportivo. Com a entrada da modalidade do tiro-hélice, fica melhor ainda, por ser o único na região a oferecer a prática desta modalidade. No evento de inauguração, tivemos atiradores e visitantes de várias cidades, como Mafra, Canoinhas, Itaiópolis, São Bento do Sul, Rio Negrinho, Itajaí, Navegantes, Blumenau e Curitiba, foi muito especial”, afirma Verediana.
O atirador Ronaldo Fugihara também enaltece o quanto o tiro esportivo é um formador de amizades, em que seu principal adversário não é o outro competidor, mas sim você mesmo com seus limites.
“Pratico tiro esportivo desde 1996 e nunca vi uma briga séria. No tiro é você contra você, para entregar o seu melhor em cada tiro tentando se superar, por isso existe esse clima de amizade, de camaradagem”, destaca.
“Outro ponto positivo é a longevidade no esporte que o tiro te permite, além de poder ser praticado por homens e mulheres de todas as idades, com pouquíssimos riscos de se machucar enquanto o pratica. Você pode começar no tiro com 20 anos, por exemplo, e seguir até os 90 se quiser e tiver condições, como já vimos diversos exemplos”, afirma Jaensch. Hoje o clube do Botafogo tem cerca de 300 sócios no time de atiradores.
