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A força e resiliência da mulher, no trânsito

Sara Regina Rocha e Camila Jacques Schuler atuam na Getran de Pomerode e falam sobre os desafios da presença feminina no meio

8 de março de 2025

Foto: Isadora Brehmer / JP

Seja nas ruas ou no atendimento ao público na sede da Gerência de Trânsito de Pomerode, as mulheres que integram a equipe do órgão demonstram toda a força e profissionalismo necessários em uma área que ainda pode ser considerada majoritariamente masculina.

Atualmente, são duas mulheres que integram a equipe da Getran de Pomerode, Sara Regina Rocha, agente de trânsito, e Camila Jaques Schuler, assistente administrativa.

Desde dezembro de 2022 Sara integra a equipe de agentes de trânsito que trabalham nas ruas de Pomerode, assumindo também alguns serviços administrativos na base da Gerência de Trânsito no início deste ano.

De acordo com a agente, a função surgiu como uma oportunidade por meio do concurso público no ano de 2018 e Sara decidiu participar. Antes disso, ela já trabalhava na área operacional, acumulando uma experiência de 12 anos como portuária em outro estado.

“O trabalho operacional sempre fez parte da minha vida profissional, então eu não vi problema algum em tentar esta oportunidade como agente de trânsito, apesar de ser um ambiente praticamente todo masculino. Sempre tive um ambiente de trabalho tranquilo e aqui na Getran continua desta forma”, conta.

Entre suas funções como agente de trânsito, na parte operacional, é possível citar fiscalização, orientação e atuação em eventos que exigem o cuidado com a segurança no trânsito, além de executar a sinalização nas ruas, quando necessário. Já na área administrativa, Sara realiza o atendimento à comunidade buscando atender as diferentes solicitações e demandas.

Camila Jacques Schuler integra a equipe da Getran há três anos e também ingressou na Gerência por meio de concurso. Depois de se mudar para Pomerode com o marido, vindos do Rio Grande do Sul, Camila passou a atuar no órgão como assistente administrativa.

Camila Jaques Schuler. (Foto: Isadora Brehmer / JP)

 

“No atendimento, nós somos o rosto que as pessoas veem em primeiro lugar, quando buscam a Getran. Quando isso acontece, é comum que seja porque tiveram algum problema e precisamos ouví-los, tentar ajudá-los e ter ‘jogo de cintura’ para resolver a situação da melhor maneira. Muitas vezes, as pessoas querem receber esta atenção, serem ouvidas”, comenta Camila.

Mesmo internamente, no atendimento, Camila revela que é preciso ter pulso firme, pois há situações em que o respeito é menor pelo fato de ser mulher. “Temos de nos posicionar com firmeza, para que haja respeito conosco e sempre ter em mente que as pessoas buscam respostas, então deve haver este equilíbrio também com a sensibilidade, de que a pessoa precisa ser ouvida e deseja uma solução para algum problema, que não está relacionado a você”, complementa.

Hoje, a assistente administrativa não atua mais diariamente com o atendimento ao público, e sim com a continuidade destas solicitações. Por exemplo, para quem entrava com um pedido de recurso, esta solicitação é analisada por Camila, para ser repassada à autoridade de trânsito. Além disso, a assistente administrativa atua na elaboração e seguimento de ofícios, de memorandos, organização de algumas coisas da Junta Administrativa também, bem como outros serviços burocráticos.

Sara reforça que estas situações citadas por Camila necessitam justamente desta paciência e do profissionalismo para oferecer o melhor atendimento possível. No trabalho operacional, nas ruas, segundo Sara, o principal desafio é lidar com a ausência do respeito em algumas situações.

Sara Regina Rocha. (Foto: Isadora Brehmer / JP)

“Historicamente, a visão do sexo feminino numa área operacional, que é praticamente liderada por homens, não é, ainda, muito bem aceita. Então, as pessoas precisam ver que nós estamos aptas, preparadas, tanto quanto um colega do sexo masculino. Por exemplo, já aconteceu de estarmos eu e outros colegas, homens, e vir uma pessoa do sexo masculino em nossa direção, passar por mim e ir até o meu colega, me ignorando completamente, talvez por ter achado que eu não seria apta para poder dar algum tipo de informação mais concreta”, revela a agente de trânsito.

Sara comenta, também, que existem outras situações de enfrentamento de machismo, inclusive vindo de outras mulheres. “Embora em muitas situações seja bem resolvido, em alguns casos é encarado como se um comentário ruim fosse uma brincadeira e que não pode ser encarado de forma diferente, como algo diretamente ligado ao machismo”, afirma.

Mesmo no atendimento, segundo Camila, há situações em que o machismo com relação mulheres no setor de trânsito fica evidente. “Não é porque somos mulheres que temos menos conhecimento e, algumas vezes, até mesmo as mulheres têm preconceito com mulheres. Já houve situações em que eu estava atendendo e, se havia um colega homem comigo, junto na sala, as pessoas falavam diretamente com ele, mesmo que eu estivesse de uniforme igual a ele”, conta.

Por outro lado, segundo Camila, internamente o respeito é muito grande por parte dos colegas, sem situações de desconforto em relação a serem mulheres. “O importante é sabermos nos impor, respeitando também a outra pessoa, além de filtrar um pouco o que ouvimos, focando em realizar o nosso trabalho corretamente”, frisa.

A agente de trânsito da Getran finaliza, ainda, aconselhando as mulheres que pensam ou desejam seguir carreira nesta área. “Tenha coragem, paciência e discernimento nos momentos difíceis. Eu precisei aprender a agir desta forma, para que tudo ocorresse da melhor maneira, além da inteligência emocional, que é muito importante”, encerra Sara.

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