Saúde mental: conheça os grupos e serviços gratuitos oferecidos pelo CAPS de Pomerode
No Dia Mundial da Saúde Mental, município reforça a importância do acolhimento e apresenta atividades como arteterapia, rodas de conversa e grupos de convivência
Foto: Divulgação
Cuidar da saúde mental vai muito além de procurar ajuda quando algo não vai bem. Falar sobre os sentimentos, ser ouvido, fortalecer vínculos e encontrar apoio também fazem parte desse processo. Em Pomerode, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) oferece acompanhamento especializado e diferentes atividades gratuitas para pessoas que precisam de cuidado em saúde mental.
A iniciativa ganha destaque neste sábado, 10 de outubro, quando é celebrado o Dia Mundial da Saúde Mental. A data chama a atenção para a importância de ampliar o acesso aos serviços, combater o preconceito e incentivar a busca por ajuda ao longo de todo o ano.
Vinculado à rede municipal de saúde, o CAPS de Pomerode desenvolve grupos de convivência, rodas de conversa, arteterapia, oficinas de culinária e outras atividades organizadas conforme as necessidades dos usuários.
CAPS de Pomerode oferece diferentes grupos de acolhimento
As atividades são realizadas em dias e horários específicos, com propostas que envolvem convivência, troca de experiências, autocuidado e desenvolvimento de habilidades.
Entre as opções está o Grupo de Convivência, realizado às terças-feiras, às 9h. Os encontros abordam situações do cotidiano, conflitos e outros assuntos sugeridos pelos próprios participantes.
Às segundas-feiras, também às 9h, ocorre o Grupo de Mulheres, que promove momentos de café e rodas de conversa sobre temas como autocuidado.
Já a Oficina de Culinária é realizada na primeira quinta-feira de cada mês, às 9h. A atividade envolve a preparação de alimentos pelos participantes, com acompanhamento de uma nutricionista.
Outra iniciativa é o Grupo de Arteterapia, que acontece às sextas-feiras, às 9h. Por meio de trabalhos manuais e artesanato, a atividade integra as estratégias de cuidado oferecidas pelo serviço.
A programação inclui ainda a Assembleia de Usuários, realizada na terceira quinta-feira de cada mês, às 9h. O encontro é aberto aos usuários do CAPS e à comunidade.
Além disso, a equipe promove reuniões mensais com adolescentes atendidos pela casa de acolhimento APRISCO.
Grupos também abordam o uso de álcool e outras drogas
O CAPS participa de iniciativas voltadas a pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas ao consumo de substâncias, em articulação com outros serviços e instituições.
O Grupo Nova Oportunidade, ofertado pelo Conselho da Comunidade e também desenvolvido como uma abordagem do CAPS, promove conversas sobre os efeitos do uso de substâncias. Os encontros acontecem a cada 45 dias, às quintas-feiras, das 17h às 19h, na Associação Comercial e Industrial de Pomerode (ACIP).
Outra iniciativa é o grupo Sobre Viver, que trabalha questões relacionadas ao uso abusivo de álcool e outras drogas. As atividades são realizadas semanalmente, às quartas-feiras, às 14h, para participantes encaminhados pelos serviços responsáveis.
A equipe do CAPS também está trabalhando na elaboração de um novo grupo destinado aos familiares dos usuários. A proposta é oferecer orientações sobre cuidado, convivência e acompanhamento.
Como ter acesso aos serviços do CAPS em Pomerode?
Para participar da maior parte dos grupos e ter acesso ao acompanhamento oferecido pelo CAPS, a orientação é procurar inicialmente a Unidade de Saúde da Família (USF) de referência do bairro.
A equipe da unidade fará uma avaliação e, quando necessário, encaminhará a pessoa ao serviço especializado. No CAPS, os profissionais analisam as necessidades individuais para definir a modalidade de acompanhamento mais adequada.
