Esporte

Vera Cruz não participará do Regional da LPD

Nada mais frustrante do que uma equipe tradicional da cidade de Pomerode não poder participar de uns dos mais importantes campeonatos amadores do Sul do Brasil. Ainda mais quando a equipe em questão está comemorando seus 70 anos. Pois é exatamente esta a realidade vivida pelo Vera Cruz para 2014, pois resolveu abdicar de sua sua participação no Campeonato Regional da LPD, por motivos financeiros.

1 de junho de 2015

Nada mais frustrante do que uma equipe tradicional da cidade de Pomerode não poder participar de uns dos mais importantes campeonatos amadores do Sul do Brasil. Ainda mais quando a equipe em questão está comemorando seus 70 anos. Pois é exatamente esta a realidade vivida pelo Vera Cruz para 2014. Após dois anos de muitas alegrias ao seu torcedor (campeão em 2012 e vice-campeão em 2013), o clube de Testo Central resolveu abdicar de sua participação no Campeonato Regional da LPD, por motivos financeiros. Eu lamento que não tenhamos condições de continuar, no entanto, o mercado inflacionou demais e está sufocando as equipes. Além disso, o não repasse da Prefeitura Municipal à LPD (Liga Pomerodense de Desportos) foi o ponto fundamental para que tomássemos essa decisão, destaca o presidente, Ademar Marquardt.
Ele enfatiza que, em outros torneios, os jogadores estão atuando por bem menos do que jogam em nossa cidade, por causa da importância e visibilidade que a competição possui. Como o ‘Vera ficou campeão no ano retrasado, e vice-campeão ano passado, é um clube em que todos querem estar, mas acham podem jogar o preço ‘lá em cima. Além disso, está cada vez mais difícil de conseguir patrocínio da iniciativa privada para o futebol amador. Todos esses fatores somados começam a inviabilizar a participação dos clubes. Por isso, tivemos que tomar essa medida, em respeito à saúde financeira da instituição, esclarece. Marquardt diz que, para que se possa formar um time competitivo, é preciso desembolsar cerca de R$ 9 mil por jogo. Não são somente os jogadores, mas também o técnico, auxiliar, massagista, todos trabalham e querem receber. E este ano, há o custo adicional por jogo para a arbitragem, de R$ 800,00, somados à segurança, que é responsabilidade dos clubes. Tudo isso gera uma despesa de R$ 1.100,00 antes de o time entrar em campo, muitas vezes, nem coberta pela renda.
Isso, somado ao fato de algumas parcerias não renovarem com o clube, também contribuíram para essa decisão. É complicado a diretoria tirar dinheiro do próprio bolso para investir em algo que não terá retorno lá na frente. Todos os anos, procuramos viabilizar parcerias e formar times fortes. No entanto, o Loes, que esteve vinculado ao clube nos últimos anos, começou a ter outras visões, investindo no futsal, Campenato Amador de Blumenau e também no time do Metropolitano. Por isso, a parceira para 2014 não irá existir, o que pesou na desistência do Regional, comenta.
O presidente, entretanto, se mostra bastante indignado com relação à morosidade que o Poder Público conduziu a questão do repasse de verbas, jogando a responsabilidade para os clubes. Em minha opinião, é uma falta de respeito com o futebol amador. Pelo nível que o campeonato apresenta, é uma vergonha que a Prefeitura não repasse verba para a LPD, que gerencia o maior campeonato amador do sul do Brasil. Existem outras formas de auxílio, como já foi feito ano passado. Se este ano não estão ajudando, é porque não querem ajudar. A impressão que dá é que eles querem acabar com o Campeonato da Liga. Se houvesse o custeio da arbitragem, com certeza disputaríamos, desabafa Marquardt, acrescentando que se gasta dinheiro em tantas outras modalidades e o futebol não é valorizado, mesmo sendo a competição que mais traz público aos estádios, mais mídia e onde há o envolvimento maciço da população, principalmente nos jogos decisivos.

