Aprender a compreender o mundo para transformá-lo
Simulações da Assembleia Geral da ONU e da COP colocam estudantes diante de temas atuais e contribuem para o desenvolvimento da argumentação, do diálogo e da responsabilidade coletiva
Foto: Divulgação
Mais do que aprender conteúdos previstos na grade curricular, a escola também tem o papel de preparar os jovens para a vida em sociedade. É com essa perspectiva que o Colégio Fátima, em Pomerode, desenvolve projetos que aproximam os estudantes de situações reais e estimulam o exercício da cidadania, do diálogo e do pensamento crítico.
Entre as iniciativas estão a Simulação da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) e a Simulação da Conferência das Partes (COP). Em 2026, a atividade inspirada na ONU chega à sexta edição, enquanto a proposta relacionada à COP é realizada pela terceira vez. Os projetos envolvem estudantes em pesquisas, debates, negociações e elaboração de propostas sobre questões que fazem parte da realidade mundial.
A professora de História e Geografia Solange Retke explica que a criação da simulação da ONU surgiu justamente da percepção da necessidade de ampliar a participação dos alunos em discussões relacionadas à sociedade. Para ela, o projeto nasceu como uma forma de enfrentar a falta de conhecimento político e argumentativo observada entre os estudantes e, ao mesmo tempo, despertar o interesse por questões que ultrapassam os limites da sala de aula.
“O projeto surgiu diante da necessidade e do desafio de transformar os alunos em protagonistas dentro da sociedade, principalmente quando me deparei com a falta de conhecimento político e argumentativo dos alunos perante questões pertinentes do nosso cotidiano. Outra coisa que me deixava inquieta era a apatia dos nossos alunos perante questões tão importantes como os problemas ambientais, fome, guerras e crises populacionais tão presentes atualmente e que pouco conhecimento os alunos tinham. Por isso, todas as edições da simulação da ONU ou da COP trazem questões atuais e de interferência na geopolítica e nas sociedades atuais”, afirma Solange.
Uma escola que prepara para além da sala de aula
A proposta está alinhada à missão do Colégio Fátima de promover o desenvolvimento integral dos estudantes e fazer com que o conhecimento adquirido na escola tenha significado também fora dela.
Segundo a coordenadora pedagógica Marinês Ulbriki Costa, experiências como a Simulação da Assembleia da ONU e a Cúpula do Meio Ambiente contribuem para que os alunos sejam colocados diante de situações próximas daquelas que encontrarão na vida adulta.
“Nessas experiências, o aluno deixa de ser apenas um receptor de informações e passa a ser protagonista do seu processo de aprendizagem. Ele precisa pesquisar, argumentar, ouvir diferentes pontos de vista, dialogar, tomar decisões e compreender que os problemas do mundo são complexos e, muitas vezes, exigem cooperação e responsabilidade coletiva. Mais do que aprender conteúdos, os jovens desenvolvem habilidades que serão fundamentais em sua vida acadêmica, profissional e social”, destaca Marinês.

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A coordenadora ressalta ainda que educar para a cidadania vai além da preparação para provas ou para o mercado de trabalho. Para ela, a escola também precisa criar oportunidades para que os estudantes compreendam seu papel dentro de uma sociedade democrática.
“Educar para a cidadania significa preparar os estudantes não apenas para as provas e para o mercado de trabalho, mas também para participar de uma sociedade democrática, respeitando as diferenças, defendendo suas ideias com argumentos e assumindo responsabilidades diante dos desafios coletivos. Por isso, acreditamos que projetos como esses tornam a aprendizagem mais significativa e ajudam a formar jovens mais críticos, conscientes, empáticos e preparados para transformar a realidade em que vivem”, afirma.
ONU vira sala de aula
Durante a simulação da Assembleia Geral da ONU, os estudantes assumem o papel de representantes de diferentes países. Para isso, precisam pesquisar aspectos políticos, econômicos, sociais, culturais e históricos das nações representadas, além de compreender seus posicionamentos diante dos temas que serão debatidos.
A dinâmica exige que os participantes construam argumentos, apresentem dados, respondam a questionamentos e negociem comos demais grupos. Dessa forma, conteúdos de História, Geografia e Língua Inglesa se conectam a competências como comunicação, análise crítica, empatia, cooperação e resolução de conflitos.
Solange destaca que a intenção é fazer com que os jovens compreendam que diferentes perspectivas podem existir diante de um mesmo problema e que a construção de soluções coletivas exige diálogo e disposição para ouvir.
