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Da primeira aula ao topo do mundo: conheça a trajetória de Gustav Raduenz

Morador de Pomerode, Gustav Raduenz começou a dançar aos sete anos e, anos depois, conquistou o título mundial de hip hop; agora, busca criar as próprias obras e provocar sentimentos por meio da arte

11 de outubro de 2026

Foto: Arquivo pessoal

O que começou como um encantamento infantil ao observar amigos dançando se transformou, ao longo dos anos, em uma trajetória marcada por dedicação, aprendizado e conquistas nos palcos. Aos sete anos, em 2017, Gustav Raduenz teve seu primeiro contato com a dança em Pomerode, por meio de aulas oferecidas pelo Colégio Sinodal Doutor Blumenau. Hoje, o projeto continua existindo, mas as atividades são realizadas no Teatro Municipal.

Antes mesmo de entrar em uma aula, Gustav já observava pessoas dançando e imaginava como seria fazer parte daquele universo. Foi ao acompanhar alguns amigos que o interesse se transformou em vontade de experimentar.

“Na verdade, eu assisti de canto alguns amigos e me encantei com a arte. Eu já observava pessoas que dançavam e sempre quis entrar quando criança. Então comecei a fazer aulas e ali foi meu primeiro contato. Na época, eu tinha sete anos e, apesar de não saber exatamente onde aquilo poderia me levar, encontrei na dança algo que me despertou muita curiosidade e vontade de continuar”, conta.

No início, a dança era principalmente uma forma de diversão. Gustav participava das aulas ao lado de amigos e ainda não imaginava que a atividade poderia se transformar em uma carreira. Cerca de um ou dois anos depois, porém, percebeu que queria continuar dançando por toda a vida.

A vontade de seguir nesse caminho cresceu junto com o contato com o universo competitivo. Em 2020, Gustav passou a treinar na sede do grupo em Timbó e começou a se aproximar de uma rotina mais intensa de preparação. Entre 2020 e 2021, foi reserva da Seleção Mundial Júnior, em uma competição realizada de forma on-line.

A experiência abriu caminho para uma nova fase. Em 2022, Gustav participou da primeira competição presencial, o FIH2, em Curitiba. Foi naquele momento que percebeu, de maneira mais concreta, que dedicação e treinamento poderiam levá-lo aos lugares que desejava alcançar.

Da diversão à competição

A transição entre a dança praticada como hobby e a rotina competitiva aconteceu gradualmente. Os primeiros anos foram marcados por aulas leves, nas quais a principal preocupação era aproveitar o momento com os amigos. Com o tempo, porém, vieram novos desafios, treinos e objetivos.

“De maneira geral, no começo foram momentos leves e básicos. Como alguns amigos meus faziam, a gente sempre focava em se divertir. Comecei a entrar no grupo competitivo depois de ir treinar na ‘sede’ do grupo em Timbó, em 2020. Em 2020 e 2021 fui reserva da Seleção Mundial Júnior, que ocorreu de forma on-line. Então, já ingressado em uma pequena parcela do mundo competitivo, em 2022 fui para minha primeira competição no FIH2, em Curitiba.  Foi aí que entendi que, treinando e me esforçando, sempre podia alcançar os lugares que queria”, relembra.

Ao longo desse percurso, algumas pessoas tiveram papel fundamental. Entre elas estão os pais de Gustav, a diretora do grupo, Andreia Mendes, e os coreógrafos Antonia Longo e Matheus Mendes.

O apoio e a confiança dessas pessoas ajudaram a construir a segurança necessária para que ele avançasse dentro da dança e encarasse desafios cada vez maiores.

O caminho até o título mundial

A experiência adquirida nos treinamentos e competições contribuiu para que Gustav chegasse a um dos momentos mais importantes de sua trajetória: a conquista do título mundial de hip hop.

O resultado, segundo ele, foi vivido de maneira até inesperada. Apesar da confiança na preparação e no trabalho desenvolvido, a concentração estava totalmente voltada à própria apresentação. Não houve tempo para observar os demais competidores ou fazer comparações. Quando chegou o momento da premiação, a emoção tomou conta.

