Esporte

O Forrest Gump pomerodense

Se algum lema pudesse definir a vida de Fábio Rodrigo Machado, esse seria “correr é preciso”.

1 de junho de 2015

Se algum lema pudesse definir a vida de Fábio Rodrigo Machado, esse seria “correr é preciso”. Morando em Brasília desde janeiro de 2009, além de bancário, Fábio é especialista em corridas, sejam elas de curtas distâncias, 10 km e meias maratonas, como de grandes percursos, entre elas, maratonas e ultramaratonas.
“Sempre gostei de esportes, mas nunca levei nada muito a sério, ainda que, durante o ensino médio, tenha feito parte da equipe de vôlei da CME de Pomerode. Tudo isto mudou quando vim morar em Brasília. Por aqui, as corridas de rua (provas de cinco e 10 km) são muito populares e há muitas provas sendo disputadas todos os finais de semana. Motivado por colegas do banco, que possuíam uma equipe de corrida – Equipe Jabuti -, comecei a correr em fevereiro de 2009. Já no mês de março daquele ano, disputei minha prova de 10 km. Desde então, não parei mais”, disse.
O atleta de 33 anos tem familiares morando na cidade mais alemã do Brasil. Devido ao seu trabalho, já morou em diversos municípios, como Blumenau, Cuiabá/MT, Ponta Grossa/PR e Brasília/DF. “Vou pouco a Pomerode, em média, uma vez por semestre. Inclusive, minha última visita foi em outubro de 2011, quando participei da Meia Maratona. Mas estou voltando agora em agosto, para rever minha família e matar a saudade”, comemora.
Responsabilidade
Uma das maiores incentivadoras de Fábio é a noiva Luciana Pinheiro Sobreira. “Além de me dar total liberdade para os treinamentos, ela presta apoio em todas as provas que faço. Estou falando da responsabilidade por tudo o que bebo, como, visto, orientação de ritmo de provas, classificação… Sem ela, com certeza não estaria correndo em um nível tão alto”.
Os resultados de tamanha dedicação aparecem no final das provas. Fábio já conquistou bons resultados em diversas corridas, entre elas, o BSB 50 – 50 km (Brasília/DF) – terceira colocação; BR 217 trio – 217 km na Serra da Mantiqueira (Caminho da Fé, entre SP e MG) – segunda colocação; 100 km de Praia Grande (Praia Grande/SP) – sexta colocação geral e campeão da categoria (faixa etária); campeão geral da Ultra 12 horas Paraná (Almirante Tamandaré/PR), totalizando 115 km em 12 horas; e Ultra 24 horas Fuzileiros Navais (Rio de Janeiro/RJ), realizada na semana passada, a qual conquistou a décima colocação geral, além de ser campeão da categoria.
Segundo ele, esta foi a prova mais difícil de sua vida. “Ela é disputada em uma pista de 400 metros e ganha quem der mais voltas durante 24 horas. Há liberdade total de ritmo e estratégia e eu consegui percorrer 183,6 km. As dificuldades são calor durante o dia, frio à noite, concentração para dar mais de 400 voltas na pista, que resultaram em dores com bolhas nos dedos, luta contra desidratação e desnutrição. Mas tudo isso é superável, quando se tem amor por aquilo que se faz”, enfatiza Machado.

Experiência internacional
Fábio também já mostrou o seu talento além das fronteiras brasileiras, quando participou da Maratona de Atenas (Grécia), em outubro de 2010, Maratona de Santiago (Chile), abril de 2011 e Comrades (África do Sul), em junho deste ano, na qual foi terceiro melhor brasileiro e melhor atleta de Brasília.
O maratonista conta que sua motivação é a busca por novos desafios e a superação de seus limites, com a experiência de já ter participado de 15 provas de 10 km, seis meias maratonas, 13 maratonas e 10 ultramaratonas.
Mas ainda falta uma em seu currículo: a Badwater. “É uma ultramaratona de 135 milhas (217 km), que começa no Vale da Morte, na Califórnia, a 90 m abaixo do nível do mar e termina no Monte Whitney, a mais de 2,7 km de altitude. É considerada a corrida mais dura da terra, até por conta das temperaturas que chegam a 57 graus. É algo fascinante que ainda terei a oportunidade de participar”, conta.

Preparação
Mas para aventuras como esta, não adianta simplesmente colocar um tênis e sair correndo por aí. O grande segredo do sucesso de um ultramaratonista é a sua preparação. Por isso, Fábio mantém uma rotina puxada. “Durante a semana, treino à noite, após o trabalho, cerca de duas horas. Aos finais de semana, concentro nos treinos mais longos, que duram até 12 horas. Normalmente, alterno treinos pela madrugada – para acostumar o corpo ao frio e ao sono – com treinos em horário de sol forte, para suportar o calor. Desta forma, corro por volta de 150 km por semana, totalizando 600 km por mês”.
Dedicação é a palavra chave, para quem quiser alçar voos altos, ou correr grandes distâncias. “Treine forte, orientado por um bom profissional; tenha todo um acompanhamento de nutricionista, cardiologista e fisioterapeuta; tenha objetivos arrojados e busque sempre superar seus limites; tenha sempre pessoas boas e queridas ao seu lado; e não desista. Nunca!”, conclui. Palavras de quem, literalmente, corre atrás dos seus objetivos.

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