Firmando-se no cenário nacional
Sesi Bauru, da jogadora pomerodense Vanessa Janke, encerra a Superliga entre as quatro melhores equipes do Brasil.
Lidar com a pressão está sendo, cada vez mais, corriqueiro na vida da atleta pomerodense Vanessa Janke. Com a responsabilidade de atuar em mais uma Superliga – a 11ª da sua carreira – a jogadora, de 30 anos, integrou o elenco do Sesi Bauru e se destacou em partidas decisivas. O Top 4 na competição nacional coroou um belo trabalho, aliado a muita competência e amor pelo que faz.
A ponteira diz que esta edição da Superliga foi a mais “esquisita” que disputou, o que aumentou, ainda mais, o leque de desafios a cumprir, dentro das disputas. “O campeonato fugiu completamente do que vivemos até ano passado. A pandemia fez com que os clubes e a CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) se adaptassem a toda essa mudança. E nós nos empenhamos para superar tudo isso. Todos os dias tinha uma notícia sobre mudanças e adaptações, então, com toda a certeza, foi a Superliga da superação”.
Tanto que Vanessa nem lembra quantos testes de Covid-19 teve que realizar, ao longo da temporada. “Éramos testados com frequência e, mesmo com todos os cuidados e prevenções, acabamos tendo um surto na equipe. Os protocolos eram bem claros de serem seguidos, apesar de todas as mudanças e adaptações. E disputar essa temporada 100% seguro, acredito que ninguém se sentiu. Muita insegurança e dúvidas pairavam, mas enfrentamos todas as dificuldades e conseguimos terminar a temporada”, relata a jogadora.
Durante a terceira partida das quartas-de-finais, diante do Sesc / Flamengo, Vanessa “roubou a cena”. Substituindo a búlgara Dobriana Rabadzhieva, que sofreu uma lesão no menisco do joelho direito, ela marcou sete pontos, com ótimos 54% de aproveitamento em ataques e uma sequência fundamental de pontos no tie-break, o que fundamental para a classificação às semi. E sua atuação foi elogiada pela imprensa especializada.
“O elogio é consequência do seu trabalho. A gente treina todo dia para chegar no jogo e fazer tudo da melhor forma, executar da melhor maneira. Então, a pressão está na sua preparação, no seu treino. É ali que você trabalha sua mente, para chegar no jogo e não senti-la, pois estará preparado”.

Foto: Marcelo Ferrazoli / Sesi Vôlei Bauru
Tamanha dedicação também rendeu premiações individuais à atleta. “Nesta temporada, eu conquistei, por duas vezes, o Troféu Viva Vôlei (ofertada à melhor atleta da partida). Eles representam o reconhecimento do seu trabalho, do seu esforço. Mas o que realmente importa é a vitória da equipe, o coletivo sempre tem que prevalecer. Tanto que eu me sinto muito honrada em poder dividir a quadra com grandes nomes do voleibol nacional e mundial. Isso agrega muito conhecimento e aprendizado”.
Apesar de o Sesi Bauru ter conquistado o objetivo de terminar entre as quatro melhores equipes da Superliga, ficou o sentimento de frustração, por não ter avançado à decisão. “Diante do Minas, fizemos um primeiro jogo muito abaixo do que podemos, então, só tivemos uma opção para a segunda partida: jogar tudo que podíamos, dar tudo de nós. A vitória não veio, mesmo dando nosso melhor. Mas nos entregamos de alma e coração. Temos que valorizar a superação de todos da equipe”, comenta.
Com o encerramento da Superliga, Vanessa pretende descansar, pensar no futuro e nos próximos passos da sua carreira. “Acredito que ainda não cheguei ao meu auge, quero mais. Tenho alguns objetivos a serem alcançados ainda. Não sei o que será de mim na próxima temporada, é cedo para afirmar algo. Só o que posso afirmar é que esse time representa, para mim, a superação diária. Afinal, Bauru fica distante de tudo e tudo se torna ainda mais intenso e desgastante. Por isso, quero agradecer a todos que me acompanham, principalmente, a minha família, que sempre me manda muita força e entende minha ausência. Sou muito grata a todos, por tudo o que conquistei até aqui”, finaliza.

Foto: Wander Roberto / Inovafoto CBV
