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As chuteiras da discórdia: o que diz a regra com relação às travas de alumínio

Na primeira partida das semifinais da Copa Pomerode de Futebol, entre Atlético Pomerodense e Floresta, um lance causou muita discussão, gerando, inclusive, a exclusão do dirigente florestino Ivo Brehmer. A discordância foi pelo fato do atleta não ter sido advertido com a aplicação de cartão amarelo.

15 de maio de 2017

Na primeira partida das semifinais da Copa Pomerode de Futebol, entre Atlético Pomerodense e Floresta, um lance causou muita discussão, gerando, inclusive, a exclusão do dirigente florestino Ivo Brehmer. Aos oito minutos do segundo tempo, o árbitro da partida, Márcio “Pará” dos Santos, foi advertido pelo Delegado, Rudinei Barbosa, que o atleta Alceni estava utilizando chuteiras com travas de alumínio. O mesmo, minutos mais tarde, fez a devida troca e prosseguiu em campo, com o novo equipamento. No entanto, o que gerou muita discussão foi o fato do atleta não ter sido advertido com a aplicação de cartão amarelo.

O regulamento da Copa Pomerode de Futebol, em seu artigo 3.1, diz o seguinte: “As equipes deverão estar completamente uniformizadas para poder participar da partida. Compreende-se por uniforme completo: camisa numerada da mesma cor, calção da mesma cor (numerado ou não), se numerado, com o mesmo número da camisa, meia da mesma cor, caneleiras e a chuteira sem travas de alumínio.” Além disso, fica ao critério do árbitro vetar qualquer objeto, que não pertença ao uniforme de jogo, conforme rege o artigo 3.5.

Como não é citado nenhum tipo de punição ao atleta infrator, a decisão do árbitro deve-se, amparar-se nas Regras do Futebol. Na Regra 04, artigo 4.1, que tata sobre Segurança, o texto diz que “os jogadores devem ser inspecionados antes do início do jogo e os substitutos antes de entrarem no campo de jogo (antes das substituições). Se um jogador estiver vestindo ou usando qualquer equipamento perigoso, o árbitro deve ordenar ao jogador que retire o objeto em questão ou saia do campo de jogo, na próxima interrupção de jogo, se não for possível ou se se recusar a tirar o equipamento perigoso. O jogador que se recusar a acatar a ordem ou que voltar a usar o equipamento perigoso, deve ser advertido com Cartão Amarelo.”

Segundo o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga Pomerodense de Desportos, Arlindo Utpadel, na questão do jogo Atlético Pomerodense e Floresta, o árbitro agiu de maneira correta. “O Pará acertou. Na regra não diz nada que não pode usar trava de alumínio no futebol amador. No entanto, o regulamento do campeonato, aprovado pelos cubes, prevê que os jogadores não podem utilizar este tipo de chuteiras. Por outro lado, também não fala nada em punições. Por isso, neste caso, recorre-se à Regra 04 da Fifa, onde são explicadas as atitudes que o árbitro deve tomar caso algum jogador esteja com equipamento irregular”.

No entanto, o dirigente Brehmer questiona sobre o mesmo lance, ocorrido na partida entre Água Verde e Floresta, no dia 12 de março, pela segunda rodada da Copa Pomerode. Segundo ele, na ocasião, o jogador Mader foi advertido com o cartão amarelo, mesmo após ter procedido a troca das chuteiras. “Nosso atleta fez a troca no intervalo e, mesmo assim, levou amarelo. Eu só peço que a LPD utilize o mesmo critério nessas situações, afinal, ele está ‘pendurado’ por conta deste cartão”, ressalta.

Analisando as imagens deste jogo, disponíveis no Facebook do Jornal de Pomerode, nota-se que o jogador Mader (com a camisa nº 5) veste uma chuteira verde na primeira etapa e uma branca na segunda. E, antes de o jogo recomeçar, é advertido pelo árbitro Nilmar Lassen com o cartão amarelo. Inclusive, a súmula da partida mostra a advertência, cujo motivo foi “equipamento inadequado”.

Segundo Lassen, antes de a bola rolar, foi feita a inspeção do equipamento dos jogadores, onde não foi encontrada nenhuma chuteira com trava de alumínio. “Então, ele só pode ter trocado após a averiguação. Caso essa verificação não seja feita, o árbitro só manda retirar. Caso o atleta se recuse, aí sim, é advertido com cartão disciplinar. Por isso, eu o adverti, porque foi feita a vistoria. Nesse caso, o atleta quis burlar o regulamento”, relata.

Polêmicas à parte, a arbitragem sempre requer muita atenção e, segundo o presidente da Comissão de Arbitragem, o diálogo é a base de tudo, para que os problemas sejam resolvidos. “Sempre quando acontece uma situação como essa, vamos atrás das regras e do regulamento do campeonato, além de ouvir os árbitros envolvidos e conversar muito, para, cada vez mais, melhorar a arbitragem da LPD. A pressão é muito grande, por isso, sempre precisamos manter muita calma e passar segurança para os nossos árbitros”, relata, acrescentando que a sua intenção e também do presidente, Ademar Ramthun, é trazer mais cursos e palestras. “Com isso, buscamos manter sempre um bom nível de arbitragem”, finaliza Utpadel.

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