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Entre a gratidão e a esperança: como a doação de sangue marcou a vida de Jamile e Jenete Cristofoletti

Após acompanhar como a mãe dependeu de transfusões em momentos delicados de saúde, jovem transformou emoção em solidariedade e hoje incentiva mais pessoas a se tornarem doadoras

20 de junho de 2026

Foto: Arquivo Pessoal

A importância da doação de sangue ganhou um significado profundo para a família Cristofoletti muito antes de Jamile realizar sua primeira doação. Desde pequena, ela acompanhou de perto a luta da mãe, Jenete Gaulke Cristofoletti, durante períodos delicados de saúde, marcados por internações, cirurgias e transfusões sanguíneas que foram essenciais para salvar sua vida.

A primeira vez que Jenete precisou de sangue aconteceu durante uma internação causada por um derrame pulmonar. Na época, ela não podia passar por cirurgia devido à baixa quantidade de sangue no organismo e precisou receber cinco bolsas.

Mais tarde, após uma cirurgia de histerectomia, uma hemorragia fez com que ela necessitasse de outras cinco bolsas. Já em um terceiro momento, durante uma hemorragia pulmonar, novamente foram necessárias mais cinco bolsas de sangue.

Ao recordar aquele período, Jenete descreve os momentos como difíceis e desafiadores.

“Apesar de eu estar precisando do sangue, eu sempre tive muito medo de receber”, relembra.

Em meio à insegurança e ao medo, a solidariedade das pessoas se tornou fundamental. Amigos, familiares e doadores ajudaram a garantir as bolsas necessárias para o tratamento.

“Muita gratidão. Gratidão a todas as pessoas que foram doar para repor o sangue e gratidão ao sangue que tinha disponível naquele momento para me salvar”, afirma.

Foi convivendo com essa realidade que Jamile passou a enxergar a doação de sangue de uma maneira diferente. Desde criança, ela via o pai, a irmã e amigos da família se mobilizando para ajudar a mãe. A experiência despertou nela um desejo que carregou durante anos.

“Eu sempre pensava: algum dia eu quero poder ajudar outras pessoas como ajudaram a minha mãe”, conta.

Assim que completou 16 anos, idade mínima para doar com autorização dos responsáveis, Jamile marcou sua primeira doação. A mãe a acompanhou naquele momento que, segundo a jovem, foi inesquecível.

“Eu chorei muito na minha primeira doação. Quando comecei a doar, passou pela minha cabeça tudo o que aconteceu com a minha mãe, todas as dificuldades. Poder fazer aquilo foi uma sensação enorme de gratidão”, relata Jamile.

O que começou como um gesto simbólico se transformou em compromisso. Para Jamile, cada doação representa a chance de salvar vidas e oferecer esperança para famílias que vivem situações semelhantes à que a dela enfrentou.

“O que me motivou a transformar isso em um compromisso é saber que, em cada doação, eu posso estar salvando uma vida ou mais vidas”, destaca.

Jenete também reforça que foi justamente durante os momentos mais difíceis que percebeu, na prática, a dimensão da importância da doação de sangue.

“Nestas horas você vê como é importante doar sangue. Porque um dia pode ser você ou um familiar seu que pode ser salvo pelo ato da doação”, afirma.

Foto: Arquivo Pessoal

Além de compartilhar a própria história, Jamile afirma que acredita que ainda falta informação e conscientização sobre o tema. Segundo ela, muitas pessoas não sabem como funciona a doação ou nunca pensaram sobre a importância desse gesto.

Para quem sente medo, ela deixa um incentivo baseado na própria experiência.

“Não tenha medo. A sensação que você vai ter depois é maior do que qualquer medo. É uma gratidão gigantesca. Saber que pode estar salvando vidas é incrível.”

Entre memórias difíceis, superação e solidariedade, a história de Jenete e Jamile mostra como a doação de sangue pode atravessar gerações, transformando quem recebe, mas também quem decide doar.

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