Saúde

Sua saúde também depende da saúde do seu pet: campanha reforça cuidados contra zoonoses

Iniciativa busca conscientizar a população sobre doenças transmitidas entre animais e humanos, destaca o avanço da esporotricose em Santa Catarina e incentiva a guarda responsável de pets

27 de julho de 2026

Foto: Daniel Conzi / Agência Alesc

Promover a conscientização sobre as zoonoses — doenças transmitidas entre animais e seres humanos — e incentivar a adoção responsável de cães e gatos em situação de abandono. Esses são os principais objetivos da campanha Julho Dourado, instituída em Santa Catarina pela Lei Estadual nº 18.764/2023 e reforçada pela Lei Federal nº 15.322/2026.

A iniciativa destaca que informação, prevenção e guarda responsável são fundamentais para proteger tanto a saúde pública quanto o bem-estar dos animais.

Ao longo do mês, especialistas e protetores de animais reforçam que manter os pets saudáveis e adotar medidas preventivas são atitudes essenciais para reduzir o risco de transmissão de doenças.

O que são zoonoses?

As zoonoses são doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos, sendo causadas por vírus, bactérias, fungos ou parasitas.

Entre as enfermidades mais conhecidas estão:

  • Raiva;
  • Leptospirose;
  • Toxoplasmose;
  • Leishmaniose;
  • Esporotricose.

A transmissão pode ocorrer de diferentes formas, como:

  • mordidas e arranhões de animais infectados;
  • contato com fezes, urina ou secreções;
  • consumo de água ou alimentos contaminados;
  • picadas de mosquitos, pulgas e carrapatos.

Foto: Daniel Conzi / Agência Alesc

Cuidados ajudam a prevenir doenças

A campanha reforça que a prevenção começa com os próprios animais de estimação. Entre as principais recomendações estão:

  • manter a vacinação em dia;
  • realizar vermifugação regularmente;
  • controlar pulgas e carrapatos;
  • levar cães e gatos ao médico-veterinário periodicamente.

Além dos cuidados com os animais, a higiene do ambiente também desempenha papel importante na prevenção das zoonoses.

As orientações incluem:

  • lavar as mãos após o contato com os animais;
  • recolher corretamente as fezes dos pets;
  • manter o ambiente sempre limpo;
  • eliminar água parada;
  • descartar o lixo de forma adequada.

Caso animais apresentem feridas, alterações na pele, mudanças de comportamento ou outros sinais suspeitos, a recomendação é procurar atendimento veterinário imediatamente.

Da mesma forma, pessoas que apresentarem sintomas após contato com animais devem buscar atendimento em uma unidade de saúde.

Foto: Daniel Conzi / Agência Alesc

Esporotricose preocupa autoridades de saúde

Entre as zoonoses de maior relevância atualmente está a esporotricose, que apresenta um cenário de alerta epidemiológico em Santa Catarina. Somente em Florianópolis, entre 2021 e 2025, foram registrados 75 casos da doença, frequentemente associados a gatos.

A infecção é causada pelo fungo Sporothrix spp., encontrado naturalmente no solo. No entanto, especialistas apontam que o crescimento descontrolado da população de gatos vivendo nas ruas tem contribuído para o aumento da transmissão.

Em seres humanos, a doença costuma ser transmitida por:

  • arranhões;
  • mordidas;
  • contato de feridas abertas com animais infectados, solo ou vegetação contaminados.

>>> Siga o canal do Jornal de Pomerode no WhatsApp

Os primeiros sintomas geralmente aparecem como um pequeno caroço, semelhante a uma picada de inseto, normalmente sem dor intensa ou coceira. Com o avanço da infecção, a lesão pode evoluir para uma úlcera e surgir novos nódulos ao longo dos vasos linfáticos.

Embora muitos pacientes demorem a procurar atendimento devido à ausência de dor intensa, o diagnóstico precoce é considerado essencial. Em situações mais raras, especialmente em pessoas imunocomprometidas, a doença pode atingir pulmões, ossos e articulações, provocando febre, dores e falta de ar.

Foto: Daniel Conzi / Agência Alesc

Guarda responsável protege animais e pessoas

Outro foco do Julho Dourado é estimular a guarda responsável, entendida como o compromisso permanente de oferecer alimentação adequada, ambiente seguro, identificação, acompanhamento veterinário, vacinação, castração e bem-estar durante toda a vida do animal.

Segundo a campanha, animais bem cuidados apresentam menor risco de adoecer e de transmitir doenças, beneficiando toda a comunidade.

Nos casos de adoção, os animais resgatados passam por avaliação médico-veterinária e recebem tratamento antes de serem disponibilizados para uma nova família.

Os interessados também passam por análise de perfil e das condições da residência. Para cães, é exigida a existência de muros ou cercas adequadas; para gatos, telas de proteção em casas ou apartamentos, garantindo a segurança dos animais.

A campanha reforça que os abrigos devem representar apenas uma etapa temporária na vida dos animais resgatados. A recuperação se completa quando eles encontram um lar capaz de oferecer afeto, cuidado e responsabilidade.

Foto: Daniel Conzi / Agência Alesc

Notícias relacionadas