Bailarino de Pomerode é eleito o melhor da noite em festival de dança
Gustavo Raduenz, integrante do Grupo de Dança Andreia Mendes, recebeu o reconhecimento no Festival Arte em Movimento, após se apresentar em três coreografias
Foto: Arquivo Pessoal
O talento de Gustavo Raduenz, de Pomerode, ganhou destaque no Festival Arte em Movimento. Integrante do Grupo de Dança Andreia Mendes, ele foi eleito o melhor bailarino da noite, um reconhecimento que tem um significado especial em sua trajetória: a conquista veio por seu desempenho em coreografias coletivas, sem nunca ter apresentado um solo.
A premiação foi anunciada durante a cerimônia de encerramento, quando os grupos participantes acompanhavam a divulgação dos destaques do festival. Gustavo estava entre os bailarinos indicados ao título e, na sequência, teve seu nome anunciado como o melhor bailarino da noite.
A conquista foi ainda mais significativa porque, segundo ele, indicações dessa natureza costumam contemplar bailarinos que competem com apresentações solo. Foi o caso de sua colega, professora e coreógrafa Antônia Longo, que também foi reconhecida como a melhor bailarina da noite após conquistar o primeiro lugar com um solo.
“Eu nunca dancei um solo na vida e ter esse mérito mesmo misturado ao grande grupo é muito gratificante para mim. Significa que eu me destaco de uma boa maneira”, relata Gustavo.
Três coreografias e um desafio especial
No festival, Gustavo participou de três coreografias: DUAL, um duo de Antônia Longo e Matheus Mendes; O Clã, conjunto coreografado por Matheus Mendes; e Omertà, conjunto assinado por Matheus Mendes e Antônia Longo.

Foto: Arquivo Pessoal
A preparação para a competição durou cerca de dois meses. Como já conhecia bem as duas primeiras coreografias, o principal desafio foi se adaptar a Omertà, do conjunto adulto, na qual nunca havia dançado anteriormente.
Apesar de já acompanhar a apresentação, Gustavo precisou aprender a sequência, com quase quatro minutos de duração, e executá-la com segurança. Em boa parte da coreografia, ele esteve na primeira fileira, o que aumentou a responsabilidade.
O bailarino destaca que a confiança depositada nele pelo grupo e o acolhimento dos colegas contribuíram para tornar o processo mais leve. Nas apresentações, pôde explorar aspectos como expressão, precisão, resistência, leveza e conexão com o público.
Além do reconhecimento individual, o Grupo de Dança Andreia Mendes também conquistou importantes destaques no festival. A equipe foi nomeada melhor grupo nas categorias adulto e sênior, além de receber o título de melhor conjunto do evento, com a coreografia Omertà. Matheus Mendes também foi reconhecido como melhor coreógrafo.
Um reconhecimento que vai além do grupo
Embora já tivesse participado de trabalhos coletivos premiados, Gustavo conta que essa foi a primeira vez que recebeu uma premiação que destacou diretamente seu desempenho individual. Antes disso, havia recebido outras duas indicações a bailarino destaque, mas ainda não tinha conquistado um reconhecimento dessa dimensão.

Foto: Arquivo Pessoal
Para ele, o resultado representa a valorização de um estilo e de habilidades construídos ao longo dos anos, com a contribuição do grupo. Mais do que um título, a premiação reforça a percepção de que seu trabalho também é admirado individualmente.
A trajetória de Gustavo na dança começou em 2017, quando passou a integrar o grupo. Desde então, Matheus Mendes, Antônia Longo e Andreia Mendes tiveram participação importante em sua formação, não apenas no desenvolvimento técnico, mas também na construção de valores para a convivência coletiva.
O bailarino destaca a confiança recebida ao longo desse percurso, inclusive quando surgiu a oportunidade de participar de uma coreografia que ainda não conhecia na prática. Para ele, a relação com os professores e coreógrafos vai além dos ensaios e das apresentações.
Eles o ajudaram a reconhecer o próprio potencial, aprender com os erros e compreender a importância da disciplina e do respeito dentro de um grupo. Gustavo compara esse processo às etapas de crescimento: primeiro aprender a engatinhar, depois caminhar, correr e, finalmente, voar.
Planos para o futuro
Mesmo reconhecendo suas capacidades, Gustavo afirma que, em alguns momentos, outras preocupações acabaram ocupando espaço em meio aos objetivos que desejava alcançar na dança. Nessas situações, Matheus, Antônia e Andreia também foram referências importantes para ajudá-lo a refletir sobre suas escolhas e compreender melhor o que queria para a própria vida.

Foto: Arquivo Pessoal
Agora, o desafio é conciliar a rotina acadêmica com os compromissos no grupo e continuar desenvolvendo sua identidade artística.
A escola exige tempo e energia, mas Gustavo pretende manter a dança como parte de seus planos, buscando construir um estilo próprio e compreender de que maneira pode contribuir com outras pessoas e com a sociedade por meio da arte.
A eleição como melhor bailarino da noite marca, assim, um novo momento em sua trajetória. Um reconhecimento individual que nasceu do trabalho coletivo e que reforça a importância da dedicação, da confiança e da formação construída ao longo dos anos.