O impacto da Covid-19 no esporte
Apesar da retomada gradativa, pandemia continua afetando as modalidades esportivas.
Mesmo os números da Covid-19 apresentando uma tendência de queda e a rotina, aos poucos, sendo retomada, as consequências da pandemia ainda podem ser sentidas. E, principalmente, no mundo esportivo, no qual as atividades estão retornando, mas ainda, num ritmo não muito adequado. Sem falar daqueles esportes que ainda estão em quarentena.
Aqui em Pomerode, há uma modalidade que, até o fim do ano passado, vinha se consolidando, mas que, em virtude do novo coronavírus, teve que adiar seus projetos. O Pomerode Eulen Baseball, após as férias, nem chegou a treinar adequadamente este ano. “Encerramos 2019 no início de dezembro, um pouco antes das festas. Quando voltamos do recesso, estava na época das chuvas e só conseguimos realizar dois treinos esse ano, até a chegada da pandemia. Além disso, falando na modalidade como um todo, a Liga Catarinense estava com a primeira fase em andamento e também teve que ser interrompida. Além da quebra no ritmo das equipes, envolveu também os custos de cada etapa, como refeições, deslocamentos, materiais e mão de obra, pois a entidade é totalmente independente e gestora dos próprios recursos”, destaca Osvaldo Figueiredo Júnior, coordenador do Pomerode Eulen Baseball.
Apesar de não ter um número maior de atletas, que possibilitasse a participação na Liga Catarinense, as perspectivas para 2020 eram muito boas. “Entramos num consenso de fazer partidas amistosas com maior frequência, além de torneios menores, que algumas cidades estavam começando a organizar. Seria o ano da nossa consolidação”, ressalta Figueiredo, que atua como Operador Logístico.

Osvaldo está com saudade de praticar seu esporte preferido | Foto: Bob Gonçalves / Jornal de Pomerode
E essa parada, com certeza, irá retardar a retomada das atividades do time. “Já vínhamos de um período pós-recesso, no qual, nem todos retornaram ao mesmo tempo ou com a mesma intensidade. Somado à época das festas tradicionais da cidade e a grande incidência de chuvas, tudo isso interferiu na acessibilidade ao campo de treino. Logo após, veio a pandemia. Então, não tenho certeza de como estará o ânimo geral para a retomada, mas pode-se esperar que seja a passos lentos, praticamente, começando tudo ‘do zero’”.
No entanto, Figueiredo espera que, deste período, possam ser tiradas lições e coisas positivas. “Alguns de nossos amigos, que perderam o emprego, precisaram se reinventar. Inclusive, um deles ‘estreou’ sua paternidade e eu, aproveitei para iniciar minha segunda graduação, agora em Filosofia. Enfim, todos estão se ocupando de alguma forma entre estudos, entretenimento, trabalho e família. Além disso, acredito que essa desacelerada obrigatória não deve ser vista somente como um tempo ruim, mas como reflexão. Com toda a correria diária, nem sempre paramos para agradecer o que temos e o quão felizes somos. Essa fase, que com certeza irá passar, nos proporcionou um cenário em que podemos reconhecer nossa verdadeira condição. Só depende de nós”, finaliza.
Apesar dos prejuízos, saúde em primeiro lugar
Um dos esportes mais praticados em nossa cidade, o futebol também vem sofrendo com a pandemia da Covid-19. Em que pese a volta das “patotas”, liberadas desde o início de setembro, na semana passada, o 15º Campeonato Integração de Bairros foi cancelado, muito pela redação da Portaria SES nº 703, de 14 de setembro de 2020.
“O período parado está sendo prejudicial, pois a maioria dos jogadores pode ficar fora de forma. Já aos frequentam as dependências do clube, principalmente, para os jogos de mesa, está sendo um período vago, ocioso”, comenta Eurides Baehr, proprietário do campo do Burega’s, em Testo Central Alto. O local estava sem atividades desde o mês de março, voltando apenas com as patotas, há cerca de três semanas.

Eurides manteve seu campo impecável, durante a pandemia | Foto: Bob Gonçalves / Jornal de Pomerode
No entanto, sabendo da necessidade desta parada, ele conversou com os atletas e participantes, que entraram num consenso que fechar o local, por um tempo determinado, seria o melhor pelo bem estar de todos. “Além disso, na minha opinião, a decisão de cancelar o Campeonato de Bairros foi correta, pois ainda há riscos de contaminação. Tanto que, como foi um consenso, pela gravidade da situação, não houve qualquer objeção, somente questionamentos de quando poderiam novamente jogar”, enfatiza.
O aposentado, inclusive, tinha boas perspectivas para o seu time, esse ano. “Estávamos nos preparando para o Campeonato dos Veteranos, como também, ao Campeonato do Master. E treinando sempre, para terminarmos o Campeonato de Bairros em uma boa colocação. E para o próximo ano, espero que os campeonatos voltem normalmente, que haja colaboração dos participantes e que as competições integrem os jogadores, de forma amigável, sendo uma diversão para todos”, finaliza.
Veja algumas regras impostas pela Portaria SES nº 664, com relação aos esportes recreativos
• Nas Regiões de Saúde com Risco Potencial alto (representado pela cor amarela) na Avaliação de Risco Potencial para Covid-19, os jogos estão liberados em todos os dias da semana;
• Nos dias das partidas, estipulou-se que somente as pessoas diretamente envolvidas no esporte podem acessar ao local e suas dependências – e em número reduzido ao mínimo necessário para sua execução;
• É importante que todos os participantes e presentes no local usem máscaras, retirando apenas quando estiver efetivamente jogando. Os árbitros devem fazer uso de máscaras e face shields durante os jogos: assim, eles devem utilizar apitos eletrônicos;
• A portaria também estabelece que ficam proibidas rodas de aquecimento e confraternizações antes e após o jogo, assim como o cumprimento físico. Não será permitido, enquanto durar a situação de emergência em saúde, a presença de acompanhantes, uso de churrasqueiras, coletes ou utilização de vestiários.
