A sintonia dos bastidores: como a parceria de Anderson e Cheila sustenta o Union Volleyball
Por trás das viagens, súmulas e campeonatos, há um casamento. A exaustão, as lágrimas e a parceria de um casal que transformou o próprio lazer em um projeto de vida esportivo
Foto: Arquivo Pessoal
Por trás do apito final e da euforia de uma vitória nas quadras de voleibol de Pomerode, não há apenas tática ou planejamento esportivo; existe, também, a parceria de um casal. Anderson Checato e Cheila dos Santos Antônio são a personificação da dualidade que mantém vivo o Union Volleyball, equipe amadora de vôlei de Pomerode.
O choro de desidratação de Checato após a conquista do terceiro lugar na fase regional dos Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC) no ano passado demonstra o sacrifício da dupla: “eu me pego, volta e meia, assistindo a esse jogo no YouTube e me emocionando cada vez que eu vejo, parecendo que estou vivendo o momento ainda”, relembra. A catarse foi selada em um abraço inesquecível para o dirigente: “poder abraçar a minha esposa após uma conquista dessa e ouvir dela: ‘conseguimos’, e poder falar isso também, é algo insano, absurdo”.
Paixão compartilhada
A história do casal não começou na beira da quadra. Eles se conheceram na igreja, mas logo descobriram no voleibol um hobby em comum. O esporte, que para ambos era apenas um momento de lazer em competições escolares e municipais de fim de semana, tornou-se o alicerce de uma convivência intensa.

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“Eu me sinto um cara privilegiado porque Deus colocou na minha vida uma mulher que tem os mesmos hobbies que eu, a mesma ideia de lazer”, conta Checato, ressaltando que a sintonia fora das quadras é o motor do projeto: “se ela não tivesse o mesmo desejo do que eu, ou até mesmo eu o mesmo do que o dela, talvez começaria a puxar para lados diferentes e a relação não seria tão boa, ou a gente deixaria de lado a questão do projeto”, analisa.
Esporte moldando comportamentos
A dinâmica do casal fora de casa dita o ritmo do projeto esportivo. Checato tem um jeito mais comunicativo e emotivo, característica que, no início de sua trajetória diretiva, gerava atritos: “tem uma linha ali que deixa de ser uma qualidade para ser um defeito você ser muito emotivo, muito sanguíneo”, reconhece.

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Após receber conselhos sinceros de colegas do esporte sobre ser o “cara chato” que pegava pesado nas reclamações contra a arbitragem, ele entendeu que a equipe precisava de um líder centrado: “tudo na vida é evolução, você tem que estar procurando essa melhora em seu caráter, em seu comportamento”, reflete. Do outro lado dessa balança está Cheila, uma presença mais discreta que ancora as emoções do marido e traz a racionalidade e a organização necessárias aos bastidores.
O custo do lazer
A linha que separa o hobby apaixonado do esgotamento é tênue, afirma Checato. Profissionais autônomos, o casal viu dificuldades em equilibrar a vida pessoal com as exigências estruturais da competição. Com o aumento das viagens pelo Litoral e Alto Vale, chegaram a passar três meses ininterruptos sem um único domingo de descanso.

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“Em alguns momentos nós chegamos a chegar em casa, sentar e pensar em parar, com o cansaço. Porque se divertir também cansa. O lazer também cansa”, desabafa Checato. Foi exatamente essa exaustão logística e a necessidade de frear os gastos da própria família que motivou o casal a criar o Grand Prix de Voleibol, campeonato de Pomerode que eliminou as viagens constantes.
O torneio se tornou o único amador no Estado a ter um sistema de desafio, tornando-se referência de excelência na região.
O limite entre o hobby e a obrigação
Ao projetar o futuro, Checato afirma que há o desejo genuíno de, quem sabe um dia, viver exclusivamente da gestão esportiva. Contudo, o receio de perder o encantamento inicial freia os passos: “tudo que você faz por prazer, a partir do momento que se torna uma obrigação, ou um trabalho também, acaba te fazendo perder um pouco da paixão”, pondera.

Foto: Arquivo Pessoal
Hoje, eles seguem equilibrando as próprias profissões com as horas dedicadas ao voleibol, cientes de que o verdadeiro combustível da jornada é caminharem na mesma direção: “se nós estamos fazendo isso é porque nós temos algum retorno”, avalia Checato. “É algo que nos entrega alegrias, momentos que vão ficar eternizados para nós”, completa.
O “HD” da Família e das Quadras
Na engrenagem esportiva gerida pelo casal, Checato é a voz de quadra, mas ele faz questão de frisar que Cheila é a estrutura invisível que impede o colapso do sistema. Frequentemente nos bastidores por sua postura reservada, ela atua como organizadora financeira, logística e principal pilar administrativo.
O peso do trabalho de Cheila é algo que o próprio marido tenta evidenciar para os jogadores: “eu falo para eles (os jogadores), vocês não têm ideia o quanto ela trabalha para que vocês tenham essa qualidade de treino, essa estrutura para poder chegar em um campeonato, performar e não se preocupar”, relata. O trabalho envolve desde os lanches e a contabilidade até o cuidado básico. “Ela chega com todo carinho, lava [o uniforme], seca, guarda, dobra”, exemplifica.
Mais do que o suporte logístico, Cheila é a arquiteta que padronizou a organização dos campeonatos de Pomerode e a âncora do próprio parceiro. “Eu sou muito esquecido, e ela é meu HD. É ela que avisa: ‘Ó, isso dali, vai resolver ou não?’”, brinca Checato, resumindo a importância inegociável da esposa: “se fosse só por mim, não seria possível”, completa.