Árbitros pomerodenses participam de protesto nacional contra a violência
Campanha foi motivada pelas agressões sofridas por Rodrigo Crivellaro, durante a segunda divisão do RS.
Neste fim de semana, o esporte se uniu contra a violência no futebol. Em resposta à agressão sofrida pelo árbitro Rodrigo Crivellaro, durante uma partida realizada pela segunda divisão do Campeonato Gaúcho, os árbitros que apitaram partidas de competições organizadas pela CBF, realizaram um “protesto”, antes do início dos confrontos.
Organizada pelo Sindicato de Árbitros de Futebol do Rio Grande do Sul (Safergs), a campanha teve o apoio de diversas federações e sindicatos, inclusive, de Santa Catarina, cujos filiados também aderiram à manifestação. Logo após o minuto de silêncio, em memória das vítimas da Covid-19, árbitros centrais, quartos e quintos árbitros, além dos assistentes, ficaram de joelhos, levantando seus instrumentos de trabalho (apito ou bandeira).
E no confronto entre Cruz de Malta x Sporting Potiguar, válido pela Copa Alto Vale e disputado neste domingo, 10 de outubro, em Imbuia, o quarteto de arbitragem da Liga Pomerodense de Desportos (LPD), representado pelo árbitro Klaus Utpadel, pelos assistentes Mateus Klabunde e Gilmar Palavesini, além do delegado Jefferson Barbosa, também participou do protesto.
Utpadel, que também é presidente da Associação Pomerodense de Árbitros de Futebol (Apaf), considerou de extrema importância o movimento, uma vez que a violência no esporte, em qualquer dos seus setores, é lamentável. “Infelizmente, isso acontece muito no Brasil, principalmente, nos campeonatos amadores. Somos árbitros, mas temos família e emprego. Errar faz parte da vida do ser humano, mas a partir do momento que você chega a esse ponto, agredir uma pessoa que está fazendo seu trabalho, que sai de casa cedo e volta tarde da noite, deixa as famílias em casa para ir trabalhar, é algo inadmissível”, desabafa.
O árbitro, inclusive, diz que já passou por esse tipo de situação, não tão grave, e que também já presenciou agressões a seus colegas de trabalho. “Nós estávamos sem o apoio necessário para tomar providências mais drásticas, por isso, montamos a associação para, além de tudo, reivindicar respeito ao nosso trabalho. Tanto que a Apaf repudia qualquer tipo de agressão, seja ela física ou verbal, com respaldo de nosso setor jurídico. Tivemos, na semana passada, dois fatos que ocorreram com nossos árbitros: um em Jaraguá do Sul, no qual foram enviadas diversas mensagens, em um aplicativo de Redes Sociais; e outra, em Pomerode, com ofensas ao árbitro. Em ambos os casos, as providências já foram tomadas. E a partir dessa semana, a Apaf estará adquirindo câmeras, para que todos os jogos sejam filmados, oferecendo para os nossos associados uma segurança a mais”, enfatiza.
Utpadel ressalta que a educação vem de casa e que situações como a vivida pelo árbitro Rodrigo Crivellaro, infelizmente, não são raras. “Este tipo de coisa nunca vai acabar dentro do futebol, principalmente, as ofensas morais, pois isso é uma ‘cultura’ no futebol. Mas tentaremos coibir este tipo de prática da maneira mais drástica, levando cidadãos como esse aos tribunais. Somos seres humanos e, na maioria das vezes, deixamos de sair com a nossa família para trabalhar. Nos preparamos, estudamos, investimentos em nós, treinamos para estarmos sempre preparados para qualquer tipo de jogo. Então, no mínimo, merecemos o respeito. Violência, não!!!”, conclui.
