Chegou a vez “delas”
Entre os dias 12 e 14 de outubro, o céu de Pomerode ficará mais colorido. O azul da imensidão dará lugar ao “rosa”, em virtude de um evento que promete ficar na história da cidade.Trata-se da terceira edição do Saia Para Voar, o maior encontro feminino de voo livre do país.
Entre os dias 12 e 14 de outubro, o céu de Pomerode ficará mais colorido. O azul da imensidão dará lugar ao “rosa”, em virtude de um evento que promete ficar na história da cidade. Trata-se da terceira edição do Saia Para Voar, considerado o maior encontro feminino de voo livre do país. O evento, cujas decolagens acontecerão no cume do Morro Azul, será realizado com apoio do Clube Pomerano de Parapente e da Prefeitura Municipal.
Os trabalhos serão capitaneados por Priscila Saran, que conta com a colaboração de outras pilotos de diversas partes do país. Elas se reúnem por Skype ou grupo de WhatsApp, cujo trabalho é totalmente voluntário.
Confira a entrevista concedida por Inahiá Castro, integrante da organização e piloto de parapente há 25 anos, sobre o encontro em nossa cidade.
JP ESPORTE – O que é o Projeto Saia Para Voar? Qual o objetivo desta ação?
INAHIÁ CASTRO – O Saia Para Voar é um encontro de mulheres praticantes de Voo Livre (Parapente e Asa Delta). A ideia do evento surgiu quando a piloto de parapente, Priscila Saran, de Santa Rita do Sapucaí (MG), teve a ideia de criar uma página no Facebook para reunir mulheres que voam. A coisa foi se propagando e, em poucos dias, a página já tinha mais de 300 seguidores. Isso foi entre 2013 e 2014. Então, tivemos a ideia de marcar um encontro em alguma rampa do Brasil, para que a maior parte das pilotos pudesse ir. Decidimos fazer no feriado de 12 de outubro de 2015, em Andradas (MG). Só que o que deveria ser apenas um simples encontro, foi tomando uma proporção maior e virou um evento com mais de 100 pilotos inscritas. Também abrimos para a participação masculina, principalmente para voadores maridos e namorados das pilotos, que estavam apoiando o evento.
JPE – Desde quando o Saia Para Voar acontece?
IC – Tivemos edições em 2015, 2016, e agora, em 2018.
JPE – Por que a cidade de Pomerode foi escolhida para sediar a 3ª edição?
IC – O Saia Para Voar tem por princípio ser sediado cada vez em um local diferente. A primeira edição foi em Andradas (2015), a segunda, em São Pedro (2016) e, neste ano, será em Pomerode. Tanto a Prefeitura, como o Clube Pomerano de Parapente ofereceram um grande apoio à organização para a realização desta etapa.
JPE – Como está a expectativa para o evento? Esperam receber quantas pessoas em nossa cidade?
IC – As edições anteriores reuniram mais de 100 inscritas, então, nossa expectativa é que essa adesão se repita em Pomerode. É uma rampa linda, com boas condições de voo e sabemos que muitas pilotos de todo o país têm curiosidade em conhecer. Lidamos sempre com questões como distância e crise econômica como maiores empecilhos para as pessoas irem, mas acreditamos que será um evento tão lindo como os anteriores.
JPE – A escolha da data tem alguma relação com o Outubro Rosa?
IC – Outubro é o início da Primavera, que é a estação que oferece melhores condições climáticas para a prática do Voo Livre. Somado a isso, aproveitamos sempre o feriado de 12 de outubro para termos um dia a mais para o evento e, sim, em todas as edições anteriores, fizemos ações de conscientização sobre a importância da prevenção contra o câncer de mama, aproveitando o ensejo do Outubro Rosa.
JPE – Qual a importância das mulheres estarem inseridas em esportes, como o Voo Livre?
IC – O Voo Livre talvez seja um dos esportes que melhor pode representar a questão da igualdade entre homens e mulheres. Apesar de ser um esporte majoritariamente praticado por homens (pela questão do arrojo, de ser um esporte de aventura), não há diferença entre os gêneros na prática do esporte, porque os principais requisitos são habilidades técnicas, coragem, conhecimento prático e teórico, ou seja, nada que exija aptidões físicas de força, por exemplo, em que os homens levariam vantagem. No ar, homens e mulheres podem voar da mesma forma.
JPE – Depois de Pomerode, quais são os outros eventos programados?
IC – Ainda não temos definido o local da 4ª etapa, mas como o evento vai crescendo a cada ano, esperamos receber alguma proposta bacana de algum dos inúmeros clubes de Voo Livre do país.