Além da simulação da ONU, o Colégio Fátima desenvolve a Simulação da COP, vinculada às atividades do Junho Verde. A iniciativa coloca em pauta questões ambientais e amplia as discussões sobre sustentabilidade, preservação e os desafios relacionados ao futuro do planeta.
Aprendizados que vão além do debate
Para quem participa, os efeitos do projeto ultrapassam o conhecimento sobre geopolítica. O estudante do Terceirão Pedro Henrique Lacerda, que participou da simulação da Assembleia da ONU três vezes, destaca o desenvolvimento da capacidade de argumentação como um dos principais aprendizados.
“Para mim, um dos maiores aprendizados foi a desenvoltura da habilidade argumentativa. Durante a Assembleia da ONU, temos que exercitar a nossa argumentação e exposição de dados o tempo todo. Sem dúvidas, ao mesmo tempo em que isso é nosso maior trunfo, também é nosso maior desafio, tendo em vista que articular bem e transmitir as ideias e os argumentos é muito difícil, principalmente para pessoas que nunca participaram”, relata.
Pedro também relaciona a experiência diretamente à preparação para a vida adulta. Segundo ele, a atividade ensina não apenas a defender uma posição, mas também a respeitar quem pensa de maneira diferente e compreender como se posicionar em determinados ambientes.
“Me sinto sim, afinal, não somente a habilidade argumentativa é desenvolvida, mas outros fatores também compõem a simulação como um todo. O respeito, mesmo em desacordo com o próximo, a noção de que há um tempo certo para falar e a maneira como falamos em ambientes, principalmente profissionais, entre outros, fazem com que saiamos mais preparados para exercitar nossa cidadania na vida adulta”, afirma.
A estudante Katherine Rauh Manske também participou da atividade três vezes, desde o primeiro ano do Ensino Médio. Para ela, a experiência contribuiu principalmente para aprimorar a capacidade de argumentação, a comunicação diante de um público e o respeito aos colegas durante os debates.
“Os maiores aprendizados foram a capacidade de argumentação que desenvolvemos durante o debate, a fala em público e o respeito com nossos colegas durante as apresentações. Acredito que os maiores desafios foram estar preparado para as possíveis perguntas e discursar em frente de todos. Com certeza, acabei aprendendo diversas coisas e adquirindo habilidades que acredito serem muito importantes para nosso futuro”, conta Katherine.
Também participante das três edições realizadas durante os anos do Ensino Médio, Théo Cristino Rallon conta que sua percepção sobre a atividade mudou ao longo do tempo. No início, a preocupação estava concentrada em estar preparado para o debate. Com a experiência, porém, ele percebeu que o objetivo era muito mais amplo.
“No começo, minha preocupação principal era ter tudo na ponta da língua para o debate, como uma avaliação convencional. Entretanto, o maior aprendizado foi entender que o objetivo era justamente conhecer o mundo através das pesquisas de cada um e construir propostas conjuntas que suprissem as necessidades de cada país. O mais desafiador, com certeza, foi o discurso em outro idioma”, explica.
A experiência também fez com que Théo passasse a refletir mais sobre a responsabilidade envolvida na manifestação de opiniões e na tomada de posições.
“Com certeza, a necessidade de analisar a situação em diversos aspectos antes de se posicionar funcionou como uma forte lição de responsabilidade sobre o que falamos e a maneira na qual falamos. A atividade nos faz perceber que não basta simplesmente ter uma opinião, mas é necessário compreender diferentes perspectivas antes de tomar uma posição”, avalia.
Formação para a vida
Ao colocar os jovens no centro de debates sobre guerras, fome, crises populacionais, meio ambiente, relações internacionais e direitos humanos, os projetos desenvolvidos pelo Colégio Fátima buscam transformar temas muitas vezes distantes da realidade cotidiana em experiências concretas de aprendizagem.
A proposta também reforça a compreensão de que cidadania não se resume ao conhecimento de direitos e deveres. Ela envolve a capacidade de ouvir, dialogar, argumentar, respeitar diferenças, analisar informações e participar das decisões que afetam a coletividade.
Para Marinês, um dos principais objetivos da formação é fazer com que os conhecimentos adquiridos durante a trajetória escolar acompanhem os estudantes para além dos muros do colégio.
“A escola tem um papel essencial nesse processo. Nossa missão é promover o desenvolvimento integral de cada estudante, cultivando a paixão pelo conhecimento e pela aprendizagem com sentido. Afinal, educar também é oferecer aos nossos estudantes oportunidades para compreender o mundo e perceber que eles têm um papel importante na construção do futuro. É esta a nossa missão enquanto Colégio Fátima”, conclui.