VÍDEO: Bombeiros Voluntários encaram a Maratona de Pomerode e contam como foi o ciclo de preparação
Voluntários e alunos da corporação participaram das provas de 6, 21 e 42 quilômetros, incluindo desafios com equipamentos utilizados nas ocorrências
Foto tirada em 2025 - Foto: Arquivo Pessoal
Correr uma longa distância já é, por si só, um desafio. Para o grupo de Bombeiros Voluntários de Pomerode, porém, a experiência teve um ingrediente a mais: parte deles esteve na pista carregando equipamentos utilizados no atendimento às ocorrências. Mais do que cruzar a linha de chegada, a participação na Maratona Internacional de Pomerode representa integração, preparo físico, superação e a oportunidade de representar a corporação.
Neste ano, 21 integrantes da corporação estiveram na linha de largada, distribuídos entre as provas de 6, 21 e 42 quilômetros. O grupo reúne bombeiros com diferentes tempos de atuação, além de participantes que estão dando os primeiros passos na corrida. Entre as histórias está a de uma jovem aspirante de 15 anos, que fará sua primeira prova ao lado da mãe, também bombeira voluntária.
A história do grupo de corrida surgiu de maneira natural. Segundo Lucas L. Alichandre, um dos integrantes da corporação, alguns bombeiros começaram a participar de provas e, aos poucos, passaram a incentivar os colegas. O movimento ganhou força com a participação em corridas realizadas em outras cidades e, principalmente, na própria Maratona Internacional de Pomerode.

Foto: Arquivo Pessoal
“No ano passado, na Maratona de Pomerode, a gente correu em pelotão. Corremos a prova dos 6 quilômetros e alguns bombeiros já fizeram os 21 quilômetros também”, conta Lucas.
A ideia não nasceu como um projeto formal, mas a partir do incentivo entre os próprios colegas. Um via o outro participando das provas, começava a treinar e, aos poucos, o grupo foi aumentando.
Um desafio de quase 15 quilos
Entre os desafios deste ano está a participação de Lucas e Kleiton Cristiano Pasold nos 21 quilômetros utilizando a roupa de incêndio e o cilindro de EPR (Equipamento de Proteção Respiratória).
Lucas já havia encarado os 21 quilômetros no ano passado utilizando o conjunto de aproximação. Agora, decidiu aumentar a dificuldade e convidou Kleiton para encarar o percurso ao seu lado.
“A ideia é a gente concluir os 21 quilômetros juntos, para representar a corporação e incentivar os demais bombeiros também a participarem das provas”, explica Lucas.

Foto: Arquivo Pessoal
Kleiton, que há oito anos atua como Bombeiro Voluntário, aceitou o desafio. Para ele, correr equipado é bastante diferente de uma corrida convencional.
“É bem diferente correr de bermuda, de camisa, para correr com uma roupa de incêndio ou com uma carga que é o cilindro. Então, a gente está falando de quase 15 quilos a mais”, explica.
Além do peso, os equipamentos modificam a dinâmica da corrida e exigem atenção ao esforço físico e mental.
“Grande parte também é o mental. Se a gente estiver junto ali, um apoiando o outro, vai ser muito mais leve, muito mais fácil”, afirma Kleiton.
A parceria entre os dois também carrega um significado que vai além da prova. Para Kleiton, correr lado a lado reforça um princípio presente na rotina dos bombeiros: ninguém atua sozinho. “Bombeiro nunca está sozinho”, resume.

Foto: Arquivo Pessoal
Da bicicleta para a corrida
Entre os participantes está Arthur Bankhardt Hornburg, atualmente aluno da corporação. Ele começou o curso em fevereiro e, junto com os demais alunos, passou a participar dos treinos de corrida em pelotão.
A mudança foi significativa. Antes de começar a correr, Arthur tinha como principal atividade o ciclismo e chegava a pedalar entre 100 e 130 quilômetros. A corrida, inicialmente, não agradava.
“Quando comecei a correr foi algo estranho, foi algo que eu não gostei muito. Mas depois, corre uma, corre duas, corre três, foi que eu comecei a gostar”, conta.
Agora, ele vai participar da prova de 6 quilômetros, provavelmente utilizando EPI (Equipamento de Proteção Individual). A expectativa é correr representando os bombeiros e dividir a experiência com os colegas.
De 6 a 42 quilômetros
A maior distância ficará por conta de Elci Santos Alves de Freitas, que está há 18 anos na corporação e começou a correr há cerca de dois anos, incentivada pela amiga Márcia Sehn.
Neste ano, ela decidiu enfrentar pela primeira vez os 42 quilômetros da maratona. A meta estabelecida é completar a prova em até cinco horas.
“Eu vou fazer 42 quilômetros, então eu vou me desafiar a mim mesma. É a primeira vez que vou fazer a maratona”, afirma.
Enquanto Elci encara os 42 quilômetros, Bernadette de Lourdes Iachechen D’Oliveira, que está há mais de dez anos nos bombeiros, vai participar dos 21 quilômetros. Ela conta que sempre correu por hobby, mas que a prática em grupo trouxe uma nova motivação.
Para ela, correr ao lado dos colegas ajuda nos dias em que falta disposição e também permite que um incentive o outro.
“Eu acho que acaba ganhando um fôlego e incentivando uns aos outros para ir melhorando todo dia”, relata.
Bernadette também estabeleceu uma meta para a prova: concluir os 21 quilômetros em 1h45min, motivada pela confiança que os próprios colegas depositam nela.
Mãe e filha na linha de largada
A corrida também será uma experiência familiar para Maria Elena Bogado, Bombeira Voluntária há quase dois anos. Ela começou a correr sem gostar muito da modalidade e precisou buscar orientação para conseguir completar os primeiros quilômetros.
Depois dos primeiros 6 quilômetros, vieram desafios maiores. Ela passou a participar de diferentes provas e chegou a correr 6 quilômetros em um dia e 21 no dia seguinte.

