Carnaval no litoral: CBMSC alerta para risco de afogamentos e reforça estrutura com mais de 2 mil guarda-vidas
Com aumento no fluxo de turistas, CBMSC amplia efetivo, registra queda nos salvamentos e reforça orientações para evitar tragédias durante o feriado
Foto: Marco Favero / Secom
O boletim da Operação Estação Verão divulgado nesta terça-feira, 12 de fevereiro, traz um alerta importante para turistas e catarinenses que devem lotar o litoral de Santa Catarina durante o Carnaval. Com o início da festa nesta semana, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) intensifica as orientações para prevenir afogamentos em um verão marcado por grande fluxo de visitantes.
Santa Catarina reúne praias e áreas de água doce com características que podem enganar quem não conhece a região. Correntes de retorno, variações bruscas de profundidade e fundos irregulares estão entre os principais riscos.
Reforço histórico na estrutura
Para a temporada 2025/2026, o CBMSC mobilizou uma estrutura ainda maior do que no ano passado. São:
- 2.053 guarda-vidas (em 2024 eram 1.900);
- 429 postos de guarda-vidas ativados;
- 158 embarcações e 52 motoaquáticas;
- 35 quadriciclos e 134 viaturas;
- 5 aeronaves (2 helicópteros e 3 aviões), reforçando o socorro aéreo.
Segundo o comandante-geral do CBMSC, coronel Fabiano de Souza, o Estado possui a maior estrutura de salvamento aquático do Brasil.
“Santa Catarina possui a maior estrutura de salvamento aquático do Brasil e, para este Carnaval, reforçamos ainda mais o nosso efetivo e a nossa frota de aeronaves e embarcações. No entanto, a tecnologia e o empenho das nossas equipes não substituem a cautela do banhista”, destacou.
Ele também reforçou a importância do aplicativo CBMSC Cidadão, que permite consultar em tempo real as condições das praias, presença de águas-vivas e localização de postos ativos.

Fotos: Divulgação / CBMSC
Balanço da temporada
Entre 15 de dezembro de 2025 e 31 de janeiro de 2026, o CBMSC realizou 10 milhões de ações preventivas, número significativamente superior aos 8 milhões registrados no mesmo período da temporada anterior.
O reflexo aparece nos dados de salvamentos: foram 2.093 ocorrências nesta temporada, contra 2.719 no período anterior.
A redução nos resgates, aliada ao aumento das ações preventivas, indica que a orientação direta dos guarda-vidas tem evitado que banhistas entrem em áreas de risco.
Na última semana, entre 3 e 9 de fevereiro, foram registrados:
- 114 salvamentos;
- 593 mil ações preventivas;
- 1 óbito em água doce (homem de 38 anos).
Todos os salvamentos da semana envolveram arrastamentos por correntes de retorno, principal causa de afogamentos no litoral catarinense.
Áreas sem guarda-vidas concentram mortes
Os dados reforçam o alerta para locais sem cobertura de guarda-vidas.
No mar, foram registrados 8 óbitos em áreas não guarnecidas e 6 em áreas protegidas. A ausência de vigilância aumenta significativamente o risco.
Em águas doces — rios e lagoas — o perigo pode ser ainda maior. Historicamente, grande parte das vítimas de afogamento em Santa Catarina são turistas sem familiaridade com correntes marítimas ou variações de profundidade.

Foto: Divulgação
Perfil das vítimas
Os números revelam padrões que exigem atenção redobrada durante o Carnaval:
- Idade média: 24 anos;
- Jovens vulneráveis: em águas doces houve registros envolvendo crianças e adolescentes de 10, 13, 14, 16 e 17 anos;
- Período crítico: 59,4% dos óbitos ocorrem à tarde;
- Maioria homens: especialmente entre 21 e 56 anos em áreas não guarnecidas.
O CBMSC também alerta para a combinação perigosa entre álcool e banho de mar ou rio. O consumo de bebida reduz reflexos e aumenta a autoconfiança, fator considerado decisivo em muitas ocorrências envolvendo jovens.
O que observar antes de entrar na água
Correntes de retorno
Principal causa de afogamentos. Podem ser identificadas por áreas onde a água parece mais escura e com menos quebra de ondas.
Se for arrastado:
- Não nade contra a corrente;
- Nade paralelamente à faixa de areia até sair da corrente.
Águas doces
A ausência de ondas pode gerar falsa sensação de segurança. Fundos irregulares e correntes internas são perigosos, especialmente em locais desconhecidos e sem guarda-vidas.
Bandeiras de sinalização
- Verde: baixo risco
- Amarela: atenção
- Vermelha: alto risco
- Lilás: presença de águas-vivas
- Preta: posto desativado, sem vigilância

Foto: CBMSC / Divulgação
Costões e pedras
O litoral catarinense possui muitos costões. Ondas fortes e superfícies escorregadias aumentam o risco de quedas.
Queimadura por água-viva
Utilize apenas água do mar e vinagre (disponível nos postos). Nunca use água doce ou urina.
Recomendações para o Carnaval
- Procure sempre áreas próximas a postos ativos de guarda-vidas;
- Consulte o aplicativo CBMSC Cidadão antes de escolher a praia;
- Evite banho após consumo de bebida alcoólica;
- Não entre na água em locais desconhecidos ou sem vigilância.
“Há muito senso comum de que o rio ou mar calmo é ‘mais seguro’ por não ter ondas, mas há outros fatores envolvidos. É importante que cada cidadão seja um agente de sua própria segurança, escolhendo áreas guarnecidas”, concluiu o coronel Fabiano de Souza.
A orientação é clara: a estrutura foi ampliada, mas a prevenção ainda é a principal aliada para um Carnaval seguro no litoral catarinense.