Comemoração – Em 2014, o Vera Cruz comemora seus 70 anos. E para que o clube não fique sem atividades, será viabilizada a realização de torneios, amistosos com importantes equipes e também a preparação de um time competitivo o Campeonato Municipal. A ideia é não deixar o local parado, para que o torcedor possa comparecer e ter atrativos. Neste ano, estaremos tentando minimizar a não participação na Liga, trazendo a comemoração do aniversário dentro de uma realidade do futebol amador. Não faremos mais ‘loucuras, pois temos outros objetivos, como recuperar a sede e atender às exigências dos Bombeiros que vistoriaram as instalações, solicitando uma série de modificações e adequações, tudo para que o torcedor tenha mais conforto e segurança, ressalta.
Marquardt tem a consciência de que a torcida vai sentir falta dos jogos, mas é preciso entender que um jogo da LPD não é barato. Poderíamos fazer um time só para participar, mas sabemos que não seria possível, pois as cobranças aconteceriam, com certeza. Mas eu gostaria que cada um refletisse sobre o quanto contribuiu, nos últimos anos, para ajudar o Vera Cruz. Por isso, teremos esse ano de fôlego para, inclusive, reestruturar a diretoria, o que também é difícil, pois muito poucos querem assumir um time de futebol. Faremos um planejamento para 2015, buscando novas parcerias e viabilizando a participação na Liga no ano que vem, declara.

Aspirantes – Uma solução para que o Campeonato Regional da LPD volte a ficar dentro de uma realidade financeira saudável, segundo o presidente, seria a volta dos Aspirantes, o que daria a oportunidade de jogadores de nossa cidade estarem participando do time principal, a um custo mais baixo. O mercado começou a inflacionar há uns 10 anos, quando os clubes iniciaram, de maneira incisiva, a busca por jogadores de fora da cidade. O futebol em Pomerode era viável quando se jogava a Categoria Aspirantes, na qual eram revelados muitos atletas para os times de cima. Quando os aspirantes foram extintos, ficou difícil ‘formar jogadores. Se houvesse a oportunidade de colocar sete ou oito jogadores de Pomerode nos times principais, a um investimento mais baixo, o espírito do futebol amador retornaria, bem como o saldo positivo nos caixas dos clubes, ressalta Marquardt.
Ele acredita que o campeonato esteja profissional demais, incluindo-se nessa culpa pela inflação no mercado. Para ilustrar essa realidade, basta fazer uma conta simples: um jogador que ganha R$ 700,00 por jogo e que dispute três partidas por fim de semana (o que acontece em alguns casos), receberá, em 4,5 horas (caso jogue os 90 minutos), R$ 2.100,00, o que dá R$ 466,67 por hora. Muitos empregados nem chegam perto deste valor trabalhando o mês inteiro. Temos que rever essa política, senão, em um futuro próximo, vários times não disputarão mais esse campeonato. Além disso, essa situação faz com que o clube gaste muito dinheiro no primeiro semestre e fique numa situação financeira delicada durante o restante do ano, dando menos condições para recuperar sua sede, formar categorias de base dentro do clube e investir na comunidade ressalta.

Despedida – Ademar Marquardt está se despedindo da presidência do Vera Cruz, a partir do dia 08 de fevereiro, mas garante que estará ajudando como membro e torcedor. Nestes dois anos de mandato, ele foi campeão invicto em 2012 e vice-campeão em 2013. Dentro de campo, foi um período de muito sucesso. Também procuramos manter a sede sempre nas melhores condições possíveis e me despeço deixando o caixa com saldo positivo. Da diretoria que está findando seu mandato, várias membros desejam continuar ajudando. Por isso eu convido quem estiver interessado para dar continuidade ao trabalho, nos procure. Acredito que eu fiz a minha parte e ajudei no que foi possível, junto com meus companheiros, aos quais eu agradeço. Foram poucos, mas que trabalharam muito, finaliza.

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