Algumas atividades possuem formas específicas de acesso, como o grupo Sobre Viver, o Fórum Nova Oportunidade e as ações de acolhimento de adolescentes.
O atendimento no CAPS ocorre de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h30 e das 13h às 16h, na Rua Morro Strassmann, 1240, no bairro Testo Rega. O telefone para contato é (47) 3380-2522.
Saúde mental não significa estar bem o tempo todo
Para a assistente social e coordenadora do CAPS de Pomerode, Leize Fraga Moritz, cuidar da saúde mental não significa estar feliz em todos os momentos. O processo também envolve reconhecer dificuldades, aprender a lidar com diferentes situações da vida e contar com relações e ambientes que ofereçam apoio.
A coordenadora destaca que a saúde mental está ligada a diferentes aspectos da vida, incluindo as condições sociais, as relações familiares, o trabalho, a convivência e o sentimento de pertencimento.
Por isso, o cuidado não deve ser tratado apenas como uma responsabilidade individual, mas como uma questão que envolve toda a sociedade.
Acolher quem enfrenta sofrimento psicológico, evitar julgamentos e combater o preconceito são atitudes importantes para que mais pessoas se sintam seguras para procurar ajuda.
Tratamento é definido conforme as necessidades de cada pessoa
O médico psiquiatra e diretor técnico do CAPS, Marcio de Castro Frank, explica que não existe uma única forma de tratamento em saúde mental. Cada pessoa tem uma história, necessidades e condições que precisam ser consideradas pela equipe profissional.
O acompanhamento pode envolver consultas médicas e psicológicas, grupos terapêuticos, atividades de convivência, prática de atividade física e fortalecimento dos vínculos familiares e sociais, entre outras estratégias.
O uso de medicamentos também pode fazer parte do tratamento, desde que haja indicação após avaliação médica.
Segundo o especialista, a necessidade de medicação depende dos sintomas, da intensidade do sofrimento e das características de cada pessoa. O medicamento pode ser importante em determinadas situações, mas não representa a única possibilidade de cuidado.
A orientação é não iniciar, interromper ou alterar medicamentos por conta própria. Qualquer mudança deve ser discutida com o profissional responsável pelo acompanhamento.
Atendimento em saúde mental envolve diferentes serviços
O CAPS integra a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de Pomerode, que reúne diferentes serviços para atender às necessidades da população.
As Unidades de Saúde da Família têm papel importante no primeiro acolhimento, na identificação das necessidades e no acompanhamento dos pacientes. O Ambulatório de Saúde Mental também faz parte da rede e oferece atendimento especializado conforme avaliação e encaminhamento dos serviços de referência.
A definição do acompanhamento considera o momento vivido pela pessoa, suas necessidades, a rede de apoio disponível e a necessidade de atendimento especializado.
Em situações que exigem atendimento imediato, a orientação é procurar os serviços de urgência e emergência. O SAMU pode ser acionado pelo telefone 192.
Pedir ajuda também é uma forma de cuidado
O Dia Mundial da Saúde Mental reforça a importância de manter o tema em evidência durante todo o ano. Além de ampliar o acesso aos serviços, é necessário superar o preconceito e reconhecer que o sofrimento psicológico merece atenção.
Mudanças persistentes no bem-estar, na rotina ou nas relações pessoais podem indicar a importância de conversar com um profissional de saúde. Não é necessário esperar que a situação se agrave para buscar orientação.
A mensagem da equipe do CAPS é de acolhimento e incentivo à procura por ajuda.
“Não enfrente isso sozinho e não tenha vergonha de pedir ajuda. Saúde mental também é poder falar, ser ouvido e encontrar apoio”, destaca Leize.
A coordenadora também reforça a importância de olhar para o sofrimento psíquico com mais compreensão e menos julgamento, reconhecendo que, antes de qualquer diagnóstico, existe uma pessoa com história, vínculos, sonhos e possibilidades.