Foto tirada em 2025 -Foto: Arquivo Pessoal
Agora, além de repetir as distâncias de 6 e 21 quilômetros, Maria terá uma companhia especial na largada dos 6 quilômetros: a filha, de 15 anos, que é aspirante dos bombeiros e fará sua primeira corrida.
A jovem já está treinando corrida e participando do CrossFit. Para Maria, a participação da filha também representa uma oportunidade de incentivar os jovens a praticarem atividade física.
Uma primeira corrida depois de sair da zona de conforto
Para Joice Estefani Kath, que completa neste ano dez anos de serviço voluntário na corporação, a Maratona Internacional de Pomerode terá um significado especial. Ela vai participar dos 6 quilômetros e fará sua primeira corrida.
Até pouco tempo atrás, a atividade física e a corrida não faziam parte da rotina dela. Por isso, cruzar à linha de chegada será, antes de tudo, uma conquista pessoal.
“Para mim é uma grande superação. E uma alegria enorme de estar representando Pomerode. Vou participar na minha primeira corrida em Pomerode e pelos bombeiros”, afirma.
A expectativa de Joyce é chegar ao fim da prova com um misto de sentimentos, principalmente pela sensação de ter saído da zona de conforto e enfrentado algo novo.
Corrida como reflexo do trabalho dos bombeiros
Para Davi Rafael Balas, que está há quase cinco anos na corporação e também vai correr os 6 quilômetros, o principal adversário durante a prova não será outro competidor, mas os próprios limites.
Segundo ele, a busca por melhorar o ritmo, a respiração e o condicionamento durante a corrida têm relação direta com aquilo que os bombeiros procuram fazer no dia a dia.
“A maior competição é com nós mesmos”, afirma.
Para Davi, a lógica é semelhante dentro da corporação: assim como o corredor busca superar os próprios limites, o bombeiro procura melhorar continuamente o atendimento prestado à população.
“Assim como na corrida a gente busca superar os nossos próprios limites, melhorar nós mesmos, assim a gente traz para a corporação. Fazer um melhor atendimento, prestar o nosso melhor para a sociedade, para a vítima que estamos a atender”, explica.
Mais do que uma corrida
Embora o grupo não tenha como principal objetivo disputar tempos, a preparação para a prova acaba contribuindo para a rotina dos bombeiros.
Lucas explica que os treinamentos ajudam a manter o condicionamento físico necessário para as atividades da corporação. Ele concilia as corridas com treinos de jiu-jitsu e, recentemente, passou a contar também com uma assessoria especializada.
“Não somos atletas, somos bombeiros. A ideia não é ir lá para fazer um tempo ou um pace bom. A ideia é terminar a prova bem, fisicamente e mentalmente, e representar a corporação”, destaca.
Kleiton também concilia os treinos com trabalho, faculdade e os plantões. Para ele, manter um condicionamento físico básico é importante para as atividades desempenhadas no dia a dia.
A participação ainda tem um efeito coletivo. Mirian Anchieta Fortes, que está na corporação desde 2023, vai correr os 6 quilômetros e considera a experiência uma forma de fortalecer tanto os integrantes quanto a relação com a comunidade.
“Eu acredito que a gente mostra como o nosso grupo é unido e forte, e que está sempre disposto a se desafiar para atender melhor nas ocorrências e nos atendimentos”, afirma.
Ao todo, 20 integrantes da corporação estão confirmados para participar das diferentes provas da Maratona Internacional de Pomerode. Nos 6 quilômetros estarão Joice E. Kath, Davi R. Balas, Niomar Hass, Ivanir Maas, Laís Cristofoletti, André Wichicovizki, Edson Ramos dos Santos, Mirian Anchieta Fortes, Arthur Bankhardt Hornburg, Leonardo Borchardt, Haiana Hornburg Rusch, Henrique Bragança Bicuda e Petter Hugo Frahm. A prova de 21 quilômetros contará com Lucas L. Alichandre, Joana Prochera, Kleiton C. Pasold, Bernadette de Lourdes Iachechen D’Oliveira e André Flohr. Tuany Cristine Lumke Horongoso e María Elena Bogado enfrentarão tanto os 6 quanto os 21 quilômetros, enquanto Elci Santos Alves de Freitas será a representante da corporação nos 42 quilômetros.
Assim, entre os 6, 21 e 42 quilômetros, o grupo de Bombeiros Voluntários de Pomerode leva para a Maratona Internacional algo que já faz parte da rotina dentro da corporação: preparo, parceria e disposição para enfrentar desafios juntos.