“Foi chocante, apesar de confiarmos em nós mesmos. Estávamos tão focados na nossa performance que não pensamos muito no resto dos grupos e não tinha dado nem tempo de parar e se comparar. Então, mais tarde, na cerimônia, já estávamos felizes pela apresentação que fizemos. Quando foram anunciando os nomes do pódio, ficamos mais felizes e emocionados ainda”, relata.

Foto: Arquivo pessoal

 

Para Gustav, dois fatores foram especialmente importantes para o resultado: a confiança depositada pelos coreógrafos e pela diretora e a experiência construída ao lado da dupla com quem competia.

“A genuína confiança dos coreógrafos e da diretora na gente, na dupla, foi muito importante. E também a nossa grande experiência, inclusive juntos em outros grupos, além da confiança que tínhamos um no outro. Isso deixou tudo mais leve e simples. Quando existe essa confiança, conseguimos entrar no palco mais preparados para fazer aquilo que treinamos, sem deixar que a pressão tome conta”, explica.

A dança como forma de expressão

Ao olhar para a própria trajetória, Gustav afirma que a dança ocupa diferentes espaços em sua vida. É, ao mesmo tempo, uma forma de expressão, esporte, meio cultural, espaço de convivência e até uma válvula de escape.

A música também tem papel importante nessa relação. É dentro desse universo que ele encontra um ambiente no qual se sente confortável para expressar sentimentos e ideias.

“A dança é várias coisas para mim. É uma forma de expressão em um espaço que eu me sinto confortável, principalmente por meio da música. Às vezes, é uma válvula de escape, um esporte, um meio cultural que me aproxima de diversas pessoas incríveis e, indiretamente, um estilo de vida. Ela acabou ocupando muitos espaços diferentes na minha vida e se tornou uma parte importante de quem eu sou”, afirma.

Apesar de durante grande parte da vida ter se imaginado seguindo profissionalmente na dança, atualmente Gustav encara o futuro com mais questionamentos. A experiência conquistada até aqui, porém, não diminuiu sua vontade de continuar criando.

Novos palcos e novas criações

O próximo passo é transformar todo o conhecimento adquirido em produção artística própria. Gustav pretende desenvolver obras coreográficas, ampliar sua presença em grandes palcos e aprofundar os estudos sobre o hip hop, sua história, evolução, estilos e fundamentos.

Mais do que buscar reconhecimento, o objetivo é utilizar a dança para despertar sensações e reflexões em quem assiste.

“Meu objetivo agora é, com todas as informações e bases que tenho, tanto físicas quanto artísticas, partir para produzir minhas próprias obras coreográficas e ser feliz fazendo isso. Quero alcançar palcos maiores com mais frequência. Ao mesmo tempo, preciso estudar mais o hip hop em específico, sua história, evoluções, estilos e bases. Mas meu principal objetivo é ser feliz provocando sentimentos e reflexões nas pessoas por meio da dança de modo geral”, destaca.

A carreira, portanto, ainda está sendo construída. Mesmo com a conquista de um título mundial, Gustav entende que há muito a aprender e experimentar. O questionamento sobre o futuro profissional convive com a certeza de que a arte continuará fazendo parte de sua vida.

Um conselho para quem está começando

Para quem deseja entrar no universo da dança, Gustav recomenda buscar contato com pessoas que já fazem parte do meio. Segundo ele, a comunidade da dança pode ser um espaço de acolhimento e troca de experiências, especialmente para quem está dando os primeiros passos.

Mas, acima de tudo, ele acredita que é necessário compreender a motivação que mantém cada pessoa em movimento.

“Procurem pessoas do âmbito para conversar, pois todos são, de modo geral, muito acolhedores e solidários. Digo também que o que mais importa é o porquê de você acordar todo dia para fazer o que quer. Se estiver bem alinhado com esse porquê, é trabalhar no mínimo um pouco, mas todo dia. Chega-se em qualquer lugar quando existe constância e quando aquilo que fazemos realmente tem significado para nós”, aconselha.

E, para fechar a trajetória que começou aos sete anos com uma mensagem simples, Gustav deixa um conselho que também resume parte da caminhada que o levou até o título mundial: “Não duvide de si. Apenas você sabe o que você é e do que você é capaz.”

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