País

FAB qualifica sistema brasileiro de recuperação de plataforma de microgravidade em voo suborbital

Operação Potiguar Fase 2 realizou lançamento, voo suborbital e resgate da plataforma após alcançar 92 quilômetros de altitude

21 de setembro de 2026

Foto: Sargentos Frutuoso / IAE e Baccarin / CECOMSAER

A Força Aérea Brasileira (FAB) escreveu, na última terça-feira, 15 de setembro,, mais um capítulo do Programa Espacial Brasileiro (PEB) ao qualificar, em condições reais de voo, o sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R). Os dados obtidos durante a Operação Potiguar Fase 2 serão utilizados na avaliação do sistema e no desenvolvimento de futuras atividades de pesquisa em ambiente de microgravidade.

Ao todo, o voo da PSM-R, utilizando o veículo de sondagem VS-30 V16, durou cerca de 12 minutos e 30 segundos, alcançando a altitude de 92 quilômetros. Todos os procedimentos foram conduzidos sob rigorosos requisitos de segurança. No Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), o acompanhamento do veículo envolveu sistemas de rastreamento e telemetria, e cada etapa, do transporte à montagem na plataforma de lançamento, seguiu protocolos estabelecidos, com coordenação integrada entre as equipes envolvidas.

Foto: Sargentos Frutuoso / IAE e Baccarin / CECOMSAER

Já o resgate da carga útil em mar aberto mobilizou duas unidades da FAB: o Primeiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (1º/8º GAv) – Esquadrão Falcão, sediado na Base Aérea de Natal (BANT), e o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (PARA-SAR), sediado em Campo Grande (MS). Enquanto o Esquadrão Falcão garantiu a precisão do voo e o posicionamento da aeronave sobre o ponto de descida, o PARA-SAR executou o resgate em si, lançando-se ao mar para recuperar a plataforma.

“Operações aeroespaciais são, por natureza, esforços conjuntos que demandam uma infraestrutura robusta, envolvendo diversos institutos, organizações militares e unidades aéreas. Nesta missão específica, o apoio da Força Aérea é indispensável, incluindo a participação do Esquadrão Falcão para o resgate da plataforma. Esse suporte é essencial para que possamos recuperar o equipamento e analisar integralmente o ciclo da missão”, explicou o Diretor do IAE.

Com o resgate concluído, encerrou-se, na prática, o ciclo completo da missão: lançamento, voo suborbital, recuperação e qualificação em voo do sistema de recuperação da PSM-R. O êxito das equipes consolida a Operação Potiguar Fase 2 como etapa decisiva do Programa Espacial Brasileiro.

O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno

Inaugurado em 1965, o CLBI foi o primeiro centro de lançamentos espaciais da América do Sul. A localização próxima ao equador magnético, ao Oceano Atlântico e a importantes estruturas logísticas favorece as atividades de lançamento e contribui para a segurança das operações. O Centro conta com sistemas de rastreamento, telemetria e monitoramento, utilizados no acompanhamento de veículos e na coleta de dados.

Ao longo de sua história, o CLBI participou de mais de 400 lançamentos de foguetes e acompanhou mais de 3 mil veículos. Entre as atividades estão o rastreamento de foguetes Ariane, em cooperação com a Agência Espacial Europeia (ESA), e o apoio ao monitoramento de veículos lançados a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

Carga útil

A carga útil embarcou quatro experimentos resultantes de parcerias entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a iniciativa privada, abrangendo pesquisas científicas e testes de tecnologias — como o estudo dos efeitos da microgravidade sobre microrganismos e o teste de um sistema de segurança para lançamentos — além de tecnologias próprias do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), incluindo uma bateria de lítio de alta densidade energética e um transmissor que auxilia na localização da carga após o pouso.

Programa de Microgravidade

A microgravidade permite realizar experimentos em condições diferentes das encontradas na superfície terrestre. Esse ambiente pode ser utilizado para pesquisas em áreas como materiais, fluidos, combustão, biologia e outras aplicações científicas e tecnológicas. Neste sentido, o Programa Microgravidade da AEB seleciona experimentos científicos e tecnológicos para serem realizados em voos suborbitais e orbitais. A PSM está relacionada ao programa e foi desenvolvida para transportar experimentos que necessitam de um ambiente de microgravidade para a realização de pesquisas.

A recuperação da plataforma também permite que equipamentos e experimentos sejam retirados da trajetória de voo e analisados posteriormente, possibilitando a avaliação dos resultados obtidos durante a missão. Segundo o Presidente da AEB, tais missões são vitais tanto do ponto de vista científico quanto para a demonstração de novas tecnologias.

“O sucesso desta missão é um esforço coletivo que envolve diversos atores e instituições pelo país. No Programa Espacial Brasileiro, ninguém atua de forma isolada. Por ser uma iniciativa complexa e de alto investimento, exige a convergência de diversas especialidades — desde a engenharia e a física até a biologia e a administração. Todas as competências, do corpo técnico ao administrativo, são fundamentais para que possamos avançar”, concluiu.

Texto: Tenente Marayane / CECOMSAER

Notícias relacionadas