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Arte como transformação: do design à expressão pictórica

Artista fala sobre sua relação com a arte e o amor por ela

28 de junho de 2025

Foto: Arquivo pessoal

Natural de Timbó, Ornella Jacobsen não apenas trilhou um caminho artístico — ela o construiu, passo a passo, entre o mundo da publicidade e o universo da criação sensível. Sua trajetória com a arte começou de forma quase despretensiosa, como um complemento à sua carreira na comunicação. Mas, com o tempo, a arte se tornou protagonista em sua vida, moldando não apenas sua visão de mundo, mas também sua forma de estar nele.

Em 2003, Ornella iniciou um curso de Desenho Artístico e Pintura na Fundação Indaialense de Cultura (FIC), com o artista surrealista J. Nunes. O objetivo inicial era técnico: aprimorar o olhar publicitário, compreender proporção, volume e contraste. No entanto, o que era apenas uma ferramenta de trabalho rapidamente se transformou em uma forma de expressão pessoal. “Comecei aos poucos a materializar o que sentia, o que via”, conta a artista.

Com formação em Publicidade e Propaganda pela FURB, Ornella levou para a arte muito do que aprendeu no universo digital. “Meus primeiros experimentos envolviam redesenhar à mão, no computador, os esboços feitos no papel, transformando-os em vetores no Corel Draw. Desses desenhos, surgiam formas que ganhavam vida nova e se transformavam em mundos imaginários. Aos poucos, a fronteira entre o design e a arte foi se dissolvendo, até que, em 2015, mergulhei definitivamente no universo artístico, iniciando um novo ciclo de criação e transformação”, conta.

Sua principal técnica é a pintura a óleo, marcada por cores vibrantes e volumes intensos. Um diferencial em seu trabalho é o uso de tintas fluorescentes, que convidam o público a experimentar diferentes formas de olhar — sob a luz natural e sob luz negra — desafiando a percepção e estimulando o espectador a redescobrir a obra. Essa dualidade visual é, para Ornella, um convite à reinvenção do olhar cotidiano.

“Além da pintura, eu também pesquiso sobre esculturas, transportando para o tridimensional as formas que antes habitavam as telas. É onde materializo o que percebo, sinto e vejo”, resume. Seu trabalho ainda se expande para objetos de arte, vestuário e mobiliário, sempre guiado por uma inquietude criativa que a impulsiona a explorar novas linguagens e suportes.

Mas nem tudo são cores e formas: o caminho do artista também traz seus desafios. “Há uma necessidade de valorização, reconhecimento, retorno financeiro e, consequentemente, independência. Encontrar a minha própria linguagem e manter-me fiel a ela, em meio às demandas do mercado e às instabilidades da profissão, é um exercício constante de persistência e autoconhecimento”, explica Ornella.

Apesar disso, é na pintura que a artista encontra seu verdadeiro encantamento. “É a vida se transformando, transcendendo. É uma expressão genuína do ser. A arte se comunica em cores, formas, criatividade… É o ato de pesquisar, desenvolver, valorizar. É solitude e aprendizado constante”, descreve. Para Ornella, cada obra é uma forma de ver e sentir o mundo de maneira diferente — um convite a ressignificar o cotidiano.

As inspirações para suas criações vêm da própria vida, que ela define como “um universo extraordinário. Espaços, cores, geometrias e sensações compõem uma narrativa visual que, mais do que representar, busca despertar. É o movimento. É um convite a olhar o mesmo lugar de outra forma. Descobrir um novo mundo a cada momento.”

Foto: Arquivo pessoal

 

Sua produção já foi apresentada em diversas exposições individuais e coletivas, incluindo a seleção para o prestigiado 8º Salão Elke Hering com a instalação “Tempo”, em parceria com o fotógrafo Adonis de Deus. Atualmente, suas obras podem ser encontradas em seu ateliê em Timbó e em galerias como a Cássia Acosta Art Gallery, em Balneário Camboriú, a Fenix Galeria de Arte, em Embu das Artes (SP), Jardins Paulista e Itaim Bibi, além da M. Koerich Art Gallery.

Além de criar, Ornella também compartilha seu conhecimento. A convite de professores, visita escolas para conversar com alunos do ensino fundamental, promovendo uma experiência artística acessível, sensível e inspiradora. “É uma troca que enriquece. Aproxima o artista das crianças e jovens, e abre caminhos para novas formas de ver e pensar o mundo.”

A arte, para Ornella Jacobsen, é mais do que profissão — é encontro, é laboratório, é vibração. “Ela tem voz própria”, afirma. E é através dessa voz que a artista convida cada um de nós a mergulhar em seu universo sensorial, feito de cores, formas e significados que se revelam aos poucos, como quem aprende a ver de novo, pela primeira vez.

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