Trump fala sobre eleições brasileiras e diz que acompanha disputa “muito de perto”
Presidente dos Estados Unidos afirmou que o pleito brasileiro é “muito importante”, mas não declarou apoio a nenhum candidato
Foto: White House / Reprodução
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (1º) que acompanha “muito de perto” as eleições brasileiras de 2026. A declaração ocorreu três dias antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).
Trump respondeu a uma pergunta de uma jornalista na saída da Casa Branca, antes de embarcar em uma aeronave com destino ao Texas. Segundo o presidente norte-americano, o Brasil é um país importante e a eleição deste ano também tem grande relevância.
“Estou acompanhando [as eleições] muito de perto. O Brasil é um país muito importante. É um grande país. As pessoas no Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante”, afirmou.
Na declaração, Trump não citou candidatos nem anunciou apoio a nenhum dos concorrentes à Presidência da República. A manifestação ocorre em um momento de tensão nas relações entre os governos brasileiro e norte-americano e em meio a discussões sobre possíveis formas de influência estrangeira no processo eleitoral brasileiro.
Abin apontou risco de interferência dos EUA
Em agosto, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborou um relatório que apontou risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. O documento classificou a possibilidade de interferência externa com “nível de criticidade”.
Segundo a avaliação, a reafirmação da influência dos Estados Unidos na América Latina seria uma prioridade do segundo governo Trump. O relatório também apontou interesses norte-americanos relacionados a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas da região.
O alerta da Abin ocorre em meio à intensificação das medidas adotadas pelo governo norte-americano em relação ao Brasil nos últimos meses. Especialistas também manifestaram preocupação com possíveis ações capazes de afetar o processo eleitoral, inclusive no ambiente digital.
Preocupação com interferência estrangeira
Em setembro, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) também manifestaram preocupação com a possibilidade de interferência estrangeira nas eleições brasileiras, especialmente por parte dos Estados Unidos.
As entidades defenderam a autonomia dos brasileiros para escolher seus representantes e afirmaram que eventuais ações de interferência devem ser identificadas e apuradas com base em evidências, transparência e respeito ao Estado Democrático de Direito.
O Exército Brasileiro, por sua vez, realizou entre os dias 21 e 25 de setembro a oitava edição do exercício Guardião Cibernético. A atividade reuniu cerca de 1,3 mil participantes e simulou cenários de ataques digitais contra serviços essenciais, em um contexto de alertas sobre possíveis interferências estrangeiras nas eleições.
Relação entre Brasil e Estados Unidos
Em julho, o governo brasileiro negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam conversar com autoridades eleitorais brasileiras sobre questões relacionadas à liberdade de expressão durante as eleições.
A visita ocorreria após episódios envolvendo políticos que questionaram o sistema de urnas eletrônicas.
Parlamentares norte-americanos também demonstraram preocupação com a atuação do governo Trump em relação ao Brasil. Em setembro, 31 integrantes do Partido Democrata enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, pedindo que os Estados Unidos não interferissem nas eleições brasileiras.
Apesar do cenário de tensão e dos alertas sobre possíveis interferências, a declaração feita por Trump nesta quinta-feira não trouxe apoio público a nenhum candidato brasileiro. O presidente norte-americano limitou-se a afirmar que acompanha de perto o processo eleitoral e que considera a eleição brasileira importante.
Fonte: Agência Brasil