“Chega de mão grande”, em todos os sentidos
Tema foi referência de ação contra a corrupção e a favor da eficiência na gestão dos recursos públicos que ocorreu no sábado, 27 de maio. A discussão vai além e ressalta a necessidade da comunidade mudar hábitos, seja para pequenas ou grandes ações.
O Feirão do Imposto ocorreu no sábado, dia 27 de maio, em 24 estados brasileiros. Pomerode participou da ação e o Núcleo de Jovens Empreendedores da Acip, em parceria com os supermercados Rede Top e Econômico, Posto RZT e Confeitaria Torten Paradies, disponibilizou aos pomerodenses diversos produtos sem imposto e combustível a preço de custo. O carro chefe da campanha foi, novamente, a cuca.
Segundo o consultor da Acip, Maurício Nienow, o objetivo do evento é informar ao público o quanto de imposto pagamos ao consumir produtos. “Eu sei que é um discurso extremamente batido, mas a mudança, realmente, começa em nós. Dizer que a sonegação de impostos é questão de sobrevivência, para mim, é tentar encontrar justificativa para o ‘jeitinho’. Nossa carga tributária é absurda. Não vemos o retorno dos nossos impostos, é extremamente difícil competir com outros países. O que devemos fazer é, justamente, o que já estamos fazendo: mostrar que queremos mudança, que precisamos de reformas eficazes, que estamos de olho nos nossos governantes e formar novas e boas lideranças. É assim que se faz a diferença”, ressalta.
Quanto à corrupção, Nienow destaca que é dever de todos trabalhar para que as mudanças aconteçam. “Concordo, que os pequenos atos de corrupção praticados pelos brasileiros acabam interferindo no cenário nacional, inclusive, na economia. O que acontece no alto escalão não é muito diferente do que acontece em nosso dia a dia. Desde o primeiro momento em que tive contato com o movimento do Feirão do Imposto, comecei a observar o que acontece ao meu redor ainda mais, tanto os meus atos como de todas as pessoas em geral, e me surpreendo com várias situações. Nós precisamos mudar para que mudanças aconteçam, já dizia Ghandi. Não adianta, cobrar menos corrupção dos nossos governantes se a própria população for corrupta, ainda que em ‘pequenos’ atos. A partir do momento que as pessoas descumprem as mais elementares regras de conduta, como não devolver o troco errado, por exemplo, não consigo imaginar que uma legislação mais simples diminuiria a corrupção. E corrupção e ineficiência aumentam a carga tributária. O grande ponto é: impunidade. Cumprir regras passou a ser um ato de nobreza, pois quem não cumpre, não sofre consequências”, completa.
O consultor afirma, ainda, que a alta tributação favorece a busca pela sonegação, mas buscar brechas na legislação não é o caminho. “Muito mais do que uma discussão ética, torna-se uma questão de sobrevivência. Estamos sempre buscando uma maneira de pagarmos menos impostos, sempre buscando alguma brecha na legislação. De regimes tributários a créditos, decisões do CARF, interpretações da lei, utilização de PJ’s no patrimônio (holdings patrimoniais) e na contratação para o trabalho (funcionários PJ) e que vão até meia-nota, sem nota, entre tantos outros. Temos muitas questões éticas e morais a serem discutidas e melhoradas como um todo, mas que ainda vai demorar muito para evoluirmos. É uma mudança cultural da sociedade. Mas temos várias outras mudanças que podem ser mais rápidas e influenciar positivamente em todas estas questões, e nessas mudanças, entram a reforma trabalhista, a tributária e a política. Nestas, sim, nós podemos atuar fortemente e contribuir com uma mudança positiva na sociedade e na competitividade do país. Acredito que devamos trabalhar fortemente nisso. Menos imposto, menos burocracia, mais liberdade são alguns dos caminhos que podem tornar o Brasil melhor”, finaliza.