Esporte

A força de uma campeã

Aos 15 anos, ela já coleciona muitas histórias de superação, acumula diversas medalhas e espalha a serenidade pelo mundo.

1 de dezembro de 2019

Aos 15 anos de idade, ela já coleciona muitas histórias de superação, acumula diversas medalhas e espalha pelo mundo, um dos sentimentos mais nobres que um ser humano pode ter: a serenidade. Estamos falando de Daniela Zinke, paratleta pomerodense, que conquistou, pela terceira vez, a medalha de ouro Bocha Paralímpica Classe BC1 – Categoria B, dentro das Paralimpíadas Escolares.

A competição, que ocorreu entre os dias 19 e 22 de novembro, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo (SP), também coroou a paratleta Ana Bahr, da E.E.B. José Bonifácio, que disputou o Tênis de Mesa – Classe Deficiente Intelectual, e ficou com a medalha de bronze.

Representando a Apae de Pomerode, Daniela foi acompanhada, na ocasião, pela sua professora de Educação Física, Karla Schubert, que ressalta as principais qualidades da jogadora e que a tornam um dos grandes nomes da modalidade em Santa Catarina. “Ela participa da Classe BC1, na qual, há poucos atletas, tanto em nível estadual, quanto nacional. E o que a torna especial, é a sua calma para jogar, enquanto os outros deixam o nervosismo transparecer. Por ela ter esse lado mais centrado e calmo, os adversários já vêm com essa pressão e isso acaba os abalando. Por exemplo, nas quartas e semifinais, ela conseguiu dominar dois atletas que vinham com muita experiência. E como a classe está em ascensão, ela vem nesta evolutiva, o que a beneficia nas competições em que participa”, destaca Karla.

Daniela treina quatro vezes por semana: duas com a coordenadora do paradesporto pomerodense, Ilsani Baptista, e duas com a professora Karla, na Apae. “Também há um complemento em casa, com exercícios de fortalecimento e alongamento, além da análise de vídeo das partidas”.

 

Dani e sua professora Karla, exibem mais uma conquista (Foto: Bob Gonçalves / Jornal de Pomerode)

A experiência em nome do futuro

A paratleta iniciou sua trajetória dentro da Bocha Paralímpica aos oito anos, quando participava de competições menores, na região. Quatro anos mais tarde, começou a figurar em torneios e campeonatos de maior expressão. “A sua evolução dentro do esporte vai depender da sua continuidade. Se ela permanecer nesse patamar, com certeza, poderá integrar campeonatos mais fortes, em termos de competitividade, nos níveis estadual e regional Sul”, destaca Karla. “Costumo conversar com ela sobre autoestima. Ela precisa se enxergar, não através da deficiência, mas sim, no que essa deficiência trouxe para ela. Ela poderia ser uma menina comum perante a sociedade, fazendo tudo o que as outras adolescentes fazem, na idade dela. Mas, por causa da sua necessidade especial, ela chegou num patamar onde a maioria dos adolescentes, na idade dela não chegariam, através do esporte. Ela superou a deficiência e utilizou dela para ser a atleta que é, a filha que é e um exemplo de dedicação, esforço e superação de limites”, complementa.

Até mesmo para a professora, a experiência nas Paralimpíadas Escolares ficará, para sempre, em sua memória. “Foi muito gratificante. Estou neste mundo desde 2010 e é muito bom estar em lugares onde as pessoas superam, todos os dias, os seus limites. Além disso, percebo que a base do nosso paradesporto está aí, de onde poderão sair grandes atletas, no futuro, com os investimentos corretos e apoio de todos. Estar lá com a Dani foi um pouco diferente, porque ali era só eu e ela, tendo que representar a Apae, Pomerode e Santa Catarina. E por ser muito tranquila, ela acabou não ‘sentindo’ esse peso, mas eu sabia que a responsabilidade era muito grande. E isso tem um lado bom e um lado ruim: o bom, poder representar a camisa que eu visto, diariamente, com muito orgulho; e o ruim, você se cobrar e não ser o suficiente, tentando provar que é capaz. Mas, no fim, tudo acaba da melhor maneira. Foram dias de muita aprendizagem, que vou levar, para toda a minha vida, o que me engrandece como pessoa e como profissional”.

 

Apoio da família, neste contexto, é fundamental (Foto: Divulgação)

Ela também aproveita para fazer alguns agradecimentos. “Quero dizer ‘muito obrigado’ à técnica Ilsani, que me inseriu nesse mundo, em 2010; à Funpeel, que apoia o esporte e o paradesporto; à Apae, por acreditar no nosso trabalho, que vai além das quadras; e à família da Dani, pelo apoio e confiança”, finaliza.

 

Campeões

A delegação de São Paulo foi a vencedora geral das 13ª Paralimpíadas Escolares, seguida por Santa Catarina, que terminou em segundo lugar (465,5 pontos) e pelo Distrito Federal (350 pontos). A competição contou com o apoio da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo.

 

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