Saúde

Anvisa proíbe suplemento com moringa após risco de contaminação por Salmonella resistente

Agência alerta para riscos graves à saúde e orienta consumidores a não utilizarem

2 de abril de 2026

Foto: Anvisa / Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição da comercialização, distribuição, importação, propaganda e uso do suplemento alimentar “Dietary Supplement Rosabella Moringa Capsules”. O produto, fabricado pela empresa Ambrosia Brands LLC, é à base da planta Moringa oleifera — cuja utilização em alimentos já é proibida no Brasil.

A medida tem caráter preventivo e foi adotada após o suplemento ser associado a um surto de contaminação por bactéria Salmonella resistente nos Estados Unidos, conforme comunicado da U.S. Food and Drug Administration (FDA).

Segundo a Anvisa, embora o fabricante tenha informado a distribuição do produto ao Brasil, não há registro de importação regular para fins comerciais. No entanto, foram identificados anúncios em plataformas de e-commerce, como o Mercado Livre, indicando a possibilidade de entrada irregular por meio de compras internacionais feitas por pessoas físicas.

Lotes proibidos

A proibição atinge diversos lotes do produto, conforme a Resolução (RE) 1.245/2026. Entre eles estão:

5020591, 5020592, 5020593, 5020594, 5020595, 5020596, 5030246, 5030247, 5030248, 5030249, 5030250, 5030251, 5040270, 5040271, 5040272, 5040273, 5040274, 5040275, 5040276, 5040277, 5040278, 5040279, 5050053, 5050054, 5050055, 5050056, 5060069, 5060070, 5060071, 5060072, 5060073, 5060074, 5060075, 5060076, 5060077, 5060078, 5060079, 5060080, 5080084, 5080085, 5080086, 5090107, 5090108, 5090109, 5090113, 5090114, 5090115, 5090116, 5090117, 5090118, 5100039 e 5100048.

Entenda os riscos

A contaminação envolve uma cepa de Salmonella resistente a antibióticos de primeira linha e também a tratamentos alternativos, o que agrava os riscos à saúde.

A infecção, conhecida como salmonelose, costuma se manifestar entre 12 e 72 horas após a ingestão do alimento contaminado. Os sintomas incluem diarreia, febre e cólicas abdominais, com duração média de quatro a sete dias.

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Em casos mais graves — especialmente entre crianças menores de 5 anos, idosos e pessoas com baixa imunidade — a bactéria pode causar complicações como infecção arterial, endocardite e artrite. Por se tratar de uma cepa resistente, o tratamento pode exigir medicamentos mais potentes e específicos.

Produto é proibido no Brasil

A Anvisa reforça que alimentos contendo Moringa oleifera são proibidos no país desde 2019, por não apresentarem comprovação de segurança para consumo. Estudos analisados pela agência não conseguiram descartar efeitos genotóxicos (relacionados ao desenvolvimento de câncer) e hepatotóxicos (danos ao fígado).

Orientações ao consumidor

A agência orienta que a população não compre nem consuma produtos à base de moringa. Também alerta para propagandas enganosas que atribuem propriedades terapêuticas aos suplementos, como cura de câncer ou tratamento de doenças crônicas — alegações não permitidas para alimentos.

Produtos com rótulos em inglês, sem informações em português sobre origem e composição, são indícios de irregularidade.

Quem identificar a venda desses itens pode denunciar às vigilâncias sanitárias locais ou diretamente à Anvisa por meio dos canais oficiais.

Uso de suplementos exige cuidado

Suplementos alimentares são destinados a complementar a dieta de pessoas saudáveis e devem conter apenas ingredientes autorizados pela Anvisa. Eles não têm função de tratar, prevenir ou curar doenças.

O uso de produtos irregulares pode representar riscos à saúde, especialmente quando há substâncias não avaliadas ou fabricação fora dos padrões sanitários exigidos.

 

Com informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa

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