Medalhas: sinônimo de trabalho e dedicação
O Atletismo, em Pomerode, está voltando aos seus áureos tempos, com conquistas importantes de seus atletas. E um deles fez história na cidade de Cochabamba, Bolívia, durante o XXIII Jogos Sul-Americanos Escolares, ao trazer três medalhas na bagagem.
JPE – O ano de 2017 foi o da afirmação do Daniel dentro do cenário esportivo?
OS – A gente já vinha trabalhando há alguns anos, treinando, “brincando”, pois sabemos que nessa idade não podemos cobrar muita coisa em questão de resultados. Todavia, quando surge um atleta com tamanho potencial, sabemos que os resultados vão aparecer com muito mais facilidade. O Daniel conquistou, esse ano, quatro medalhas em nível nacional e três medalhas em nível continental. Nessas provas de lançamentos e arremessos, a gente sabe a dificuldade em treinar dois estilos, o que não aconteceu com ele, pois conseguimos trabalhar três estilos. Por isso, o potencial existe e a gente acredita que teremos ainda mais resultados nos próximos anos.
JPE – Quais foram as principais dificuldades enfrentadas na Bolívia?
DR – Uma delas foi a língua, porque quando eu estava com meus companheiros de Seleção, tudo bem. Mas quando chegavam atletas de outros países para conversar com a gente, eu não entendia muito bem no começo, mas acabei me acostumando. A alimentação também não era das melhores (risos), mas a gente acaba se adaptando. O clima também era diferente, mas tudo isso foi superado ao longo da competição.
JPE – Como estão sendo esses dias pós-competição? Você já se deu conta que conquistou uma medalha a mais do que a série histórica de Pomerode no Sul-americano?
DR – Pra mim está sendo muito bom, afinal, uma marca dessas não é para qualquer um. Diante disso, eu me questiono o porquê disso acontecer justo comigo. Mas, já que aconteceu, eu fico muito feliz e poder dar esse destaque para a cidade. Isso se deve, também, à relação que eu tenho com o professor Chico, muito mais do que treinador e atleta, mas sim, de amizade. Isso facilita, e muito, o desenvolvimento do atletismo em Pomerode.
JPE – O Daniel é um espelho, já que, há 15 anos, era você quem estava iniciando no Lançamento de Dardo?
OS – Com certeza, afinal, há 15 anos era eu passando por essa situação, sendo campeão estadual… E complementando o que o Daniel disse, isso funciona com todos. Eu não sou um cara fechado, tampouco aquele que, simplesmente, dá uma bronca. Eu procuro ajeitar as coisas da melhor maneira possível, conversando, trocando muitas ideias, ouvindo e entendendo os anseios dos meus alunos. A gente sempre tenta ajustar, até porque não há necessidade de todo um regramento, por enquanto. Sabemos quando não dá e sabemos, também, quando se pode pegar um pouco mais pesado.
JPE – E nessa questão, há a reciprocidade por parte dos atletas?
OS – A gente sempre foi muito direto com relação a isso, ou seja, treinou, vai ter resultado. Não treinou, não vai ter resultado. E eu sempre falo o que vai ser. Claro, conversamos sobre outras coisas também, afinal, há vida fora das pistas. Nós passamos de duas a três horas por dia treinando, e o resto? Eu cobro muito o desempenho escolar deles, o comportamento fora do âmbito esportivo. Às vezes os pais vêm conversar comigo, e é uma coisa necessária para a evolução dos atletas.
DR – Eu tenho essa consciência, de que a responsabilidade vem aumentando cada vez mais, afinal, levei Pomerode para fora do Brasil, não só da cidade, nem do estado.
JPE – E qual será a sua rotina neste fim de ano?
DR – Pretendo dar uma descansada, mas não totalmente.
OS – Exatamente isso. Como ele voltou de competição agora e estamos muito próximos do fim do ano, vamos continuar treinando de leve. Depois do dia 22, todos os atletas entrarão em férias, mas sem ficar parados, e no início de janeiro voltaremos para os treinamentos de base e preparação física para 2018.